31.7.14

Tonari no Seki-kun

Tonari no Seki-kun
Mutou Yuuji - Starchild Records
Anime - 21 Episódios + 1 OVA + 2 Specials
2014
6 em 10

Era para ter visto este anime enquanto estava saindo, mas já estava a ver tantos que achei que ver mais um seria demasiado para o tempo que tinha. Assim, fui sacando os episódios à medida que iam saindo, mas não os vi. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir, quando me iniciei no visionamento, que os episódios tinham apenas 7 minutos, contando com OP e ED!

É um animezinho muito simpático e engraçado, sobre um jovem (Seki-kun) que está sempre a fazer por se distrair durante as aulas. A sua colega do lado, Yokoi, está sempre atenta, espantando-se com as brincadeiras extraordinárias e tentando estudar, apesar de sair sempre prejudicada.

A graça deste anime está nos vários métodos de entretenimento que Seki-kun arranja. São sempre coisas muito simples, pequenos jogos que todos fazemos quando somos pequenos (ou que as crianças japonesas fazem), mas em escala miniatura, do tamanho de uma secretária escolar. As constatações de Yokoi e a sua exasperação à medida que se vai envolvendo nos jogos são contangiantes.

Assim, como anime de gags cómicas, isto está bastante bom. No entanto, apesar de isso não ser um factor necessário para este tipo de anime, não posso deixar de lhe atribuir uma nota mediana por causa da arte. Infelizmente, é bastante fraca. O uso do CG é demasiado evidente, sendo que destoa bastante da simplicidade da história em causa.

A música, e efeitos sonoros, é muito engraçada. A ED fica-me na memória pela soa tonalidade jazzística.

Anime que se vê muito rápido e muito bem, bom para relaxar ao final do dia.

28.7.14

A Desumanização

A Desumanização
valter hugo mãe
2013
Romance

Depois da viagem à montanha, uma rápida leitura, um pouco mais leve, de um autor que tenho vindo a descobrir e de que tenho gostado muito.

Numa aldeia nos confins da Islândia vive uma rapariga, que tinha uma gémea. Tinha: a gémea morreu. E esta história é a história da separação desta menina do seu ideal, a irmã, e do seu crescimento, tornando-se mulher mais cedo do que o esperado, com as consequências que isso pode trazer para ela própria e para os outros.

Este livro tem dois temas principais, que são explorados numa linguagem poética e muito filosófica: o desflorar da puberdade feminina e a paisagem islandesa. No primeiro aspecto, isto é transmitido de forma muito exacta, com todos os momentos e pensamentos assustadores e com exemplos de pensamentos que estão entre o infantil e o adolescente e que têm imagens muito bonitas. Gostei sobretudo da ideia das "flores das mulheres" que achei muito bonita, apesar dos problemas que daí vêm mais tarde. No que respeita à tal paisagens, percebo porque é que este livro pode desapontar os fãs do país. Não há descrições de momentos naturais espectaculares, nem há uma pintura do ambiente que rodeia os personagens em termos exactos. O que existe, e isso eu gostei muito, é uma percepção natural, integrando os elementos do universo em que se vive na própria vida. Isto é, estes personagens são nativos deste país. Não faria sentido colocá-los a descrever grandes coisas, pois são vistas todos os dias.

A história é triste e brutal, mas está escrita de forma muito bonita. Se por vezes o autor divaga um pouco nos pensamentos da personagem, isso pode ser tido como os momentos de dúvida e confusão da criança que cresce e, portanto, não necessariamente um erro.

Gostei bastante e estou ansiosa por ler mais deste autor.

Omoide Emanon

Omoide Emanon
Tsuruta Kenji e Kajio Shinji
Manga - 9 Capítulos / 1 Volume
2006
6 em 10

Manga muito curto, que se lê no instante. Adaptação de um livro, deixa vontade de ler o livro... Mas não é muito bom em si.

Um jovem encontra-se num ferry a viajar entre duas ilhas do Japão e encontra uma bonita rapariga. À conversa, ela explica-lhe que tem todas as memórias desde o início da vida neste planeta. O conceito é excelente, mas peca pela falta de desenvolvimento. As explicações dadas são muito coerentes e dão que pensar, mas o que realmente gostaria de ter visto seria a vida da rapariga, Emanon, ao longo dos tempos e das eras, sob vários estados evolutivos, até chegar ao ponto em que se encontra. Quiçá, ver o futuro. Assim como está, não chegamos a nenhuma conclusão e sabe a pouco. É uma short story demasiado short, digamos assim.

Vários pontos para a arte, que se apresenta muito limpa e original. O estilo é altamente detalhado, com traços muito rígidos e um brilho nos negros muito patente. Talvez o design dos personagens não se conjugue muito bem com os fundos cheios de técnica e de rectidão. Ainda assim, passam para o exterior como pessoas absolutamente normais, iguais a todas as outras (talvez tenham sido as sardas a dar essa sensação). As imagens a cores também são muito bonitas, assim como todos os cenários com o mar à noite, que nos dão uma sensação de eternidade que liga bem com o tema da história.

Lê-se rápido, por isso... Porque não?

Only Lovers Left Alive

Only Lovers Left Alive
Jim Jarmusch
2013
Filme
7 em 10

Quando se chega a casa de madrugada, ao invés de dormir, o que se faz? Ver um filme! Desta feita calhou-nos este, um filme sobre vampiros com um twist bem diferente.

Adam vive numa cidade abandonada nos arredores de Detroit, fazendo música para si próprio e alimentando extrema negatividade para com a vida e todas as outras situações. Poderia dizer-se que tem até umas certas tendências suicidas. Eve vive em Tanger, aproveitando o melhor da vida. São um casal e, por sinal, são vampiros. Voltam a reunir-se quando Eve, preocupada, viaja até Detroit para colocar algum sentido na vida cansada de Adam. E tudo corre bem até à chegada de Eva, uma irmã maluca que lhes vem perturbar a paz.

Para variar um pouco dos romances de vampiros, cheios de efeitos especiais e muito sangue, apresentamos este filme romântico e intimista, que mais explora sobre a condição humana do que o fantástico em si. Estes vampiros são, antes de mais, pessoas. Pessoas que já viveram muito tempo e que, portanto, estão cansadas. Já influenciaram muito da história, mas têm de viver sempre discretamente. E é essa frustração e tristeza que vive em constante oposição no filme, já que os personagens são polos opostos que, ainda assim, se amam e fazem um elemento único.

De certa forma, os vampiros podem ser apenas um símbolo, uma representação do mundo da droga. Isto se formos pela reacção que acontece quando bebem sangue. Assim, o filme tem uma nota mais negra, mais deprimente, da relação do vício contra a tentativa de viver vidas normais e sossegadas.

Para além de imagens muito bonitas e, sem dúvida, com um estilo muito moderno, temos uma banda sonora invejável. Estes vampiros vivem a música e, neste momento, vivem o rock. Temos momentos de concertos ao vivo, temos momentos de gravações caseiras, enfim, temos música por todo o lado. Isto dá um efeito ainda mais pessoal à narrativa, que nos faz sentir que estas pessoas poderiam ser apenas os nossos vizinhos (e estaria tudo bem, porque são perfeitamente pacíficos)

Um filme que se vê muito bem e que tem a sua quota de humor negro para alegrar as nossas madrugadas.

26.7.14

Galaxy Angel

Galaxy Angel
Asaka Morio - Madhouse Studios
Anime - 25 Episódios + 1 Special
2001
4 em 10

Quando falo de comédias, coloco sempre o aviso de que talvez o problema seja meu por não ter achado piada. No caso de Galaxy Angel, creio que não é preciso colocar o aviso: isto não tem piada de todo. É simplesmente horrível e doloroso em todas as suas partes.

