28.8.14

Hallucination from the Womb

Hallucination from the Womb
Kitoh Mohiro
Manga - 7 Capítulos / 1 Volumes
2003
6 em 10
 
Do criador de Narutaru, segue-se um curto volume com sete histórias bastante pequenas. Através destas histórias confirma-se que o autor (cujo estilo artístico se pode idenficar imediatamente) gosta de desenhar sexo com miúdas pequenas.
 
Numa cidade composta por níveis (claramente inspirada na estrutura de Blame!, mas sem a complexidade associada, quer na emoção quer na arte), dois agentes de qualquer coisa que não se percebe investigam estranhos casos de teor policial. Estes casos exploram a vida nesta cidade, a Shell City, dando-nos a conhecer mais sobre os vários tipos de habitantes, clones ou outras coisas.
 
Cada história é individual, mas dado que os designs das personagens - sobretudo os das meninas - são muito parecidos é difícil ao início de compreender que as histórias não têm qualquer relação umas com as outras, com excepção dos dois agentes que são recorrentes.
 
As histórias não são especialmente originais, utilizando elementos que já vimos uma e outra vez em todo o tipo de ficção científica e cyberpunk, mas pelo menos uma (a das meninas raptadas) tem um laivo de imaginação inspirada. Daí a nota mediana, e não abaixo da média, que lhe dei.
 
Em termos artísticos, nota-se uma evolução no que respeita ao detalhe dos cenários, mas acho que teria sido melhor aplicar uma atmosfera mais negra (ou pelo menos cinzenta) de forma a fomentar a estranheza na cabeça do leitor. Os personagens são todos demasiado iguais uns aos outros sendo, como dito acima, difícil distingui-los. Alguma maquinaria, nomeadamente o monociclo segway, tem o seu interesse.
 
Mas não custa nada ler este pequeno livrinho, já que tem apenas sete capítulos.

Solanin

Solanin
Asano Inio
Manga  - 28 Capítulos / 2 Volumes
2005
7 em 10

Esta é uma história para pessoas crescidas. Meiko é uma jovem, pouco mais nova que eu (que sou uma velha horrível, cansada e acabada), que foi trabalhar para um escritório assim que acabou a faculdade. Vive com o namorado, que trabalha em part-time. Ambos detestam o seu trabalho. Até que Meiko, num laivo de lucidez ou de loucura, não se sabe muito bem, decide desistir de trabalhar por uns tempos. E é nesses tempos que a história se passa.

Vive-se um drama muito humano com que todos nós, os jovens do milénio, nos podemos identificar. É difícil arranjar trabalho, muito mais difícil é arranjar um trabalho de que se goste e em que nos sintamos plenamente satisfeitos e realizados. Eu cá tenho muita sorte, mas irá acabar em breve... E nessa altura, tal como a Meiko, ficarei presa a uma rotina de tédio e desocupação, que leva sempre a um ligeiro estado de depressão. Assim, este manga é um retrato da realidade e da maneira utilizada para ultrapassar esses dilemas que, na história, são exacerbados por uma tragédia ocorrida no final do primeiro volume e que apenas contribui para aumentar o estado de alienação dos personagens.

Algo une estes personagens: a música, o rock. Não há muitas referências, porque o manga é muito curto, mas a imagem dada deste campo social, desta matilha urbana, é vívida e exacta. É a música que acaba por os salvar e os levar a dar novas oportunidades à vida. Com a música, há a libertação desses factos trágicos que tanto os magoaram. É uma moral: existe sempre algo a que nos podemos agarrar para lutar, mesmo que não seja essa a nossa intenção, e mudar de vida.

A arte é original. Os designs dos personagens são muito únicos, com uma expressividade latente. São realistas, apesar de terem um traço muito específico de autor. Os fundos serão, quase todos, cópias de fotografias. Assim, é num ambiente extremamente realista que esta história se passa. Estes personagens são pessoas como nós.

Seria um manga muito difícil de adaptar ao anime com qualidade, pois os momentos chave estão dependentes de uma música que cada um imagina como quer. Ouvi-la diferente daquilo que imaginamos, poderia ser tanto fantástico como desapontante. Fica a nota para que leiam este manga, sintético e directo ao assunto. Pode ser que se identifiquem também.

27.8.14

O Teu Rosto Será o Último

O Teu Rosto Será o Último
João Ricardo Pedro
2011
Romance

Livro curtinho que recebi no BookCrossing.

Através de episódios curtos, aparentemente sem conexão entre eles, forma-se a história de uma família assombrada pela guerra colonial, num contexto doloroso e humano. Cada capítulo conta uma história, por vezes com personagens recorrentes, por vezes com pessoas que não sabemos quem são, mas que estão intimamente envolvidas na narrativa geral, apenas revelada no final.

Enquanto isso, acompanhamos o crescimento de Duarte, um jovem que tem um fantástico talento para o piano. Apesar desse talento, existe uma relação de amor-ódio com o instrumento (com a qual me identifico), que tende a cair no exagero, no momento de libertação sobretudo.

