27.11.13

António Nobre
1892
Poesia

Aqui está o livro que ficou para trás, como tinha comentado na minha última resenha.

Este livro veio-me parar às mãos no meio dos livros da Convenção do BookCrossing. Olhei para ele, vi que era poesia e pensei... Porque não? E porque não mesmo! Então, na minha viagem para o Porto, estive a lê-lo.

Se alguma vez li poesia do século XIX deve ter sido há muito tempo, porque já não estava habituada. Num prefácio de vinte páginas plenas de erudição patega, o amigo do Anto (António Nobre) diz que este é o livro mais triste do mundo. Só me resta concluir que no século XIX não havia grandes razões para estar triste, porque os poemas são de uma futilidade plena e admitida. O tema é sempre o mesmo: tem saudades de casa. Na altura não havia skype por isso compreende-se, mas acaba por ser repetitivo. Os poemas mais interessantes são aqueles que se afastam do tema e mostram uma melancolia um pouco mais peculiar, de nota o desejo constante da morte.

Vou oferecer este livro a um amigo que acho que o vai achar engraçado (eu achei, porque está tão desactualizado!), mas deixo-vos aqui um poema que marquei com um bilhete da TST:

Balada do Caixão

O meu vizinho é carpinteiro,
Algibebe de Dona Morte, 
Ponteia e cose, o dia inteiro,
Fatos de pau de toda a sorte:
Mogno, debruados de veludo,
Flandres gentil, pinho do Norte...
Ora eu que trago um sobretudo
Que já me vai aborrecer,
Fui-me lá, ontem (era Entrudo,
Havia imenso que fazer...)
- Olá, bom homem! quero um fato,
Tem que me sirva? - Vamos ver...
Olhou, mexeu na casa toda.
- Eis aqui um e bem barato.
- Está na moda? - Está na moda.
(Gostei e nem quis apreçá-lo:
Muito justinho, pouca roda...)
- Quando posso mandar buscá-lo?
- Ao pôr do Sol. Vou dá-lo a ferr:
(Pôs-se o bom homem a aplainá-lo...)
Ó meus Amigos! salvo erro
Juro-o pela alma, pelo Céu:
Nenhum de vós, ao meu enterro,
Irá mais dândi, olhai! do que eu!

26.11.13

Cão Como Nós

Cão Como Nós
Manuel Alegre
2002
Romance

Entre este livro e o outro houve mais um, mas deixo-o para mais tarde porque quero fazer uma citação e ele não está aqui. :>

Quando apareceu a oportunidade de receber este livro pelo BookCrossing, inscrevi-me logo. Afinal, sou uma "dog-person", uma pessoa canina, quiçá até tenha um pouco de cão dentro de mim. Nunca tinha lido Manuel Alegre e isso era juntar o útil ao agradável.

É um livro simples, de ideias simples e linguagem simples. Conta a ascensão e queda de um cão de caça chamado Kurika, que terá vivido com o autor (ou será apenas da sua imaginação?) e com ele falecido. O livro intercala pequenas histórias das aventuras do cão com os momentos de saudade depois do seu desaparecimento. Estes últimos são muito comoventes, quase me levaram às lágrimas por momentos. Os outros são divertidos, até porque narram uma perspectiva do cão diferente daquela que normalmente encontramos em livros sobre animais. Porque o narrador, autor ou imaginação, tem uma posição muito... Portuguesa... Sobre cães. Mas acaba por amolecer, apesar de ainda se irritar por o cão ser um cão que parece uma pessoa.

Uma belíssima homenagem a todos os cães e a todas as pessoas que tiveram cães.

25.11.13

O Elmo de Cristal

Os Mouros das Terras Encantadas - O Elmo de Cristal
Francisco Dionísio
2006
Romance Fantástico
A verdade é que eu estava à espera que este livro fosse completamente diferente. Quando o escolhi para ler a seguir (um dia explicarei como faço a minha "ordem de livros para ler", porque faz imenso sentido), até achei engraçado: "estive a ler um livro de marranos e agora vou ler um sobre moiros!" A minha expectativa era muito diferente: esperava que fosse um livro realista passado no tempo do antigamente, sobre o antagonismo dos conquistadores e dos mouros que viviam em Portugal. A realidade que é um romance fantástico juvenil, sobre um grupo de jovens muito distintos que entram por uma anta e vão parar ao sítio onde estão os mouros encantados.