Algures no espaço cinco raparigas procuram objectos perdidos, objectos da humanidade com poderes estranhos. Em cada episódio acontecem coisas novas que deverão ser extremamente engraçadas. Mas que não são. Os gags resumem-se ao robot delas a dizer porcaria com uma voz fofinha, delas a serem parvas ou delas a zangarem-se. Extremamente original, não é?

As personagens não têm nada de único, nem sequer um traço de personalidade que pelo menos as distinga umas das outras.

Para mais, a arte é absolutamente pavorosa. Não sei onde a Madhouse Studios andava por esta altura, mas devia ser no planeta da falta de inspiração. Erros atrás de erros, olhos em sítios errados e explosões amarelas. Tudo nesta animação está errado, dos movimentos das personagens às cenas de acção.

Musicalmente, não podia haver pior. As vozes são de fazer sangrar os ouvidos, parece que estas actrizes só sabem gritar... E nem sequer quando os bonecos o estão a fazer!

Resumindo: um pavor. Um horror. Para esquecer. Nem tenho mais nada para dizer!

Mdou Moctar

Mdou Moctar
Concerto
Após grandes confusões, fica decidido ir ver este concerto ao Museu Nacional de Arte Contemporânea, também conhecido por Museu do Chiado. Desta vez decidi ouvir o que se ia passar antes de ir ver o concerto, e agradou-me bastante. Aqui está a música que eu ouvi:


Sempre gostei de rock tuaregue e este pareceu-me ter uma identidade bastante definida. Vejamos o que diz o Museu do Chiado sobre ele na página, para o conhecermos melhor:

No concorrido campeonato de guitarristas Tuareg, Mdou Moctar distingue-se com certeza dos seus contemporâneos. Ele é um dos poucos escritores de canções e intérprete decidido a experimentar e a fazer progredir o género, e as suas estratégias estéticas pouco ortodoxas têm-lhe conquistado cada vez mais seguidores tanto no Níger como além-fronteiras. Mdou é originário de Abalak, no deserto Azawagh do Níger, e é um autodidata desde tenra idade vidrado na guitarra. O seu primeiro album ‘Anar’ foi gravado na Nigéria em 2008, uma coleção vibrante de temas com profuso uso de autotune na voz. O álbum nunca foi oficialmente editado mas as canções tornaram-se um sucesso popular no Sahel – a faixa territorial de costa a costa de África, divisionária do deserto do Sahara a norte e a savana sudanesa a sul – através de redes de partilha de música em telemóveis. ‘Tahoultine’, uma das faixas mais emblemáticas, foi mais tarde incluída na compilação ‘Music from Saharan Cellphones: Volume 1’, editada pela Sahel Sounds, o que fez expandir o culto na Europa e Estados Unidos. A mesma editora lançou em 2013 ‘Afelan’, o primeiro álbum com distribuição internacional de Mdou, gravado ao vivo no Níger, em que surpreende pela crueza e ferocidade do trabalho de guitarra elétrica, ancorada por doces melodias de folk do Sahara. Atualmente encontra-se envolvido como ator principal na produção do primeiro filme falado numa língua Tuareg, numa ficção sobre a contenda de um guitarrista para se afirmar entre pares, enquanto anda pelo deserto numa moto púrpura.

Agora, o concerto. Para começar, o local é muito agradável. Trata-se de um pequeno jardim, que de jardim tem apenas uns bocadinhos de relva e umas pedrinhas, num primeiro andar. Por baixo, temos o museu, com as suas artes (que não achei excepcionalmente interessantes). Mas bem, este espacinho era muito simpático.

Quando chegámos já tinham começado a afinar-se: apresentavam-se três jovens em trajes esvoaçantes, dos que se usam nos desertos mas com brilhantes e bordados. Talvez o efeito tenha sido demasiado espectacular para um lugar tão pequeno.

A música, essa sim, foi do melhor. Eles não tocaram propriamente um album: isto pareceu mais uma jam session, cheia de pequenos improvisos. Os sons tinham muita textura e ritmos altamente dançáveis, aliados a uma delicadeza do deserto que me inspirou muita calma.

Gostei bastante, irei ouvir mais. :)

Blame!

Blame!
Nihei Tsutomu
Manga - 66 Capítulos/10 Volumes
1998
9 em 10

Um manga curioso, para o qual vinha alimentando a curiosidade desde que vira o anime Special. Depois de muitas considerações, acabo por lhe dar uma nota quase perfeita. Pois é realmente um manga muito especial, que merece o seu estatuto de culto e que, em minha opinião, deve ser lido por todos. Por onde começar um comentário? É difícil, pois ainda agora estou digerindo tudo aquilo que li, mas tentarei.

Este é um universo tanto distópico como cyberpunk. Algo neste futuro longínquo correu extremamente mal. Este é o primeiro ponto espectacular do manga: o universo em que isto se passa. Os personagens percorrem cidades em vários níveis, com escadarias e túneis em que não se compreende o que está para cima e o que está para baixo, onde não se vê o céu nem a terra, verdadeiros labirintos, uma babel surrealista sem nexo e sem fim. Isto traz ao leitor um sentimento extremamente opressivo, ainda que muito calmo e contemplativo. Este manga quase não tem diálogo, sendo que a viagem por este mundo é feita num silêncio quase nunca interrompido: isto permite-nos aproveitar melhor o festim visual.

Efectivamente, a arte não podia ser melhor. É muito diferente do habitual, admitamos isso logo desde o início. Com um grande uso do negro, tanto temos cenários extremamente detalhados como momentos mais intimistas, rabiscos conceptuais de uma textura muito plástica. A vivacidade do ambiente é atemorizadora, criando-se uma expectativa em relação ao que estará no fim de cada escadaria, no fim de cada corredor, que normalmente se revela em quadros espectaculares, de uma beleza muito frágil e delicada. O autor deste manga, segundo consta, era um arquitecto que deixou tudo para escrever isto. A sua formação nota-se na exactidão de todas as proporções e no realismo dos edifícios e maquinaria que, apesar de não fazerem sentido, estão construídos de maneira muito próxima do real.

A história é altamente densa e muito dada a interpretações diversas. Tentei pensar um pouco sobre ela para poder fazer uma análise, mas tenho de ler mais sobre este manga porque realmente ainda não fui capaz de chegar a uma conclusão. A verdade é que cada um poderá pensar o que quiser, com todo o desenvolvimento e, sobretudo, com o final estranhamente inconclusivo. Na verdade, tudo é muito simples: Killy é um homem, supostamente humano, que procura pessoas com o gene da ligação à internet. Pelo caminho faz uma amiga, Cibo, e vai encontrando muita gente estranha, robótica, cyborg ou humana. Nenhum tem o que ele procura. Por todo o lado paira a ameaça dos safeguards, robots com a única missão de destruir os seres humanos. Por vezes encontram-se builders, robots que constroem as cidades e que, ao que parece, estão completamente descontrolados. Por vezes, há encontros com os chamados Silicon Creatures, que têm uma missão um pouco indefinida, mas que vai claramente contra o que Killy procura. É uma situação muito complexa, que se desenvolve de repente no último volume e que nos deixa a pensar.

No entanto, pareceu-me a mim que a história e os personagens existem mais em função do universo do que o contrário. No fundo, devemos ler este manga para aproveitar a viagem pelo estranho mundo de Blame!, mais do que outra coisa. Porque realmente é um passeio de suster a respiração.

Altamente recomendado, gostaria de saber as opiniões de todos sobre este manga . Talvez daqui a uns anos, quando estiver tudo assente na minha cabeça, possa formular uma análise e colocá-la aqui (se isto ainda existir) :)

A Montanha Mágica

A Montanha Mágica
Thomas Mann
1924
Romance

Este livro foi-me oferecido no Natal, com a recomendação de que o lesse nas férias. Ora, como não tenho férias este ano, achei por bem lê-lo como leio todos os outros livros: quando posso, nos transportes e na minha hora de almoço. Isto levou o seu tempo, já que o livro tem umas meras oitocentas páginas. Uma verdadeira montanha. E mágica!