A prosa é muito interessante. Através de várias perspectivas de enumeração, o efeito é sarcástico e humorístico, apesar de haver muito sofrimento por detrás das palavras. Talvez esta técnica tenha sido utilizada demasiadas vezes, tendo sido melhor que o autor a guardasse para momentos mais específicos, sem abusar do efeito.

No geral, gostei bastante. Como se lê num instante, acho que não se perde nada em experimentar.

26.8.14

Ghost in the Shell: Arise - Border:2 Ghost Whispers

Ghost in the Shell: Arise - Border:2 Ghost Whispers
Takeushi Atsushi - Production I.G.
Anime - Filme
2013
6 em 10

Esta nova instância de Ghost in the Shell, o Arise, conta com quatro filmes, dos quais três já sairam. Este é o segundo. O primeiro está aqui. Como podem ver no link citado, achei que esta nova versão, esta "prequela" estava excelente e que captava com grande exactidão o ambiente essencial da saga. Verdadeiro cyberpunk, um regresso ao passado. Com este segundo filme, a minha opinião diverge.

É neste filme que a Major Makoto Kusanagi reune o resto da sua equipa para a Section 9. Mas a forma como isso acontece pareceu-me demasiado forçada, com coincidências a mais, tudo demasiado fluído e simplificado para ser real.

Ela está colocada num caso de um terrorista, que viremos a saber ser um prisioneiro de guerra, que perturba o sistema de trânsito. Ele faz isto com ajuda de um grupo de pessoas infectadas com um vírus que as faz acreditar que isto é uma boa causa. Estas pessoas são, todas, nada mais nada menos do que os futuros membros da Section 9. Porquê? Veio mesmo a calhar... Na resolução deste caso ela é ajudada por uma estranha mulher, com consequências interessantes, e por um fofinho antecessor do tachikoma, um logicoma.

Este episódio é praticamente composto apenas de lutas e cenas de acção. A animação é bastante boa, se bem que se nota um CG flagrante em muitos casos, sobretudo no que respeita a maquinaria. Isto não fica muito bem, mas podemos perdoar. O que eu não posso perdoar é a falta de lógica de alguns momentos da coreografia de luta. Alguns movimentos são bonitos, interessantes, espectaculares, mas são pouco práticos, pouco realistas, algo que nunca aconteceria num contexto militar como o da Major.

Em termos musicais, os efeitos sonoros têm o seu quê de um techno do passado, o que soa muito bem. A OP é simples mas bem aplicada, mas a ED aparece um pouco fora do contexto, apesar de ser uma boa música.

Ainda é cedo para tirar conclusões acerca desta nova versão do franchise, mas por enquanto mantenho-me neutra. Um agradou-me muito, este desagradou-me bastante... Mas não deixarei de fazer cosplay da Major quando chegar a altura! =D

25.8.14

Jane Eyre

Jane Eyre
Charlotte Bronte
1847
Romance

O nome da senhora tem um trema no O do apelido, mas não o consigo por neste teclado.

Oh, o romance clássico! Daqui vieram todas as sombras de grey, sim! Daqui veio a literatura de cordel feminina! Daqui vieram os shoujos dos 70s! Porque é que eu imaginei todo este livro e personagens em estilo shoujo dos 70s?

Jane Eyre é uma coitadinha. Tem uma vida infeliz e toda a sua vida é infeliz, até que tudo acaba bem. Mas a história não interessa por aí além. É uma história simples, um romance daqueles de amor, um romance de pessoas que se amam apaixonadamente, em que há rivais, em que há desgraças seguidas de alegrias. Tudo isto passado no século XIX na Inglaterra rural. Portanto, um romance histórico. Excepto que foi escrito nessa altura. Portanto, nem a maior pesquisa consegue igualar a exactidão da descrição da época de um livro que foi escrito nessa época.

O ponto de interesse neste livro é a personagem de Jane Eyre. Exploram-se vários assuntos dentro desta personagem, complexa e bem estabelecida. Observamos o seu crescimento como mulher e a sua luta pela independência. Nesta época, talvez falar sobre estes assuntos fosse um tabu. É quase feminismo!

Esta personagem tem valores tipicamente cristãos, o que também seria apropriado dessa época. No entanto, não é um livro que nos tente pregar e obrigar a grandes filosofias teológicas. Em vez disso, coloca na boca da personagem os conceitos éticos e morais em que deveríamos acreditar. E como esta personagem é sincera e assertiva, o livro dá muita liberdade para pensarmos como ela ou não.

Jane Eyre é uma pessoa simpática, com quem se gostaria de conversar. É um personagem modelo e dela vieram muitas outras. O livro é modelo também para muitos outros livros. Assim, acho que vale a pena dar-lhe uma olhadela, nem que seja para sabermos como as coisas eram e como vieram a ser mais tarde. Além do mais, lê-se muito rápido e é bastante simples, apesar da linguagem estar bastante desactualizada e dos conceitos inseridos já serem parte de um passado longínquo.

Não será um daqueles clássicos eternos que nunca envelhecem. Mas é muito interessante e, sobretudo, muito divertido!