Evidentemente que isto não me atraiu minimamente e foi com grande esforço que me fiz ler o livro.

Existem dois factos interessantes: a descrição das "Terras Encantadas", que é muito detalhada e - realmente - dá imagens muito bonitas; e a evolução das relações entre os personagens, que passam de desconhecidos amigos no decurso da história. Infelizmente, os personagens das Terras Esquecidas (mundo real) são muito estereotipados e muito vazios: o jovem que faz kung-fu (wat), o nerd, a gaja com poderes e a miúda que não está lá a fazer nada e precisa de ser salva. Por outro lado, os personagens das Terras Encantadas são únicos. Creio que poderia ter havido maior ênfase nos seus hábitos de vida e relação com a religião, assunto que não foi tocado nem ao de leve.

A escrita é muito simples e bastante juvenil, com excesso de algumas palavras. Nomeadamente "sinistro". Tudo é sinistro nesta terra, está tudo à esquerda.

O livro termina de repente, isto é, a apontar para uma sequela. Mas a verdade é que o autor poderia ter dado alguns detalhes sobre o regresso da criançada aos pais. Já agora, há um lapso de tempo um pouco grave: o autor manifesta que os dias nas Terras Encantadas são iguais, em termos temporais, ao das Terras Esquecidas. Mas eles saem das primeiras de dia e vão parar às segundas de noite!

Enfim, o livro tem algumas falhas e poderia ser reformulado. Ainda assim, poderá ser uma leitura interessante para os mais novos. Em termos de local fantástico, é extremamente original: temos de lhe dar valor por isso.

21.11.13

O Último Cabalista de Lisboa

O Último Cabalista de Lisboa
Richard Zimler
1996
Romance Histórico

Por incrível que pareça, não me consegui envolver com este livro. Foi uma dificuldade, nunca me apetecia lê-lo! Mas ontem fiz um esforço e consegui terminar as últimas páginas, dentro da minha caminha quentinha.

Segundo consta, este livro é uma transcrição livre de um documento encontrado escondido numa casa em Constantinopla, pelo autor. Esse livro conta uma história de laivos policiais passada na Lisboa do século XVI. Berequias é um cristão-novo, um judeu secreto, que tenta descobrir quem assassinou o seu tio, homem da cabala, escondido por trás da tragédia que se abateu nesse dia sobre todos os judeus de Lisboa.

Apesar de não me ter cativado, o livro é muito interessante e está bem escrito, de uma forma muito casual mas também muito adequada à época. O que é natural, se o livro foi escrito nessa época. Com este livro fiquei a aprender muito sobre os hábitos judaicos (não sei se conheço algum judeu, mas desconfio que sim e nunca se fala disso) e sobre alguns "mistérios da cabala", que me pareceram positivamente fascinantes. Todo o mito em volta da cabala está integrado com a vida normal das pessoas.

Fiquei com pena do pequeno Judas, mas o epílogo, capítulo final, dá a toda a história trágica contornos de final feliz. Um livro que eu gostaria de ter apreciado melhor e que gostaria de emprestar ao meu pai, pois ele de certeza que o ia adorar. Se é que não o leu já... xD

19.11.13

Akagi

Akagi
Sato Yuzo - Madhouse Studios
Anime - 26 Episódios
 2005
5 em 10

Também conhecido pelo título mais longo "Touhai Densetsu Akagi: Yami ni Maiorita Tensai", ou "Akagi, a Lenda do Mahjong, o Génio que desceu às Trevas". Ou algo do género.