Devo dizer que há muito tempo que não lia algo que me envolvesse tanto e de que, realmente, gostasse tanto.

Hans Castorp é um jovem alemão que não tem grande interesse no mundo que o rodeia. Antes de começar a trabalhar numa indústria de navios, vai passar umas férias de três semanas a um sanatório nas montanhas alpinas, onde se encontra internado o seu primo Joachim. Passam-se lentamente essas três semanas, passa-se lentamente o ano seguinte e, quando damos por nós, passaram-se sete anos.

Critica à sociedade vigente, sociedade que aprovaria a apatia representada pelo nosso personagem original, é um livro que explora em muito detalhe vários temas, como a política, a medicina e o fascínio pela morte,  a religião e por aí em diante. O tratamento destes temas acontece quando Hans Castorp conversa com os seus companheiros de sanatório, que acabam por se tornar seus amigos. 

Acredito eu que cada um dos membros deste sanatório multi-cultural é representativo de um país, sem no entanto o estereotipar. Assim, temos tanto a pedagogia italiana como o fascínio exótico russo, em conversas marcantes e extremamente educativas. Estes personagens podem ser simbólicos, mas a verdade é que têm muita densidade e muita personalidade. Têm alma e irei recordá-los sempre com carinho, pois eu própria me senti como se vivesse naquele sanatório e eles fossem os meus companheiros e amigos.

Termina numa constatação pacifista, apesar de negativa, critica da guerra (a única coisa que nos poderá livrar do tédio generalizado)

Um livro que amei de paixão e que não deixarei de recomendar.

fica a curiosidade de que a primeira vez que li Thomas Mann foi aos quinze anos. Nessa altura (o livro era "José e seus Irmãos") achei chatérrimo e horrível, odiei. Realmente há idades para se lerem os livros. :p

22.7.14

Perfect Blue

Perfect Blue
Satoshi Kon - Madhouse Studios
Anime - Filme
1998
7 em 10

Este filme aparece sempre no top dos recomendados para o grupo plebeu que se inicia ao anime. Portanto, o Zi tinha bastante vontade de o ver. E como nunca me importo de rever este filme, fui vê-lo pela quinquilhionésima vez! Ok, talvez não tanto, talvez tenha sido apenas a sétima ou isso. Não sei. Queria escrever daqueles comentários longos, cheios de análise, algo que um anime deste calibre merecesse, sem sequer lhe dar uma classificação... Mas parece-me tarefa impossível. Pois, na realidade, não se trata de um filme cheio de simbolismos e interpretações diversas. É bastante directo. Mas vejamos:

Mami é uma pop-idol (aidoru), que pertence ao grupo CHAM! No entanto, a indústria move-se e ela tem de se mover também, pelo que decide, juntamente com os seus agentes e managers, tornar-se actriz. A partir desse momento, e à medida que se vai separando cada vez mais da personalidade de aidoru, começa a ser perseguida por um doido que não fica por meias medidas: qualquer coisa que interfira com a imagem predefinida que ele tem será eliminada. Nem que para isso tenha de cometer crimes, bastante hediondos por sinal.

No entanto, não estamos apenas a ver um policial, não queremos saber apenas quem é o criminoso. Mami entra numa espiral de depressão e paranóia, em que a mania da perseguição se eleva ao ponto da dúvida: serei eu? Qual destas realidades é a verdadeira?

Isto é conseguido com uma mestria absoluta na realização. A verdade é que, apesar da história simples, o filme está muito bem feito. Nunca temos a certeza de quais as cenas que são realidade, quais a que são fantasia e quais as que são falsas. Nunca sabemos que memórias de Mami são as reais ou qual delas não passam de novela. Existe uma divisão clara entre as cenas, com repetição de conceitos, sempre insistindo no facto de a personagem estar a ser perseguida por uma entidade desconhecida, que pode até ser ela própria. Existem cenas muito fortes e emocionalmente violentas, nas quais não é claro o que acontece realmente, deixando-nos a duvidar, contribuindo apenas para a ansiedade do espectador.

Também a música ajuda na manutenção do pânico. Falo de pânico porque esse é o sentimento real dado por todo o filme. Em termos musicais temos momentos de tensão muito bem orquestrados, misturados com o melhor do pop dos 90s, recriando situações bizarras, quase surreais, que apenas contribuem para segurar a nossa respiração.

Só a podemos largar no final que, depois de uma revelação muito inesperada, acaba num tom positivo. E isto é, parafraseando o Zi, "um alívio".

Este é um filme que recomendo a todos. Tem muitas influências do cinema americano, pelo que é bastante acessível a todos aqueles que não têm qualquer experiência no visionamento de animação nipónica. Qualitativamente, e objectivamente, tem as suas falhas, mas a maneira com está feito é por demais excelente. Assim, fica a recomendação expressa de que vejam este filme imediatamente. Ou que o revejam em boa companhia!

17.7.14

Petshop of Horrors

Petshop of Horrors
Akino Matsuri
Manga - 41 Capítulos / 10 Volumes
1995
6 em 10

Tinha extrema curiosidade em ler este manga desde que vi o curto OVA de quatro episódios.

Existe uma loja na Chinatown que vende toda a espécie de animais estranhos. Em cada um dos pequenos contos deste manga, conhecemos um dos animais - com uma caracterização muito humana - e qual a consequência de os ter.

Cada história e animal tem um tema: cada animal representa os problemas que os personagens das histórias têm (de crianças mimadas a pessoas que querem emagrecer) e a forma como são capazes de os resolver. Ou não. Isto é um conceito muito interessante, o de antropomorfizar animais para falar de problemas humanos, mas a realização de cada história fica aquém das expectativas. Todas elas parecem demasiado curtas, com muitas pontas soltas que poderiam ser exploradas, e muitas vezes com consequências que aparentam ser forçadas apenas para o término da história. Cada animal tem um conjunto de regras, escritas num contrato, que rapidamente são esquecidas à medida que os capítulos avançam.

Para além disso, os elementos de comédia aparecem de maneira muito pouco adequada, cortando com o ritmo da narrativa e acrescentando muito pouco.

Existem poucos personagens recorrentes, que são extremamente simples. O detective parece apenas funcionar como mecanismo para avanço da narrativa e Chris, o seu irmão, tem uma história um pouco estranha e demasiado prolongada, que poderia ter sido concluída de forma muito mais simples. No entanto, o personagem principal - Count D - é extremamente interessante. Como nos é explicado nos capítulos finais, há mais nele do que uma aura de surrealismo e mistério. Achei fascinante este personagem, sobretudo a forma como fala com os animais. Tanto mais que o vou adicionar à minha lista de projectos de cosplay, conforme podem consultar no meu Cosplay Portfolio. :)

Em termos artísticos, temos tanto momentos muito bons como momentos muito confusos. Existem várias sequências de sonho que, embora tenham uma aura muito própria, são bastante estranhas no que respeita ao uso de perspectivas. Existem muitos brilhos, que funcionam. O design antropomórfico dos animais por vezes (muitas vezes) é pouco claro e é impossível perceber de que animal se trata sem consultar o "catálogo" que vem no final de cada volume.

Um manga que vale a pena pelo personagem principal e pelas suas roupas. De resto, muito pouco a considerar.

16.7.14

Mahou Shoujo Lyrical Nanoha StrikerS

Mahou Shoujo Lyrical Nanoha StrikerS
Keizou Kusakawa - Seven Arcs
Anime - 26 Episódios
2007
6 em 10
 
Não gostei da Primeira Season.  Não gostei da Segunda Season. Mas tinha de completar o ciclo e ver a última. Sobretudo porque já a tinha no computador (vieram as três seasons juntas no mesmo torrent)

Esta história agradou-me um pouco mais. Passa-se muitos anos depois. As personagens do passado agora sãomeninas mágicas a full-time (estranha profissão). Devem unir-se para lutar contra o mal, guiando e indicando o caminho a novos miúdos, novos personagens.