Mushishi Special: Hihamukage

Mushishi Special: Hihamukage
Nagahama Hiroshi - Artland
Anime Special - 1 Episódio
2014
6 em 10

Como sabem, Mushishi é uma série que não me encanta. No entanto, era sábado à noite e procurava dentro da minha caixa multimédia um filme relaxante para ver. Assim, calhou bem este Special de 40 minutos, que serve como filme.

Nestes quarenta minutos, acompanhamos a história de um eclipse e a influência que isso tem nos mushi, criaturinhas misteriosas que, fazendo parte da natureza, podem envolver-se de forma negativa na vida dos humanos. Para conhecermos o efeito destes mushi, acompanhamos a história de duas irmãs gémeas que, por um motivo ou outro, são muito diferentes. Para nos guiar nesta história, temos Ginko, o nosso personagem recorrente e mushi-shi - uma pessoa que percebe de mushi.

A história é simples e está bem contada, de forma muito calma. A relação entre as irmãs é amorosa e muito moralizante. Os efeitos dos mushi, neste episódio, estão intimamente relacionados com as necessidades gerais das pessoas, com a necessidade da luz do sol. Assim, também é educativo (para quem seja ignorante ou criança)

No entanto, este tipo de história necessita - e nisto repito-me - de uma arte bastante melhor. Todas as coisas verdes eram interessantes e o minimalismo das personagens pode conjugar-se bem com o ambiente da história, mas ainda ssim precisávamos de uma verdura mais luxuriante e de, pelo menos, olhos nas pessoas quando elas estão longe.

Em termos musicais, o anime faz grande uso de efeitos e, sobretudo, do silêncio. Ainda assim, teria ficado melhor se o "silêncio" fosse um silêncio natural, isto é, com os ruídos do mundo natural.

Os momentos de comédia calharam fora do contexto e poderiam ter sido evitados.

E com isto, creio que terminei Mushishi. Ainda vai sair mais uma season, mas creio que passarei por cima dela, pois realmente não tenho interesse nesta série.

Delírio em Las Vegas

Delírio em Las Vegas
Terry Gilliam
1998
Filme
7 em 10

Após grandes complicações, entre um telemóvel, uma caixa multimédia e um computador portátil sem wireless, conseguimos conectar este filme para ver depois de uma micro-pizza-party (composta por duas pessoas, eu inclusa). O filme vinha um pouco defeituoso, mas deu para ver. E que delírio!

Um jornalista e o seu advogado dirigem-se a Las Vegas por motivos de trabalho. Evidentemente que são motivos de trabalho, apesar de o seu carro vir armadilhado com todos os tipos de drogas e bebidas que se possam imaginar. Evidentemente que, quer estejam a trabalhar ou não, estão sempre sob o efeito de uma, duas, três ou meia - tanto faz - drogas. E o filme relata as suas aventuras nesta cidade cheia de coisas que nos farão tripar e sofrer muito. Nomeadamente padrões de tapetes. E as pessoas, oh as pessoas. E os palhaços. E macacos, já falei dos macacos?

É divertido ver estas trips por causa da capacidade dos actores. Johnny Depp é um maluquinho, dos que recebem a pensão dos maluquinhos, e a forma como cada droga o atinge é muito engraçada. O advogado - Benicio del Toro - é o mais maluquinho dos dois. E nada os impede de tomar demasiado e de acabar em situações desesperadamente caóticas, sempre com uma pitada de pânico e paranóia.

A forma como está filmado leva-nos para dentro do delírio dos personagens. Curvas, planos inclinados, coisas que se mexem. Será real ou também me estava a bater a mim? (espero que seja real)

O filme tem muitos detalhes em que vale a pena reparar, nem que seja para desejarmos nunca tripar em Las Vegas. Ou pode acontecer o pior.

22.8.14

Nodame Cantabile

Nodame Cantabile
Ninomiya Tomoko
Manga - 146 Capítulos / 25 Volumes
2001 - 2010
7 em 10

Foi um anime de que gostei muito. Tanto, que até tenho desejos de fazer cosplay. Irei agora, definitivamente, actualizar o meu Cosplay Portfolio com isto :) Enfim, tinha vontade de rever este anime portanto... Porque não ler o manga? Tem muitas coisas diferentes do anime, sobretudo as que se passam em França.

Tenho uma relação estanha com a música. Há quase duas décadas comecei a ter aulas de piano. Sempre toquei, sempre adorei tocar, mas muitas coisas se passaram numa certa fase da minha vida e deixei de conseguir, emocionalmente. Depois, quis voltar e descobri que já não sabia nada! Portanto o meu piano, o Wibby, está parado há muito, muito tempo. Gostaria de voltar a mexer nele, ainda no outro dia tive a coragem de lhe tocar uma escala, mas não sei por onde começar. Talvez voltar a ter aulas, mas para isso preciso de organizar melhor o meu tempo... Terei de ver no futuro. De certa forma, este manga inspira a isso, mas também desinspira. Porque estes não são estudantes de música normais. São estudantes de música extremamente talentosos! E isso distingue-os imediatamente de mim, hahaha

Este manga trabalha de forma bastante directa vários assuntos: a relação entre as pessoas, seja de amizade, amorosa ou de competição; a relação com a música, o prazer de tocar versus a profissão da música; a evolução das pessoas como estudantes, mas também como personalidades. Assim, pegando num tema apaixonante, é uma história muito completa sobre a vida em geral.