Este é um anime sobre mahjong e o problema começa aí. O jogo é muito complexo, diria mesmo complicadíssimo, e eles não fazem muita questão em explicar as regras. Assim, é quase impossível de acompanhar os processos mentais, porque "muito bem, eles fazem isto, mas porquê". Logo, logo, tive de por de parte a concentração e apenas aceitar "porque sim". Claro que isso tira a graça toda ao anime. Eu poderia, poderia mesmo, ter ido aprender as regras do mahjong (e depois auto-intitular-me maestrina mahjonguiana e campiona internacional dos mahjongos), mas é um jogo que não me interessa minimamente, que eu não quero aprender e que eu não quero saber. Além de que o "tutorial" que me arranjaram estar escrito de uma forma absolutamente atroz (começava por "mahjong é tanoshii!")

Apesar de admitir desde já que o meu desconhecimento sobre o jogo foi um dos entraves para a minha apreciação total e completa, creio que não é só de mim: o anime faz questão em não explicar absolutamente nada (pelo menos de maneira que se compreenda) e os ensaios do narrador sobre os processos cognitivos por detrás de cada jogada não esclareciam nada de nada. Assim, achei que a parte mais interessante terá sido a final, em que as peças eram transparentes. Tornou tudo um pouco mais fácil. Também foi esta a parte que tinha o antagonista mais louco e isso torna tudo um pouco mais quente.

A arte é típica do autor. Sendo que já tinha visto Kaiji, o outro anime sobre jogos de azar, não me surpreendeu muito ver estes personagens feios e estilizados, muito característicos. Na animação, existe tanto utilização horrenda de CG como uso de perspectivas interessantes sobre os jogos.

O que apreciei mais, no fundo, foi a música. No parênquima, tornava os jogos mais interessantes e aquecia o sistema, enervava e - sabendo necessariamente que o personagem principal se ia safar - quase pensávamos que ia acontecer uma desgraça. A OP é muito agradável e situa bem o anime na sua época e as EDs são bastante apropriadas, sobretudo a primeira. Mas talvez eu esteja comprada, porque eu adoro Maximum the Hormone (diverte-me!) e aquela música é das que gosto mais.

Enfim, um anime para esquecer rapidamente. Creio que, dentro do género, Kaiji é bastante superior.
Ranked #377
Touhai Densetsu Akagi: Yami ni Maiorita Tensai
Read more at http://myanimelist.net/anime/658/Touhai_Densetsu_Akagi:_Yami_ni_Maiorita_Tensai/#aTKUSQM7pHsJDQVE.99

Fórum Fantástico

Fórum Fantástico

Na Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras - local já conhecido por ser casa da Anicomics - decorreu este fim de semana o Fórum Fantástico, uma pequena convenção de fãs de literatura fantástica. Ora, vocês já me conhecem... Já sabem que não é essa a minha praia. Portanto, o que fui eu lá fazer?
Toda ranhosa, desfeita em ranho, fui assistir ao lançamento da Revista Lusitânia, na qual foi publicado um dos meus contos. Intitulado "A Sereia de Cacilhas", é sobre o senhor da Transtejo. Comentarei tudo isso quando ler a revista, mas digo desde já que ela é bastante atraente. O meu conto pode ser lido no meu deviantArt, mas sugiro que comprem a revista para apoiarem o projecto. Assim, não coloco aqui o link - por agora. Comprei três revistas, além da que me deram por eu ser uma das autoras/colaboradoras, uma para o meu pai, outra para um amigo e outra para o meu mais amigo.


No lançamento da revista, fomos chamados ao palco. Nesse momento conheci a rapariga que ilustrou a minha história, de uma forma um pouco surpreendente.

Depois, observemos o programa:


Assisti a uma palestra interessantíssima sobre a evolução da literatura fantástica em Portugal, desde as histórias de cavaleiros (que foram salvas no D. Quixote!) até à ficção científica dos anos 70, que me pareceu tão deliciosamente foleira.

Como o que estava no resto do programa tinha que ver com steampunk, que não me interessa minimamente, fui para a rua conviver. Conheci desconhecidos, mas não fiquei com o nome de nenhum. Assim, mantiveram-se desconhecidos, apesar de termos tido conversas muito interessantes e educativas. Quase que me sinto tentada a ler mais de fantasia.