A primeira parte passa-se sobretudo a apresentar os novos personagens, a sua vida e os seus poderes. Isto tudo recheado com muitas cenas de acção, indicativas dos seus treinos, que não me pareceram extremamente necessárias para o desenvolvimento da história. Depois, todos juntos, têm de salvar umas moças que foram corrompidas para o lado do mal.

A história é extremamente simples e os personagens não têm nada que se lhes diga. As suas relações são um perfeito lugar comum, tudo pelo amor e pelo companheirismo, as histórias passadas não passam de coisas que vemos repetidamente em todos os animes do género. Sim, do género. Porque isto pode tratar de meninas mágicas, mas é claramente um anime para jovens rapazes.

Compensa com uma boa animação nas copiosas cenas de lutas (várias, em todos os episódios), com designs e coreografias inteligentes e boas atitudes dos personagens em relação às batalhas. A arte nestas alturas está bastante acima da média, fazendo para isso uso de características típicas das meninas mágicas. Isto é, é uma mistura do shounen de batalha clássico com o brilho e as cores do mahou shoujo. Isto dá um certo charme à coisa, que poderia ter sido melhor conseguido se houvesse uma boa história por trás disto tudo.

Não achei nada de especial da música, tudo muito típico e muito visto.

Estou feliz por ter terminado a saga. Não é para repetir.

O Lobo de Wall Street

O Lobo de Wall Street
Martin Scorcese
2013
Filme
8 em 10

Admito: eu não queria ver este filme. Dura três horas, eu queria dormir cedo para poder acordar cedo, abobrinhaabobrinhaabobrinha ok. Vamos ver o filme. E ainda bem!

Jordanl Belfat é um homem. É mesmo, porque a história é real. Mas bem, ele é um homem que desde sempre desejou uma coisa: ser rico. Para sua sorte, tem um enorme talento para vender coisas. Assim, arrisca-se no universo do mercado de acções. Quando é obrigado a recomeçar do zero... Começa a festa. Literalmente!

Com um humor retorcido, muita ironia e imensa gente nua à mistura, entramos num universo de drogas, sexo e rock and roll. A imagem que temos deste mundo de gente rica é a de um ambiente de constante trip. É difícil distinguir o que é real do que é apenas a imaginação de uma mente atolada em químicos. O que quer que seja, eu quero o que eles estão a tomar!

Isto não seria possível sem um trabalho de actor absolutamente fantástico. Já sabíamos que o DiCaprio era muito mais do que o Titanic. Mas desta vez, foi um esmero. Em muitos momentos, parecia que se libertava da personagem e que o actor se estava simplesmente a divertir (como a cena do fio do telefone). Outras vezes, sobretudo durante os inflamados e longos discursos, transmitia uma segurança quase sarcástica, tendo em conta o teor do personagem.

Apesar de ser um filme longo, passou num instante. Tive pena que acabasse, queria ainda mais.

Black Mirror

Black Mirror
Charlie Brooker
Série - 3 Episódios + 3 Episódios
2011


Se há coisa que nunca houve neste blog... Foi uma série. Uma série daquelas estranhas, daquelas... Com pessoas. Para ser sincera, nunca gostei muito do formato. Normalmente as séries com pessoas são demasiado longas, repetitivas e engonhantes. A maioria são verdadeiras novelas, faladas em inglês. Por isso, nunca me desviei do meu caminho animesco para as ver. Ora, estamos nós no Porto e é-me sugerido ver esta série ao longo dos dias, dado que é extremamente curta. Agora, posso dizer que acho que me converti. Quero ver mais. Pelo menos coisas assim tão boas. Como, para além do Serviço de Urgência, das Marés Vivas e de uma série australiana sobre cantores pop isto foi a única série que vi, não lhe dou uma classificação. Não me considero ainda suficientemente conhecedora para classificar. Passemos, então, ao comentário.

Em seis episódios longos, são-nos contadas seis histórias diferentes, com pessoas diferentes e em mundos diferentes. O que há em comum entre eles? Todos contam situações que podem, realmente, acontecer. Se não tomarmos cuidado com a nossa tecnologia, com a nossa dependência das redes sociais, com a nossa sede por informação, qualquer uma das situações se pode tornar real. Isso é perturbador e aterrorizante. Como são apenas seis episódios, divididos entre duas seasons, falarei deles um a um.

The National Anthem - Uma princesa inglesa é raptada. As condições para que seja devolvida são simples: o Primeiro Ministro tem de fazer sexo com um porco. Este episódio é uma crítica ao terrorismo social que não tem uma causa, que deseja apenas fazer o caos pelo simples prazer de observar o caos. Isto é cada vez mais comum, afectando pessoas individuais em pequenas doses, mas quem sabe quando chegará o dia em que atingirá uma pessoa que todos conhecem? Chamam "cyber-bullying", mas é muito mais sério do que isso e nem todos os visados "merecem"

Fifteen Million Merits - Neste universo, toda a gente pedala. Não sabemos porquê, mas toda a gente pedala. E são entretidos: pornografia, concursos de talentos, jogos de computador, um avatar costumizável. A única maneira de deixar de pedalar é aparecer num destes programas de entretenimento. Por isso, todos participam no concurso de talentos. Depois de um desapontamento, um homem decide revoltar-se contra o concurso... Mas consegue? Também assim é o nossos sistema. Trabalhamos para ter dinheiro, para comprar coisas, muitas delas que nem sequer existem. Todos sonhamos em ser escolhidos num concurso, para termos mais dinheiro, para podermos comprar mais coisas. Mas é isso a liberdade? Será possível lutar contra o sistema, quando o sistema nos obriga a fazer parte dele?

The Entire History of You - Este foi o episódio de que gostei menos. Criticando o vício corrente de gravar todas as informações da nossa vida em fotografias e vídeo, nesta história todas as pessoas têm um aparelho implantado atrás da orelha que grava todos os momentos da da vida. Sim, mesmo todos. Esta história é um pouco noveleira, o que talvez também sirva como crítica, falando de um homem que descobre a traição da mulher e da sua paranóia.

Be Right Back - O que gostei menos a seguir. Um tipo viciado em redes sociais morre e a mulher dele arranja uma app que reproduz o seu discurso. Depois arranja uma app com voz e depois arranja um boneco igual a ele. Aqui falamos de como não devemos revelar tudo na internet, mas também como a nossa "internet persona" pode ser tão diferente do eu real.

 White Bear - Foi o episódio que me chocou e impressionou mais. Uma mulher acorda sem memórias num universo em que todas as pessoas a estão a gravar com os seus telemóveis. De repente, vê-se perseguida por malucos com armas, que a querem torturar e matar. Tem de fugir até White Bear, para que isto pare. Mas a revelação final... Bem, não a vou contar. Mas achei uma injustiça tão grande, o causar de tanto sofrimento por razões que poderiam perfeitamente ser vistas de outra forma. Até agora continuo a pensar neste episódio. Foi daqueles que eu gostava que tivesse continuado, a ver se estas pessoas eram chamadas à razão...

The Waldo Moment - Waldo é um urso azul que goza com políticos. Quando o comediante por detrás dele se passa em directo, cria-se um movimento para tornar Waldo presidente. O homem-waldo luta para impedir o inevitável, que é a possessão do boneco - que, com mais conhecimento das causas ou, simplesmente, uma causa para apoiar - pelos meios publicitários, transformando aquilo que poderia ser revolucionário em mais um truque capitalista. Confesso que este episódio me deu pesadelos, porque somos pessoas realmente estúpidas para que uma coisa destas pudesse acontecer.