O tema da música é tratado com cuidado, revelando grande pesquisa. É extraordinário como podemos ouvir a música que eles estão a tocar sem termos qualquer elemento sonoro para nos ajudar. Isto é conseguido por uma arte cuidada e muito detalhada, com personagens extremamente expressivos.

Estes, são tanto únicos como realistas. Conseguimos ouvi-los perfeitamente e enfrentar com eles (que são muitos) os problemas normais da vida, problemas esses que todos enfrentamos - ou enfrentámos em alguma parte da nossa vida. São humanos, verdadeiros humanos, com dúvidas e fraquezas que não podem ser resumidas a uma categorização redutora. Chiaki poderá ser classificado como tsundere, mas é muito mais que isso, tem muito mais densidade e uma caracterização muito mais profunda do que a simples classe de personagem. Nodame poderia ser apenas mais uma genki girl, mas a sua expressividade é tal que conseguimos compreender o que a torna uma pessoa palpável, como eu e como vocês.

No entanto, este manga tem um grande problema, problema de todos os mangas populares: é demasiado longo. Sobretudo os tempos passados em França, parece que nunca mais terminam e há momentos muito mornos em que parece que a história nunca vai evoluir e que não contribuem grande coisa para o desenvolvimento das personagens. Assim, não lhe posso dar uma nota melhor.

Mas diverti-me muito a ler este manga. Será que agora vou voltar à música? Quiçá (quiçá quiçá)

Gintama: Kanketsu-hen - Yorozuya yo Eien Nare

Gintama: Kanketsu-hen - Yorozuya yo Eien Nare
Fujita Yoichi - Sunrise
Anime - Filme
2013
6 em 10

Sempre gostei de Gintama. Lembro-me perfeitamente de estar a coser o fato da Botan enquanto via Gintama. Assim, é um franchise que me traz boas memórias e ao qual volto uma e outra vez. Quando saiu este novo filme, foi com grande excitação que o tirei logo para ver, na esperança de encontrar mais e mais de uma série tão simpática. O filme é tão bom como desapontante, tudo em partes iguais. 

Depois de apanhar um pirata numa sala de cinema, Gintoki é levado para um futuro alternativo em que existe uma praga a matar toda a gente. Encontra versões alternativas dos seus amigos e descobre que, nesse futuro, está morto. Todos o vêm com uma forma diferente e bastante bizarra e bastante engraçada. Assim, é um filme sobre viagens no tempo, em que revisitamos todos os personagens do franchise, com mais ou menos detalhe.

Os gags têm a sua piada, como sempre, havendo momentos de pura hilariedade. No entanto, o filme peca pela falta de desenvolvimento dos conceitos e pelo final, em que se desenrola épica luta, demasiado típica para o meu gosto.

Apesar de ser um filme e, por isso, ter elementos de produção mais elevados, não existe grande dedicação a cenas de animação, estando praticamente toda a acção concentrada na desinspirada luta final. Esta, como envolve todos os personagens da série, acaba por se tornar confusa, repetitiva e bastante aborrecida. 

Em termos musicais, revisitamos a Pray - música pela qual eu tenho adoração - mas de resto não há muito mais a apontar. As vozes continuam de génio, mas a isso já estávamos habituados.

No que respeita à comédia propriamente dita, gostei sobretudo de não terem abusado das piadas escatológicas (que foi o pecado da segunda season) e de tornarem as piadas sexuais mais subtis.

Um filme bom apenas para quem ame o franchise. Para quem o desconhece, não terá o efeito pretendido.

As Regras do Tagame

As Regras do Tagame
Kenzaburo Oe
2000
Romance

Esperava eu o bicharin quando me vejo sem livro para ler. Inesperadamente, havia terminado o grande volume em que estava a batalhar! Assim, dado que a sua chegada estava apontada para daí a um quarto de hora, decidi comprar um livro. Gosto sempre de ir a livrarias comprar livros. Peguei em muitos, voltei a pô-los no sítio e cheguei à zona das promoções. Aí, vi este: um autor japonês, prémio nobel ainda por cima! Será mesmo este!

Mas creio que não foi o livro ideal para começar a conhecer este autor. 

De natureza quase auto-biográfica, dá-nos a conhecer os sentimentos do autor sobre a morte do seu cunhado, um famoso realizador de cinema. Existe um paralelismo evidente entre os personagens do livro e os personagens da vida do autor, assim como elementos da sua própria vida, com mais ou menos verdade por trás de cada evento. Por exemplo, os ataques físicos da direita em relação ao autor dentro da história: o autor fora da história terá sido vítima das críticas dessa faixa política, mas creio que os ataques físicos serviriam como uma metáfora para a violência que lhe foi feita.

A história é muito densa e trata da relação do personagem - autor consagrado - com o seu cunhado - realizador consagrado - que se suicida sem motivo aparente. O cunhado deixou um conjunto de cassetes audio para serem ouvidas no "tagame" (nome dado ao leitor de cassetes pelo personagem principal, devido à sua semelhança com um escaravelho). Assim, ficamos a conhecer várias vertentes destes personagens, nomeadamente o seu passado e um evento específico, muito traumático para eles, que veio a marcar todas as atitudes em relação à arte e à política dos seus eus futuros.