Falando nisso, estavam lá para vender uma série de livros. E uma série de livros que me interessavam também! Mas os que eu queria eram os do grupo dos 15€ e eu não ia preparada para gastar esse dinheiro, por isso acabei por não comprar nada. Ao menos fiquei com alguns títulos para referência.

Uma tarde bem passada, em que piorei da minha constipação. Veio a culminar em dois dias de baixa do trabalho e agora estou aqui sem fazer nada...




14.11.13

Natsume Yuujinchou Shi

Natsume Yuujinchou Shi
Omori Takahiro - Aniplex
Anime - 13 Episódios
2012
7 em 10
 
Este comentário refere-se à Quarta Season do anime. Para lerem um comentário sobre a terceira, cliquem aqui.

Sem dúvida a season mais sólida da série Natsume Yuujinchou. Se nas seasons anteriores explorámos alguns youkai e as suas vidas, nesta quarta temporada observamos uma maior dedicação às personagens, sobretudo Natsume, com um maior desenvolvimento. O programa mantém-se, embora um pouco menos episódico: a cada episódio ou secção Natsume vive uma aventura relacionada com monstros e deuses do imaginário Japonês. Através da sua interacção com eles, redescobre a sua vida e solidifica a sua personalidade.

O desenvolvimento é patente e culmina num final agradável, que poderá ser o definitivo (mas não creio que seja). Natsume aceita-se e aceita os youkai como eles são, acabando por estabelecer laços com as pessoas à sua volta. Vemos um pouco da infância do personagem e isso leva a uma maior compreensão sobre o porquê dele ser incompreendido e superlativa o facto dele neste momento conseguir estabelecer relações sociais.

Os youkai continuam ligeiramente erráticos: se por um lado são caracterizados como completamente diferentes dos seres humanos, acabam por ter atitudes "demasiado" humanas, antagonizando a caracterização que se esforçam por lhes dar através do diálogo.

Artisticamente, continuamos com uma paleta de cores muito suave. Acho que o anime ganharia em fundos mais detalhados e numa diferença maior entre os youkai e o ambiente, pois eles integram-se demasiado bem e acabam por aparecer discretos.

Em termos de música, o tema é recorrente e combina bem com o pastel da arte. Achei a OP demasiado diferente do ambiente da série, mas a ED adequa-se perfeitamente.

Contas finais, um anime que vale a pena ver - todas as seasons - mas que não é excepcional. Falta-lhe um certo tempero.

12.11.13

Spice and Wolf (2)

Spice and Wolf (2)
Isuna Hasekura
Light Novel
2006
 
Para saberem mais sobre esta colecção de Light Novels, porque não começar pelo Primeiro Volume? Falando nisso, ocorreu um erro na minha compra. Ora bem, eu pensava que isto era a mesma edição, mas com capas diferentes. Na realidade são colecções completamente diferentes. Assim, por favor ajudem-me! Troco este volume por um volume dois da outra colecção ou o volume um da outra colecção (a que tem uma pessoa verdadeira na capa) por um volume um desta! Ou vendo a quem quiser pelo mesmo preço, com os portes por minha conta. Podem ajudar-me?

Adiante.

Neste livro, Lawrence e Holo continuam a sua viagem, passando por uma cidade dominada pelo poder clerical. Por um erro imprevisível, Lawrence contrai uma dívida poderosa. E a solução passa por se envolver com uma pastorinha e... Bem, terão de ler para saber!

Mantenho o que disse para o primeiro volume. O universo desta colecção está extremamente bem construído. Lawrence e Holo vivem realmente num mundo, em que cada país tem a sua língua, os seus costumes e a sua moeda. Isto torna tudo um pouco mais complexo, apesar de o autor fazer um bom trabalho nas explicações de cada transacção, de forma a que todas façam sentido.