Para além disto, falo também do trabalho dos actores, que é excelente. As emoções são transmitidas com muita exactidão e realismo, levando-nos a acreditar que estas situações existem em algum sítio, espaço, ou tempo. Ou que poderão vir a existir, o que é o mais provável.

Só não gostei que houvesse tantas cenas de sexo...

De resto, uma série que me marcou. Aceito sugestões de mais cositas buenas como esta. :>
 


Central Comics Fest 2014

Central Comics Fest
Evento

 

Assim nos encontramos. Podres, mortos, essencialmente a necessitar de férias. Portanto, aqui a vossa locutora consegue - por portas e travessas - obter dois dias de férias. Woohoo! Por isso, vamos aproveitar que há um evento de anime e vamos ao PORTO!!!

Assim começo este relato, que não será só do evento mas sim da aventura dos Dois Cabeleiras do Apó-Calipso na cidade invicta, ou algo assim. São eles, os dos cabelos maviosos: eu (doravante conhecida por eu) e o namoradim (doravante conhecido como Zi). Vamos começar a viagem? 

Quem apenas quiser saber o que se passou no evento de anime, que salte para Sábado (Ctrl+F Sábado). ;)

Quinta Feira: Viagem para Terras Distantes e Ambientação

Na verdade, tudo começou antes, como a marcação da viagem e do hostel. Como fomos em modo altas poupanças, decidi comprar os bilhetes com cinco dias de antecedência, para obter o fantástico desconto de 40% da CP. No entanto, houve problemas, pois o bilhete que eu queria esgotou-se nos momentos em que eu não consegui lidar com o site da CP. Mas enfim, às onze e meia de quinta feira estamos a bordo de um InterCidades, carregados de tralha. Tralha essa: malas, a minha com mais cosplays do que roupa, uma espada e a boneca (doravante conhecida como A Gaja). Ora, a Gaja é enorme, tem um metro de altura. Além de ser horrorosa, claro. Chamo-lhe assim porque ela não tem nome e não é minha, portanto não tenho direitos para lhe dar um nome.

Chegamos, carregando todos esses objectos volumosos, para não encontrar no hostel. Estava bem escondido, mas revelou-se bastante agradável. Para começar, era baratíssimo. Depois, tínhamos um quarto com uma cama aceitável só para nós, sem ter de o partilhar com outros malucos, jovens, turistas ou seres desse género. Tinha cozinha e pratos e talheres. Estes eram um pouco badalhocos, mas eu acho que é porque os outros residentes, os estrangeiros, não devem saber como é que se lava um prato. Tinhamos sempre de lavar a loiça antes de a usar, porque mesmo quando já estava a secar no lavatório ainda tinha manchas e gordura e coisas. Ew. O quarto tinha casa de banho, mas poderiam ter colocado sabonete para lavar as mãos. Teria sido bom. Finalmente, havia um espaço exterior com mesas, cadeiras e estendais, onde podíamos estar a esfumar-nos, a tomar o pequeno almoço ou a beber sângria, mesmo à porta da nossa janela. Hostel para voltar, porque se estava lá mesmo bem!

Pousamos objectos. Lanchamos, havia fomes (eu tinha levado uma salada de feijão frade e atum para comer no comboio, mas já era hora de ter fome). E vamos turistar um pouco!

Primeira paragem: Casa da Música. É realmente um edifício estranho, parece uma casa de pernas para o ar. Entrámos e não havia nada para ver, para além de uma loja de souvenires (que até tinha umas t-shirts engraçadas). Pensávamos que tinha exposições ou algo do género, mas aparentemente é apenas um lugar onde dão concertos, à moda de Coliseu ou outro espaço do mesmo tipo. Por dentro, a arquitectura é certamente original e bizarra, mas não nos deixaram ver mais nada, insistindo que tínhamos de ir com guia, que não estava disponível àquela hora. Pelo menos para nós, pois estava lá um grupo de estrangeiros com o guia. Note-se que a Casa da Música deve ter sido feita tendo em mente a comunidade skater, pois estavam lá imensos. Parecia o Terreiro do Paço, mas com menos freaks a fumá-las.

 Estranho por fora

 Estranho por dentro

Depois, vimos um Parque Redondo, cujo nome não recordo (mouzinho?), e que tinha uma estátua no meio com um leão em cima de uma águia. Isto é, temos no Porto uma estátua que revela a primazia e superioridade do Sporting sobre o Benfica, o que é altamente simbólico. Sim, eu sei que a estátua é a homenagear os combatentes da grande guerra, mas a minha versão futebolística é muito mais gira!

 Havia lá uma espécie de parque de diversões, onde estava o Chiquinho, na foto acima

 
É pra glorificar di pé!

Consultando o guia da American Express que roubei à minha irmã, decidimos ir ao Jardim Botânico. Dizia que fechava às oito, portanto ainda teríamos tempo. Andámos até ao infinito, passando por vários locais que vinham apontados no guia. Achei curioso o Mercado do Bom Sucesso: no guia dizia que era um lugar para comprar vegetais e fruta fresca, mas visto de fora parecia tudo menos um mercado. Parecia sim um lugar para comprar vegetais e fruta com assinatura de chefs michelin. Esta era uma zona com muitos hotéis de muitas estrelas e grandes casas. Também zona de faculdades. Até encontrámos um sítio cheio de estudantes! Estranhávamos nunca mais chegar ao jardim, até que perguntámos a dois freaks que estavam a arranjar uma bicicleta e eles nos disseram que era mesmo ali, mas que fechava às cinco. Era verdade. Por isso, entrámos por um jardim adentro, que aparentava ser de uma faculdade, e estivemos sentados na relva até ao momento em que um bicho enorme me caiu em cima. 

Regressei com a única parte da perna que estava à mostra (o espacinho entre a legge e a meia) picado até mais não.

Por sorte havia um Minipreço mesmo ao pé do Hostel. Comprámos alimento (esparguete à bolonhesa de pacote) e terminámos a noite vendo uma série fascinante, sobre a qual escreverei em outra ocasião.

Sexta-Feira: Tarde Muito Bem Passada

Acordo eu, em pânico, pensando "são três da tarde! Não vamos passear! A culpa é do Zi!". A luz entrava pela janela como uma cascata brilhante e insuportável, um calor tremendo. Fui ver o relógio: oito e meia. Coitadinho do Zi, afinal tinha razão em dormir...

Tinha escolhido este dia para ver a zona verde do guia, que era a dos Aliados e Clérigos. Mas não vimos a Torre dos Clérigos. Afinal de contas, é apenas uma coisa bicuda. Gosto mais de coisas redondas ou espalmadas. Fica para a próxima.

Começamos subindo e descendo ruas, observando uma série de edifícios muito interessantes. É que no Porto é tudo antigo e, sobretudo, é tudo cinzento. O resultado é algo de muito pitoresco, como uma cidade de feiticeiros.