Apesar da complexidade do livro, que se compõe de uma miríade de camadas sobrepostas, é uma história muito delicada e emocionante, que me tocou profundamente e me deixou extremamente triste. Apesar de não ter nada de triste, ser apenas um relato sobre a vida, está escrito com tal sensibilidade que mexe com as emoções do leitor e arrepia. É uma narrativa plácida, de cor verde, que prossegue com toda a calma até uma conclusão bastante estranha mas que, ainda assim, não deixa de nos dar esperança.

Fiquei curiosa em relação ao autor e hei-de experimentar lê-lo mais vezes.

18.8.14

22 Jump Street

22 Jump Street
Phil Lord e Cristopher Miller
2014
Filme
6 em 10

Organizei um pequeno convívio chez minha casa, para todos comermos comida de Zi (que é muito boa, diga-se de passagem) e bebermos bebidas gerais e ouvirmos uns sons popuzudos e ver um filme ou outro. Éramos para ver dois, mas já estava toda a gente meio cansada, então vimos só este.

É para rir e, pelos vistos, é a sequela de um outro filme com o mesmo tema. Dois agentes policiais estão encarregados de ter uma missão paisana numa universidade, a propósito de descobrirem o dealer de uma nova droga que anda a fazer mal aos estudantes. Na universidade vivem aventuras universitárias e descobrem mais sobre a relação que têm um com o outro.

Tem, certamente, a sua graça. As aventuras universitárias dos americanos são, sem dúvida, muito diferentes das nossas. A relação entre os personagens, alimentada pela química entre os actores, tem os seus laivos de homoerotismo, mas de uma forma caricatural.

É daqueles filmes patetas sem grande profundidade, mas que dá para tirar excelentes gargalhadas. Os gags são originais e não se repetem demasiado, pelo que o filme é um seguimento de novidades, daquelas da categoria do "faz rir". Mais uma vez, insisto na capacidade de os actores, que parece ter muito de improviso (mas que na verdade não tem, pelo que li)

Por isso, bom filme para convívios em minha casa!

Sin City

Sin City
Frank Miller e Robert Rodriguez
2005
Filme
7 em 10

A propósito de um passatempo para ver o novo filme do Sin City, porque não ver o antigo. Nunca o tinha visto e, agora, fiquei extremamente curiosa para ler a banda desenhada.

São quatro histórias diferentes, que têm em comum o facto de se passarem em Sin City, uma cidade em que toda a gente tem algum problema. Há pessoas que são simplesmente más, há demasiadas prostitutas, há pessoas que sofrem, há pessoas que são malucas. No meio de muito sangue e muito armamento pesado, lá resolvem os seus problemas.

A primeira história é só um bocadinho, uma introdução e uma conclusão, sobre um tipo que, aparentemente, mata mulheres. Não sabemos mais nada sobre ele nem sobre o que o move.

A segunda história, também dividida em duas partes, é sobre um polícia que salva uma menina pequena das garras de um tarado, para depois os reencontrar: ela cresceu e o tarado está... Bem, tem uma certa icterícia. 

Na terceira história, temos um tipo completamente alucinado, dotado de super força e de extrema fealdade. Depois de uma prostituta de quem ele gostava muito ser assassinada, enceta uma busca pelo seu assassino, entrando numa perseguição em escala ascendente, em que enfrenta todo o tipo de doidos (incluindo uma criatura que come pessoas).

Finalmente, temos... Espantoso! Uma pessoa inerentemente simpática! Tudo começa por uma briga com um homem ciumento e acaba numa guerra entre a Cidade Velha, dominada pelas trabalhadoras nocturnas, e a máfia. E a polícia também, já agora.

As histórias e os personagens são, desde logo, muito interessantes. Mas adicionemos a tudo isto uma estética muito única. O filme é praticamente todo monocromático. As únicas cores que aparecem são para dar ênfase a certas situações. O facto de a narrativa ser, quase toda, um monólogo de cada personagem, torna-nos mais próximos deles, pelo que é fácil de compreender as suas motivações e a razão para tanta violência.

Existem elementos que poderiam ser melhores, mas no geral está um filme muito original e extremamente único. Estou ansiosa pela sequela e, sobretudo, por ler a BD!

O Sol da Caparica

O Sol da Caparica
Festival de Música

Este ano não há férias para ninguém. Bem, pelo menos para mim não há. Aliemos isso à falta de nomes interessantes nos festivais de música por aí. Queremos ir a um festival de música, ver uns concertos, beber umas jolas, comer umas scenas... Mas das duas uma: ou as bandas não têm interesse ou...  Já vimos as bandas. Se calhar até mais do que uma vez.