Falando no autor, ele refere nos comentários finais (típicos de todas as Light Novels) que se tinha esquecido de como eram as personagens! Pessoalmente, acho isto um pouco indecente. É como esquecer os nomes dos filhos! Mas enfim, deve ter-se recordado ao escrever o volume, porque elas estão lá. Holo continua a ser fascinante, apesar de um pouco errática no seu comportamento de quando em quando.

Sem dúvida uma colecção para continuar!

Kiki's Delivery Service

Kiki's Delivery Service
Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
Anime - Filme
1989
8 em 10

Chegados a casa depois do excelente AmadoraBD, um belo jantar de almôndegas com uma cervejinha. E para acompanhar o digestivo, que tal um filme? Perguntei se podia ser anime. Como podia, seleccionei um dos meus DVDs da colecção Ghibli. Por acaso já me apetecia rever este filme, que foi a minha irmã que me ofereceu como souvenir de uma viagem a Londres, veio mesmo a calhar!

É amoroso em todos os aspectos. Este filme conta a história de uma bruxinha que muda de cidade em busca da sua independência. Deverá estabelecer-se como a bruxa residente de uma nova cidade. Infelizmente, a única coisa que ela sabe fazer é andar de vassoura. E nem isso sabe muito bem! No entanto, rapidamente descobre uma coisa que na qual o seu talento pode ser útil: um serviço de entregas!

Este filme é, no fundo, uma alegoria ao existencialismo da adolescência. Kiki enfrenta dúvidas e cresce substancialmente à medida que descobre aquilo que é importante para ela. Tal não seria possível sem a ajuda de alguns amigos, todos eles personagens característicos e interessantes, desde a simpática senhora grávida que lhe oferece abrigo, o rapaz - Tombo - que dá sempre uma segunda oportunidade e a sempre necessária freakalhóide que vive isolada no meio da floresta a pintar. Não esqueçamos Jiji, o gato, a voz da consciência, e o seu simbolismo patente no crescimento de Kiki - o falar ou não falar, interpreto-o como relativo ao amadurecimento da dona.

Tudo isto ilustrado por um ambiente apaixonante e detalhado, uma cidadezinha europeia, mistura de todas as cidades europeias mas com uma personalidade própria. Cada cena é um gosto de se ver, porque até as coisas mais simples estão carregadas de pequenos momentos que trazem realismo e graça.

Um excelente filme. Romântico, quiçá? Bem, a gente gostou. :)


11.11.13

AmadoraBD 2013

AmadoraBD
Festival de Banda Desenhada
Como vem sendo custume, estive neste Sábado que passou na AmadoraBD, festival internacional de banda desenhada que decorre na Amadora já há largas décadas (bem, duas). Desta vez fui acompanhada pelo meu bói e pelo Zé Gato, um amigo. Isto porque, no dia do cosplay, quem levasse cosplay tinha entrada grátis com direito a acompanhante e eu tinha ganho um bilhete no concuso da APC (Associação Portuguesa de Cosplay). Assim sendo, poderia enfiar duas pessoas lá dentro.

Ora, desta vez o programa de cosplay, organizado pela APC, consistia em:

  • Desfile de Cosplay
  • Skits de Cosplay não competitivos
  • Uma Mesa Redonda sobre cosplay
Fui convidada, para minha grande alegria, para participar na mesa redonda na qualidade de cosplayer assídua em eventos por todo o país! Aproveito este espaço, já que não foi possível no evento, para agradecer à APC pela oportunidade, fez-me muito feliz. :)

Mas enfim, vamos à hora da confissão... Eu ainda contemplei a ideia de fazer um sukito. Mas estou no meu gabinete a estudar coisas sobre canis e a pensar nos desgraçadinhos todos que tenho lá, estou ali, estou por ali e, com toda a sinceridade, estava sem vagar, sem cabeça e sem vontade de fazer um sukito. Outro factor que motivou esta decisão foi o facto de eu não ter um único cosplay quentinho e não me apetecer ter frio, por uma vez na vida. Enfim... Ainda assim, tinha de por duas pessoas lá dentro! Então vesti-me de vermelho, com a peruca da Meiko e pensei.... "Bora lá ver se isto passa!" Passou. Nem olharam duas vezes. Aliás, nem olharam uma vez. Acho que podia ter ido com o uniforme do Paços de Ferreira que entrava na mesma... Bueno! Mas prontes, acho que a roupa que eu levava poderia ser considerada um cosplay casual-chic de Meiko... Com jeitinho. :3

Devido a atrasos diversos, chegámos mesmo no final do desfile. Estava tanta gente que não conseguimos ver skit nenhum. Espero que apareçam por aí online, porque não é por serem na brincadeira que eu vou deixar de os comentar! Aiai!