 Observe-se por exemplo este senhor com seis pernas e quatro braços

A primeira paragem é a Livraria Lello. Não deixam tirar fotografias (o Zi sabia que iria conseguir, mas não tirou), o que é uma pena porque a coisa é linda de morrer. Para começar, são livros até ao tecto. Os mais próximos do tecto não estão à venda, é só colecção de coisas antigas, mas o efeito é espectacular. No entro há uma escadaria enorme e estranha, toda ondulante, vermelha. Os degraus não são muito ergonómicos, ia dando um trambolhão, mas é uma sensação cintilante subir aquela escada. Chegados lá acima não havia assim tantas coisas para ver... Aliás, os livros da livraria eram muito estranhos. Tinham muitos, até demasiados, livros velhos e em mau estado, a preços que não eram nada simpáticos. Os livros normais tinham preços normais e havia uma quantidade espectacular de guias turísticos. Comprei como souvenir desta viagem um livro do Saramago, chamado "Pequenas Memórias". Porque foi uma viagem para fazer pequenas memórias. :)

Os Dois Cabeleiras do Após-Calipso encontram-se perdidos por ruas e travessas, confundindo um hospital de arquitectura acastanhada com um museu, andando em sentidos opostos e perguntando a velhotes o caminho correcto. A verdade é que toda a gente nesta cidade é extremamente simpática... Mas há quem não concorde, como veremos a seguir! Ouçamos um som recorrente enquanto os Cabeleiras encontram o caminho certo:





Dançando e cantando como os Pingus que somos, entramos no Palácio de Cristal. Explorámo-lo convenientemente e é perfeitamente lindíssimo. Os jardins são enormes, com muitas coisas diferentes para ver, com estátuas e desenhos clássicos por todo o lado. Sentámos num banco de pedra a ver a vista através de umas árvores e a ouvir som e estava-se mesmo muito, muito, muito bem. Aliás, tão bem se estava que havia gente a dormir encostado aos muros, gente a apanhar sol e gente a apanhar sombra por todo o jardim. Até chungaria havia, mas era chungaria pacífica (aparentemente). Havia animais de jardim e eu raptei um pavão bebé. Arrependi-me logo a seguir, espero que ele tenha encontrado o caminho de volta. ;__; Isto é, eu só agarrei nele para ver se era fofinho ou não, depois pu-lo ao pé dos manos, mas ele pareceu um bocado baralhado sem saber onde estava. Será essa a sensação de se ser abduzido por um ser que está num plano superior? ;__;



Começando a entardecer, vamos para o Marquês (não o de Pombal), onde está um jardinzinho com um coreto. Lá, vamos encontrar a Ana, uma amiga do tempo da faculdade (que foi há bué, ya) que está a estudar música antiga no Porto. Ela vai levar-nos a um tasco onde o pessoal da música se reúne e onde há francesinhas vegetarianas. Sim. É verdade.

Pela primeira vez na minha vida vou comer uma francesinha
Não há foto.
Foi um momento de prazer extremamente privado.

E digo-vos: é simplesmente maravilhoso. Soube-me a divino. Há secularidades que não comia algo tão bom. Ainda me apetece comer outra. Que peça de culinária absolutamente encantadora! Um pouco picante, mas passou rápido. Fiquei fã! E quem diz que é uma imitação de um croque monsieur não percebe nada de comida e de sabores!!

Sábado: Central Comics Fest

Acordar. Acordar cedo. Acordar cedo a um Sábado. Quando se está de férias. A tortura. O horror. 

Mas conseguimos.

Empacoto dois terços do conteúdo da minha mala num saco do ikea e preparamo-nos para transportar a Gaja. São poucas estações de metro e um bocadinho a pé, mas ainda assim a Gaja é uma mal-jeitosa. Falando no metro, já alguma vez comentei o quão estranho acho o metro do Porto? Acho estranhíssimo haver uma série de linhas que vão todas para os mesmos sítios. É certo que assim há mais metros, mas parece-me um pouco, digamos... Redundante? E parece ser tão fácil entrar sem pagar, em nenhuma viagem vi um pica e aquilo não tem cancelas, é tudo à la gardere! Mas não se preocupem, eu sou uma pessoa cumpridora e obriguei o Zi a ser cumpridor também, portanto lá pagámos um euro e vinte por viagem sem gritar muito. Sugestão para o futuro: fazerem os passes para turistas, como há nos outros países. O passe 24 não compensa, mas um passe com 10 viagens já tornava tudo mais fácil.

No dia anterior, tinha recebido confirmação de que a minha inscrição para o Eurocosplay tinha sido recebida e que eu não pagava. Mas o meu sidekick (gostei do nome) teria de pagar entrada, que seria muito barata. Por isso, espantei-me por ser quatro euros. Quatro euros é barato, mas não é muito barato. Até é um preço bastante normal para evento...

Pousamos tudo no backstage e damos uma pequena volta. Este ano o espaço era bem menor: apenas o corredor central e o auditório pequeno estavam disponíveis. Para mais, os corredores de ligação estavam fechados com gradeamento, pelo que para ir à casa de banho tinha de se dar uma volta que nem todas as bexigas aguentam. Graçadeuz eu podia ir à do backstage. De ambos os lados estavam lojas, stands profissionais, que não variavam muito dos outros anos. Como compra, obtive apenas um phone-strap, com uma Sailor Júpiter (personagem que, como sabem, mantenho uma certa ligação). Fiquei com pena de não haver bancas de artistas (que são bons artistas) e acho que podiam ter remetido as cartas àquele cantinho habitual, que estava tornado num espaço de vácuo com pessoas sentadas. Como tinha visto no programa que as coisas interessantes só iam começar pelas três da tarde, fomos dar um passeio.


A Zona Ribeirinha é bem bonitinha, com seu rio e suas pontes. Ficámos a apanhar sol debaixo da ponte maior, até que vimos um grupo de estrangeiros a atirar-se de lá de cima para dentro de água, todos contentes. Os restaurantes, onde até já comi, são bastante turísticos e os feirantes e músicos de rua também. Não estou no direito de criticar, pois nós também temos a mesma treta no Chiado e na Baixa e pela cidade inteira. Entrámos numa casa com Ruínas, que a minha mãe depois disse ser a alfândega do antigamente.

 Barquinho e pontinha chap-chap rio :)

Tomámos café na esplanada do Hard Club, onde me cobraram um preço absolutamente abusivo. Em revolta, coloquei o meu cosplay, deixei a Gaja toda preparada para entrar em palco (isto é, vestida com outro cosplay) e fui ter com o Zi para bebermos umas jolas. A jola, a dita, era vendida dentro do recinto a dois euros o copo maior, fresquinha, deliciosa. Digamos que com o cosplay de Utena, manga comprida com forro, estava morrendo de calor, suando em fio, derretendo e desfazendo-me, falecendo, enfim. 

Duas jolas depois chegaram as três e meia, hora em que deveríamos estar no backstage para fazer a avaliação. No ano passado fizeram-na depois do concurso, em que já estava toda a gente exausta e sem paciência para conversar, pelo que este ano fizeram ao contrário. É assim que costuma ser e, em minha opinião, é a melhor opção. Mas... A demora! Eu acho que o júri faz muito bem em ver tudo linha por linha, a ver como foi feito e como está, mas éramos tantos... Não costumamos ser tantos! Éramos tantos que o concurso propriamente dito atrasou imenso! A júri das costuras ainda não tinha falado comigo quando nos pediram para começar. Falaria comigo depois. Entretanto, já o outro rapaz jurado tinha gozado com os meus calções da SportZone (eu explico o porquê no Cosplay Portfolio, que será actualizado com este evento a seu tempo ;)). Em compensação, o júri francês pareceu gostar imenso da minha espada! =D Fiquei bem contente. ^____^ E das minhas jóias também. =D Acabei por não falar com a moça das costuras, porque quando acabou a performance tirei logo o fato. Estava mesmo morta de calor. Depois disse-lhe "está tudo igual ao do ano passado, incluindo os defeitos, os acabamentos estão horríveis, não é preciso ver porque não vou ganhar nem que nasçam crocodilos com penas". Não exactamente por estas palavras, mas esse é o meu verdadeiro sentimento. E realmente... Ganhar... Se eu fosse a estas cenas para ganhar, saia de lá sempre a chorar! Vou para fazer scenas! :3

E então, qual foi a scena que fiz? Desta vez decidi explorar um pouco da sexualidade da Utena, pegando no tema do transformismo. Usei uma música do Chico Buarque, cantada por uma nova amiga, Carolina Bermejo, com uma edição por trás... Usei a Gaja como prop e representação de... Bem, é melhor actualizar mesmo o Portfolio com as explicações. Parece-me que esta performance foi bem recebida, as pessoas estavam concentradas e palminhas se seguiram. Disseram-me depois, várias pessoas, que gostaram muito, que estava a dizer poesia. Eu não, o Chico estava ;)