Eis então que surge uma alternativa que aparenta ser bem interessante. Neste novo festival, aposta-se na música portuguesa. Também já vimos quase tudo, se calhar mais do que uma vez. Mas temos a confirmação de que é sempre divertido. Para mais, o local: Costa da Caparica. Fica mesmo ao lado de Lisboa, mesmo ao lado de Almada, em quinze minutos estamos em casa. Junte-se outro factor importantíssimo: o preço. 35€ pelo passe, 15€ a diária... Mais um desconto a quem é de Almada e compre o bilhete no posto de turismo. Está feito, é a este festival que vamos!

Fui apenas a um dia, quinta feira, que era precisamente o dia que tinha as coisas que eu queria ver. Comecemos por falar em alguns aspectos gerais, para além da música. O Espaço tem todo o potencial de ser muito bom. Está-se à larga, tem muita relva, em todo o lado se ouvia música. Havia três palcos: o principal, o da Blitz (que era tão grande como o principal) e um de cinema. Neste último não se estava nada bem, apesar de ser muito interessante. Passaram curtas-metragens de animação vindas directamente da Monstra, mas estava tanto frio nessa noite que era muito desagradável estar ali. Não estava lá quase ninguém, parecia mesmo o cantinho dos refundidos onde os refundidos vão dar no cavalo... Atente-se também no piso. Era areia. Se ao início estava tudo bem, mais para o fim já não me aguentava em nenhuma posição, necessitando urgentemente de me colocar em posição horizontal. Frio e dores nos músculos, fiquei podre para o dia seguinte. Se tivesse ficado mesmo doente, seria uma desgraça (estou aqui sozinha no gabinete durante esta semana inteira...)

E agora, música!

Chegámos mesmo no finzinho do concerto da Márcia, que nada de especial tinha, pelo que fomos directamente para o palco principal. 

Dead Combo

Dueto de guitarras e bateria, qualquer coisa como um... Fado Rockabilly. Desde que descobri esta banda que os venho apreciando muito. As músicas são extremamente expressivas e falam por elas próprias, sem ter necessidade de letra ou voz para compreendermos aquilo que nos querem dizer. Agora que os vi ao vivo, fiquei fascinada. Isto é gente que gosta mesmo, mesmo, mesmo de tocar guitarra. A concentração aliada à felicidade de tocar um instrumento que se ama, foi muito bom ter visto isto. 

As figuras em palco, juntamente com todo o cenário, deram um aspecto bastante intimista à coisa - apesar de estar tanta gente a ver o concerto e ainda ser de dia. Será para repetir, quiçá da próxima vez dentro de um espaço fechado.

GNR

Gosto desta gente, sobretudo das coisas mais antigas, porque se estão a cagar. Fazem simplesmente o que lhes apetece e o que lhes apetece é completamente errático e aleatório. Portanto, queria ver isto. Mas por alguma razão toda a gente que estava comigo se convenceu que eles iam tocar a seguir, portanto foi decidido (comigo dizendo muito baixinho "mas é agora ;__;" ) que se ia jantar. Perdemos o concerto quase todo e o restinho que vimos foi a comprar umas jolans.

Mas falemos da comida. Havia muita variedade, desde pizzas a bifanas e farturas e todas essas coisas de festivais. Foi decidido que ficaríamos na barraquinha do sushi (sim, também havia) que era a que tinha menos fila. O ERRO. Para pagar até era rápido. Pré-pagamento. Mas e para receber a comida? Uma meia hora pelo menos ficámos à espera que fatiassem o salmão, o partissem em pedacinhos, o pusessem em forma de hambúrguer e o grelhassem, porquê, porque é que eles não trouxeram as coisas feitas de casa??? Para ser mais fresco? É um festival, não um restaurante michelin! Eu estava tão reclamona que ainda foram mal-criados e pediram para ver o meu comprovativo de pagamento, quando não o pediram a mais ninguém! Como se eu tivesse passado à frente das pessoas! Mas, convenhamos, a porcaria do hambúrguer de salmão era positivamente deliciosa.

João Pedro Pais

Dado que não apetece a ninguém participar num suicídio auditivo colectivo, vamos ver os filmes e apanhar um pouco de vento.

Gabriel O Pensador

Finalmente! Foi isto o que eu vim ver!

A minha adolescência foi passada a ouvir, repetidamente, os mesmos álbuns, que era o que havia em CD, num tempo em que sacar um som da net era uma tortura. O "Tás a Ver" do Gabriel era um deles. Posso dizer com segurança que sei todas as músicas desse álbum de trás para a frente e de frente para trás. Qual não foi a minha felicidade quando ele tocou quase todas!

Desde o próprio "Tás a Ver", que podia ter beneficiado de uma voz feminina como no original (e que eu cantei lá do fundo, todinha, fiquei tão contente! =D ), passando pelo "Filho da Puta", pelo "Astronauta"... Até tocou a Festa da Música, que é uma música que pouca gente por aqui percebe pelo excesso de referências ao Brasil! Todo o concerto foi mais que boa onda, com muitas piadas, muitas alegrias, muitas felicidades (o baixista ultrapassou o cancro!), até umas rimas em freestyle falando sobre a lua e sobre a água gelada das Caparicas.

Realmente gosto muito desta personagem, parece ser um freakalhóide do surf com quem se poderia ter uma conversa civilizada. E que fala de coisas muito reais e sempre actuais.