Só soube mais tarde a classificação final. Ficou em primeiro lugar a Dark Lady de Sailor Moon, que era exactamente o que eu esperava (parabéns! =D) e em segundo a Alice de Pandora Hearts, que tinha um prop bem giro. Não creio que houvesse fato pior que o meu, portanto estão todos de parabéns! :3

Mais tarde fui dar uma palavrinha aos jurados, mais para pedir desculpa por me ter desequipado sem a revisão final, e contaram-me os apontamentos que tinham feito sobre o meu sukito. Aparentemente foi apreciado, o que me deixa feliz, mas mesmo assim requer explicações, que não tive tempo de dar. Mas para isso serve a net, e já as darei (em breve, quando tive o vagar) :3

Ora bem, isto de participar nos concursos é loko e tal, mas acabamos por não ver nada do evento. Ainda bem que eu tenho um Zi para ser os meus olhos em outros lugares! Segundo o que ele contou, viu três Curtas-Metragens, que eram bem giras. Acho isto das curtas metragens uma adição muito interessante a um evento de cultura pop, portanto espero que voltem a repetir e que dessa vez eu consiga ver. :) Depois disso, houve um Quizz, que o Zi classificou como demasiado fácil. E depois fomos nós.

Gostava de ver os sukitos de toda a gente para fazer os meus comentários fedorentos, mas não sei se será possível.

Estávamos com uma certa pressa de voltar, não fosse o Minipreço fechar, mas ainda tivémos tempo de tirar umas pouquinhas fotos. Seguem-se elas!



 "Tira foto à miúda do basket!"




 "Tira aí foto ao Aladino!"






Terminou-se a noite com o jogo do Mundial, Brasil x Holanda, e um filme. Vimos o jogo na companhia de um brasileiro com um sotaque cerrado e difícil de compreender, mas foi divertido. Pena que perderam, isso é triste... Ah! Já falei sobre a senhora do hostel? É que o brasileiro e ela estavam a ter um debate quando chegámos à sala comum. A senhora era absolutamente hilariante. Uma velhota com o sotaque característico, sempre contando histórias e dizendo coisas engraçadas. Por exemplo, discutindo com um grupo de estrangeiros: "Vão ficar mais noites? Mais nights? Mai naites?" E assim por diante. :p

Domingo: Bai-Bai

Mais uma vez, custa a acordar de manhã. Mas tem mesmo de ser! Porque fiquei mais dez minutos a ronhar e a rebolar na cama sem me levantar, tivemos de dar uma corrida olímpica (carregados com as malas e a Gaja) para conseguir apanhar o comboio! Desta vez foi alfa-pendular. 

Adormeci logo e assim me mantive durante metade da viagem. 

Depois cheguei a casa e escrevi esta missiva.


Até para o ano Porto... Ou ainda antes disso! Porque vai mesmo haver Comic Con em Dezembro! É o que dizem... E eu acredito! Ansiosa por voltar, foram umas férias mesmo buenas! =D


Deixo-vos com outra música recorrente, desta feita uma música extremamente bonita e simbólica. Hasta!


8.7.14

Yowamushi Pedal

Yowamushi Pedal
Nabeshima Osamu - TMS Entertainment
Anime - 38 Episódios
2013
5 em 10

Ah pois. Faltava este. Ainda faltava acabar este e agora já posso atirar-me de cabeça à próxima season (que parece bem mais interessante do que esta que acabou). A verdade é que esta série me passou tão ao lado que em muitas semanas me esquecia de ver o episódio.

Vamos esclarecer: eu gosto de animes de desporto. Gosto da fantasia toda que há nos animes de desporto, o ultrapassar das barreiras físicas e psicológicas, a evolução e o trabalho de equipa. Mas não sei o que se passou com este anime... Simplesmente não consegui "entrar" nele. Talvez seja porque o ciclismo é um desporto chatíssimo. Aliás, para mim quase todos os desportos são chatíssimos, mas em anime ficam divertidos. Yowamushi Pedal não consegiu tornar o ciclismo divertido. 

Observamos, então, um treino muito agressivo (qualquer coisa como pedalar 1000 quilómetros) e uma corrida com duas etapas. Na corrida encontramos outras equipas - desconhecia totalmente que o ciclismo fosse um desporto em equipa - mais fortes e mais fracas, oponentes e rivais. Talvez a narrativa não funcione bem pela natureza do próprio desporto. Em animes normais, vemos jogos e cada jogo dura o quê... Três a cinco episódios? Aqui temos uma dúzia de episódios para uma etapa de uma corrida. É simplesmente demasiado longo e não há assim tantas coisas a passar-se num bicicletamento que consigam tornar isto fascinante.

Em termos de personagens, isto tudo começa com um jovem ota-cu que bicicleta pela montanha acima a cantar a música das princesas. É captado para uma equipa e participa na corrida, onde encontra companheiros e rivais, cada um com o seu estilo único. Aqui, o anime é típico: cada um tem as suas poses, as suas expressões faciais e o seu "super-poder", isto é, a sua técnica que irá vencer (pelo menos durante aquele ameaçador episódio) Não sei se estas técnicas são realistas ou não, mas - sinceramente - não me parece que seja especialmente eficiente balançar de um lado para o outro da bicicleta ou arrancar os elásticos dos calções.

Algo de bom: a arte. Apesar de não conseguir manter a minha atenção nas corridas, tem alguns momentos de tensão que, não sendo conseguidos pelo diálogo, são conseguidos por imagens interessantes de biceclamento, poses movimentadas que despoletam interesse.

A música pouco tem de especial. Nos momentos de emoção há efeitos sonoros a acompanhar que os ilustram. Aberturas agradáveis, mas finais com pouco que se lhes digam.

No geral, um anime desapontante, que me fez perder um pouco a fé no género.

Mangaki, Funny Time!

Mangaki, Funny Time!
Evento
Há quanto tempo não ia eu a um evento da categoria dos pequerruchos, daqueles em que vou sozinha sem perspectivas de encontrar ninguém conhecido? Nem recordo, foi há uma imensidão temporal! Por isso, quando me convidaram para este evento... E vi que tinha concursinho de cosplay... Nem hesitei! Bora lá!

Sendo a noite de Sexta feira um pavor cefaleico, acordei com umas dores cerebrais bastante agudas. A realidade é que não tinha vontade nenhuma de sair da cama. E ainda fiquei uma horita (ou mais? ou menos?) a rebolar na cama tentando decidir se ia ou não ia ao evento... Mas lá me decidi "eu quero ir, portanto eu vou!" O processo de me vestir com o cosplay, tomar banho, arrumar a sacola dos eventos, almoçar (não necessariamente por esta ordem) foi uma confusão... Deixava cair tudo, tropeçava em mim própria, uma baralhação. Até duvidava que conseguisse chegar ao local do evento sem me enfiar no meio de um complicado acidente rodoviário envolvendo um camião de transporte de bovinos.

Mas, graças ao sanhor e à Maria Atum (o GPS) consegui chegar lá sã e salva.

Ora, a Maria Atum indicou-me a rua e eu estacionei um pouco mais à frente. Quando chego à rua indicada, nada vejo que se pareça com o local do evento, o Centro de Cultura e Intervenção Feminista. Entro num café para beber um café e perguntar onde estou. E assim que agarro na chávena, aparece-me um jovenzito que me pergunta se vou para o Mangaki. Ora, claro que vou! =D Porque razão estaria assim vestida, apesar de sem peruca? Explicou-me o rapazito que se ia encontrar no Pingo Doce com uns amigos pelo que, em troca por um cigarro mal enrolado, me foi permitido colar-me a ele e descobrir onde era o local.

O local.

Surpreendentemente agradável. À entrada, de preço bem simpático, carimbaram-me a mão e venderam-me uma rifa para ganhar um cabaz. Adoro rifas! Queriam carimbar-me a testa, mas aleguei que isso perturbaria a imensurável beleza do meu cosplay, pelo que se ficaram pelo meu autopódio dianteiro. Ao longo de uma passadeira de madeira, ladeada de seu lado direito por uma zona ajardinada muito refrescante, estavam as poucas bancas, que vendiam coisas curiosas, de vitrais a manga e DVDs em segunda mão. Confesso desde já que neste evento não fiz as minhas compras habituais (phone strap e desenho). Fiquei-me pelas rifas, em que - como sempre - nada me saiu. Gostaria que me tivesse saído a rifa dos vitrais, porque assim escolheria um vitral com um Chikorita e oferece-lo-ia ao meu amigo Chico. :) Por dentro, temos uma pequena biblioteca de assuntos feministas, com sofás e um ecrã. Estavam a passar o primeiro episódio de Sailor Moon, mas recusei-me a ver porque já o apanhei depois de começar. Assim, prefiro ver todo em casa (ainda não vi, esperem por mim!). Casas de banho sem distinção de géneros, como convém a um grupo pela igualidade de direitos, e uma zona de bar com café a CINQUENTA CÊNTIMOS (atentem) e um Maid Café. Este, tinha para oferta um sortido de bolos básicos que, apesar de nada terem de complexo, me pareceram deliciosos. Prometi que lá voltava quando me desse a fome, mas ela nunca se deu.

 Cá fora

 Lá Dentro

Maid Café (tá uma meido lá atrás, observem-na)

Numa tonalidade algo crítica, que gostaria de evitar nesta missiva (já que o evento foi tão agradável), achei que o espaço tinha... Espaço. Espaço para mais actividades. Da parte da tarde havia um espaço morto no local além biblioteca, que poderia ter sido utilizado para, por exemplo, workshops. O lado oposto desta actividade seria a divisão e fissão do público, que não era muito (mas era bom, como já veremos!)
Entretanto encontrei uma mãcheia de pessoas conhecidas, roubei um golo de Don Simon aos moços que me ajudaram a encontrar o caminho e ofertei lições de vida a uma jovem meido. Isto porque eu estava cheia de calor e decidi ir ao café buscar uma média para me refrescar. A jovem interpelou-me e eu disse-lhe para nunca abusar do álcool, para não acabar igual a mim. Ela chamou-me senpai, o que acho uma palavra muito curiosa quando dita na língua portuguesa: eu, efectivamente, tenho pai. :3

Pelas três de tarde (este relato não está muito bem por ordem cronológica, pois a minha cabeça não permite contas exactas) decorre um momento muito original e interessante: conversa entre voice actor (actor de voz) e cosplayer. Com muita sinceridade, humor e objectividade, cada um falou sobre os aspectos da sua actividade, explicando a trabalheira toda que dá. Gostei especialmente de ouvir que o cosplay não precisa de ser exclusivamente uma actividade individual e que, sim, é um trabalho multidisciplinar. Não gostei especialmente de ouvir que os veterinários são maldosos, mas depois falámos sobre isso e concordamos nos mesmos aspectos (há pessoas horríveis em todas as profissões...)

No final houve um jogo, em que o actor fazia a voz das poses e a cosplayer as poses das vozes, huluhululu

Passei largos tempos de inactividade. Podia ter jogado jogos de uma banca de jogos, mas estava em modo preguiça, muito lento. Assim, fiquei a contemplar as pessoas e tirando fotografias aos pouquinhos cosplayers que iam atravessando o meu campo de visão. Tiraram-me uma fotografia e, mais uma vez, a comunidade fascinou-me: que pessoas tão novas! Que não viram Dragon Ball na televisão! E que não recordam aquela altura em que a Internet fazia CSHIIIOOOOOORRRRGGGHHHH. Quando me disseram "ah, Dragon Ball, ainda não tive paciência de ver", sinto... Pena. Pena porque esta geração nunca vai interromper  uma aula para ir ver o último episódio da série na mini-televisão do bar da escola. É que, pelo menos tenho essa sensação, já não há nenhuma série a mover multidões como naquela época. Pois bem, azar o vosso, não matam aula para ver animus :>

Entretanto, vamos acompanhando os resultados do ECG. Nem me lembrava, mas surgiu logo a preocupação para com aqueles com quem partilhei palco nas últimas eliminatórias e que são sempre tão sympas para mim.

Finalmente, chega a hora do concurso! É-me revelado que, apesar de eu ter dito no feice que ia levar uma pen com a minha musiquinha (que editei com tanto carinho), o computador do responsável pelo sonoro não lê pens, pois está virado. Assim, terá de ser colocada a música no tubo.

Contarei mais sobre isto no meu Cosplay Portfolio (no dia em que me ocorrer actualizá-lo que não, não é hoje), mas para este evento, este skit e este cosplay, decidi fazer uma dança interpretativa. A música, toda a gente que viu esse último episódio no bar da escola, ou local equivalente, conhece. E sabe dançar. Porque o Bicho, que é o Bicho, vem aí para te devorar. É um crocodilo! Eu tinha dito ao amigo do som para parar a música no segundo Bicho. Mas... Talvez eu me tenha expressado mal... Ele parou antes do primeiro Bicho! Ainda assim, soltei o Bicho em silêncio! Poderão vê-lo nesta maravilhosa foto que me tiraram:

É o Bicho, é o Bicho, vou-te devorar, crocodilo eu sooooou *~*~* 

No final, parece que resultou, pois muitas palminhas decorreram (adoro palminhas!) e ganhei um segundo prémio (adoro segundos prémios!) e dois lindos pins (adoro pins!) que colocarei na prateleira dos pins, onde aguardarão a sua vez de serem colocados no blazer azul. :) Parece que não, mas fiquei mesmo muito feliz por terem gostado e terem recordado comigo este som labregamente viciante! =D
Em terceiro lugar ficou uma Sebastian cheia de estilo e em primeiro um urso que me pareceu muito fofinho e, especialmente, muito bem feitinho (o que é invejável, pois essas cabeças são maradas de fazer)

Estava eu já desperucada, prestes a ir-me embora (o caminho ainda era até ao outro lado do rio) quando anunciam que vão sortear a rifa! Céus, preciso de saber se ganhei! É muito importante! Eu era o trinta e três. E o resultado... O resultado vem aí... Vai sair... Cá para fora... FOI O TRÊS! Quase! Quase... Em rifas nunca me calha nada, nunca, nunca...

E assim me fui embora. Foi um evento muito engraçado e, sobretudo, muito simpático. Parafraseando palavras lá ouvidas, lembrou um dos eventos do antigamente, daquela época em que ninguém tinha problemas com ninguém. Por isso, os meus parabéns pelo ambiente e pelo espaço, foi muito divertido e saí de lá muito refrescada mentalmente. Foi realmente muito agradável. :>

E terminarei partilhando as pouquíssimas fotos que tirei! Espero que gostem, apesar da qualidade duvidosa... ;)












Numa nota final, gostaria de fazer referência à curta conversa que tive com a senhora que estava no bar. Perguntei-lhe se pertencia ao espaço e fiz algumas perguntas sobre a actividade desta associação. Eles protegem mulheres vítimas de maus-tratos, em geral, de violência doméstica a intolerância sexual, tendo vários campos de acção, a nível legal e mesmo a nível de protecção física (com casas que acolhem vítimas e outras coisas). Qualquer apoio, mesmo que pequeno, ajuda, por isso deixo aqui a página para gostarem e o site para explorarem.

E agora sim, é o adeus. Até à próxima! Será breve, essa. ºvº