O concerto demorou um bocado, podíamos ver gente a fazer-lhe sinalefas para acabar cada vez que a câmara passava para o lado do palco. Mas eu adorei, porque tocaram quase todas as minhas músicas preferidas e pude cantá-las todas e dançar o groove. :)

Buraka Som Sistema

Por esta altura as minhas costas já estavam a dar de si. Mexi-me demais com o Pensador, andei demais em cima da areia, já não conseguia estar em posição nenhuma. Esforcei-me, isso sim. As dores musculares ficam disfarçadas quando uma pessoa se mexe. Então dancei!

E todos sabemos que com Buraka se dança e se dança a sério! Têm uma rapariga nova a cantar. Esta também dança, é toda magrinha e energética. E isso inspira a dançar também. Não conheço muitos sons deles, mas todos os que sei gosto imenso. Confesso que até gostava de fazer uns sukitos de cosupure com sons deles, haha.

Nota para os cumprimentos iniciais. Monte da Caparica, yeee. Charneca, yeee. Pica-pau amarelo, *silêncio*. Note-se que, ao contrário do que seria de esperar, não havia mitra maluca quase nenhuma. Em termos de segurança estava muy bueno.

Mas enfim, passado pouco tempo cedi às dores que me consumiam e sentei-me no meio das pernas das pessoas à espera de levar um pontapé na cabeça a qualquer momento. Bateu a uma e meia e fomos embora, pelo que não conseguimos descobrir o que era o artista seguinte, um tal de DJ Branko. Contaram-nos que era música africana para dançar e dançar mesmo, mas ficámos sem saber, com exactidão, o que era exactamente.


No geral, não há fotos nem nada. Havia muito surf, que ignorámos. A comida era boa. A cerveja estava a um preço normal de festival, com a sorte de ser Sagres e não ser nenhuma cerveja bizarra. A relva era boa. A areia era má. Gostei dos concertos. Talvez para o ano deva voltar. :)

11.8.14

Harmonie

Harmonie
Yoshiura Yasuhiro - Studio Rikka
Anime - Filme
2014
6 em 10

Anime Mirai é um projecto custeado pelo governo do Japão para promover novos autores de anime e animação em geral. Podem ver comentários a outros três pequenos filmes aqui, aqui e aqui.

Neste filme de meia hora, tudo começa com a vida normal. Todas as pessoas têm os seus interesses e a vida quotidiana é feita da sua partilha. Mas o nosso personagem principal não se quer limitar ao seu próprio universo pessoal. Quer conhecer o universo de uma rapariga, por quem ele nutre uma certa afeição e fascínio, apesar de nunca ter falado com ela.

De uma forma ou de outra, acaba por descobrir que ela tem um sonho. E o resto do filme é a consequência do mal entendido que daí advém. Aqui está a minha primeira crítica: o final inconclusivo pode ter um efeito ligeiramente cómico, mas é bastante frustrante. Se por um lado ficamos contentes por terem conseguido falar um com o outro, por outro lado é uma situação muito negativa, pois advém de sentimentos que não são verdadeiros.

A minha outra crítica é, precisamente, a sequência do sonho. Antes de mais, não se parece nada com um sonho. trata-se da sequência de uma história, num outro universo, em que há um cyborg e um tipo que toca frascos às cores (fazendo música). Essencialmente, é-nos dado a conhecer muito pouco de uma história muito maior, demasiado grande e estruturada para ser um sonho realista. O que dá a sensação é que a rapariga tem um poder qualquer que lhe permite ver o passado de um mundo futuro (se é que isto faz sentido), mas nada disto é explorado.

No que respeita a animação, não está má, mas também não está especialmente boa. Não existem cenas que demonstrem completamente as capacidades do realizador, pelo que não é um bom exemplo de showcase.

A música tem duas parcelas. A primeira é a sequência do sonho, que é mais e mais do mesmo que já ouvimos uma e outra e outra vez. A outra é a ED e essa sim é bastante bonita, embora terem-na passado com a repetição da mesma sequência tenha sido chatíssimo.

Enfim, é um anime simpático, mas não é nada de extraordinário.

Todos os Contos Volume 2

Todos os Contos 2
Edgar Allan Poe
Vários
Contos

Ora bem.

Recebi este livrão lindíssimo pelo Natal, como presente do meu excelso pai. Ele prometeu que voltaria um dia com o primeiro volume, que se encontrava esgotado, mas até agora ainda não há resultados. Mas, como são contos, tanto faz ler o primeiro ou o segundo, porque não há conexão. Sobre o estilo de escrita, já conhecia um pouco, devido a uma outra edição de contos que já tinha (e que agora, provavelmente, irei vender). Mas aprofundemos um pouco:

Ao contrário do que eu pensava, Poe não é apenas um escritor do gótico. A sua literatura é extremamente variada, indo desde a crítica e análise à comédia surrealista. Revela ser uma pessoa extremamente culta, no que respeita a civilizações antigas e, estranhamente, a barcos.Mas, sobretudo, a sua escrita é muito descritiva. Existem contos que se compõem simplesmente da observação do mundo natural, da arquitectura ou, simplesmente, à disposição de móveis num quarto.

Poe revela ter um apuradíssimo sentido de humor, cheio de uma ironia absolutamente deliciosa. Apesar de não tratar de assuntos actuais, não podemos deixar de nos rir de uma forma ou de outra, porque está tudo escrito de maneira tão engraçada.

Existem alguns contos que falam sobre a vida e a morte, mas de uma forma muito mais profunda, através de diálogos entre personagens desconhecidos, num universo desconhecido que pelos vistos paira entre a vida e a morte. Achei-os muito tocantes, pelo seu estilo clássico.

Não consigo escolher um conto preferido, mas poderei falar de um que se destaca dos outros. Trata-se do último (Narrativa de A. Gordon Pym) e distingue-se por ser o maior, com mais de 200 páginas. É uma espécie de diário de bordo das aventuras de um jovem no mar, com naufrágios, piratas e selvagens em ilhas do pacífico sul. Apesar de eu não perceber quase nada sobre termos náuticos, usados e abusados, foi fascinante ver como sobreviveram ao naufrágio e como exploraram o (quase) Polo Sul. O final soube a pouco e deu muita vontade de ler o resto das aventuras que, convenhamos, ficavam cada vez e cada vez mais estranhas.

Portanto, meu pai! Venha depressa com o primeiro volume! Quero ler mais! Quero ler tudo!!!

4.8.14

Muppets Most Wanted

Muppets Most Wanted
James Bobin
2014
Filme
6 em 10

Madrugada. Desejando beber montes de água e dormir um reparador e profundo sono, que filme é que se vê? Os Marretas. Claro!

Sempre que há um filme dos Marretas para ver, já se sabe que nos vamos rir. E é claro que, apesar de a minha motivação para ver o filme ser negativa, gargalhei a bandeiras durante o filme todo. Realmente, não há muito para dizer. Um marreta é um tipo de bicho que sabe rir de si próprio. Assim, todo o filme é a ridicularização do próprio filme, o que é positivamente hilariante.

Aparentemente, o grande interesse deste filmezinho são as aparições constantes de uma série de gente famosa. Ora bem, eu não conheço ninguém. Portanto, talvez me tivesse rido ainda mais se soubesse quem era quem. Só reconheci (atenção, spoiler) a Celine Dion (e fartei-me de rir)

As músicas e os momentos de dança estão muito simpáticos. Gostei sobretudo nas cenas dentro do Gulag, em que o Cocas transforma aquilo no Fame ou algo que o valha.

A capacidade interpretativa dos bonecos continua igual a si própria, mas devo informar que - sim - os Marretas chegaram ao futuro: CG e bastante.

Bom para relaxar, deixou vontade de ver mais bonecos.

Narutaru

Narutaru
Kitoh Mohiro
Manga - 67 Capítulos / 12 Volumes
1998
5 em 10

Há muito, muito tempo, vi o anime. Marcou-me profundamente: tratava-se de uma bizarra desconstrução do género das mascotes mágicas, em que se inserem os Pokémons e Digimons e outros que tantos. Como o anime deixou um final de água na boca, sempre tinha tido vontade de ler o manga. E que desapontamento foi!

Shiina é uma mocinha que vive com o pai, piloto de aviões, e que vai a uma ilha visitar os seus avós. Nessa ilha, encontra um bicharoco em forma de estrelinha, a quem dá o nome de Narutaru. Depois disso, conhece outros miúdos com bicharocos semelhantes, chamados de "Shadow Dragons". E é aí que a coisa começa a ficar bizarra. Mas... É apenas isso. A história está confusa, mas não porque seja confusa na sua natureza. Simplesmente, muito pouca coisa é explicada, sendo que por vezes senti que a história "saltava" de cena para cena, sem conexão entre elas. Sofre com isto, sobretudo, a introdução de novos personagens, que aparecem na história como se nós, leitores, tivéssemos a obrigação de descortinar de onde é que eles vieram. Na realidade, o conceito é bastante simples, apenas se apresenta bastante baralhado. O final de tonalidade pós-apocalíptica é a prova disto.

Em termos artísticos, existe uma fissão completa em termos de design. As personagens e os cenários são todos extremamente simplificados. No entanto, numa oposição que muitas vezes cai mal, todas as armas, aviões... Tudo aquilo que esteja relacionado com a guerra: demasiado detalhado. Existem erros nas perspectivas que tornam tudo ainda mais confuso, sendo muitas vezes difícil de distinguir as acções dos desenhos à primeira. Convenhamos que a estrelinha é das coisas mais fofinhas de sempre, sobretudo quando corre, gira, dá abracinhos ou faz outras coisas amorosas. Deu-me até vontade de coser uma mochila em forma de estrelinha. Mas fora isso, há pouco de positivo a apontar.

E, agora, o extraordinário: apesar de a história ter muita violência e muito conteúdo sexual, o manga é muito pouco explícito. Diria mesmo que o anime é mais explícito, o que é de certa forma estranho.

Enfim, foi bastante diferente do que eu estava à espera. Simplesmente, demorou demasiado tempo a chegar a alguma conclusão e esforçou-se demais para estranhar, mas sem entranhar. O próximo será certamente melhor.