Encontrei várias gentes conhecidas e peço desculpa por não ter ficado na conversa tanto tempo como gostaria, mas não queria abandonar os meus acompanhantes... Bem, podia tê-los apresentado, mas não sei bem lidar com estas situações situacionais e por isso ficaram por apresentar! São todos irrelevantes uns para os outros, menos para mim! =D Faz todo o sentido, não faz? =D

Seguiu-se o Debate (ou Mesa Redonda). Comigo participaram o António, um fotógrafo de cosplay, o Mário da Kingpin e organizador da Anicomics, a Leonor (Grácias, basta isto para já saberem quem é xD) e um jovem cujo nome não fixei que era estudioso de movimentos sociológicos e está precisamente a estudar o movimento sociológico que é o cosplay. A moderadora foi a Patrícia Bordeira, que nos fez algumas perguntas sobre a nossa visão do cosplay. Tentei dar a minha interpretação pessoal, que pode ser ligeiramente diversa da das outras pessoas, acho que a minha voz radiofónica foi um pouco menos radiofónica que o desejado... Mas no final correu tudo bem! Só tive pena que estivesse tão pouca gente a assistir...

Falando em assistência, um comentário sobre o palco. Ou auditório, como lhe queiram chamar! Era uma miséria, nunca tinha visto um AmadoraBD com um palquito tão mal posicionado, tão pequeno e tão mal iluminado. Uma pena, porque costuma ser um bom palco! Bueno, ao menos tínhamos sofás!

Visão Panorâmica dos Sofás, eu estou na ponta esquerda.
Repare-se na escuridão tão escura!

E a minha participação no evento resumiu-se a isto. Foi bastante interessante e uma coisa muito diferente do que costumo fazer, por isso gostei bastante muito. Seguimos para ver o resto da exposição.
Dividida por dois andares, interessantíssima. A minha secção preferida foi o autor Português em destaque e a exposição do David Soares. Ficam algumas fotografias do ambiente, aquelas em que não aparecemos a fazer patetices.




 Ooops, um leão!


 A exposição era interessantíssima e montada de forma a que cada autor e cada tema tivesse o seu espaço próprio. Podíamos passar de universo para universo em apenas um passo!

Em termos de compras, trouxe a BD "O Pequeno Deus Cego", do mesmo autor de "Palmas para o Esquilo" e uma outra BD chamada "alguém desarruma estas rosas e outras estórias", porque o título me pareceu interessante e só custava 2€. Não havia artistas - que são bons artistas - por isso não trouxe nem o desenho habitual nem a ceninha para o telefone habitual.

Perdi a oportunidade de ter o autógrafo de um mangaka, mas não tinha nada dele que ele pudesse autografar.

Ainda vimos um pedacinho de uma banda estranhíssima, que acabámos por classificar como "industrial pop", uns tales K-BLE Jungle DJ Shiru & Eriko. Dizia lá no palco que eram uma banda de j-pop lírico. E efectivamente ela cantava algum j-pop, mas também cantava coisas esquisitérrimas. Não sei se gostei ou não, acho que gostei. No fundo no fundo aquilo até tinha piada e cantaram algumas músicas que eu sabia. :)



Um evento com saldo muito positivo, não só pela exposição, pela minha participação, mas sobretudo pela companhia. Ficam aqui as melhores fotos que o Zé Gato tirou aos cosplayers!











E com isto vos deixo!

Ah sim, o próximo evento de cosplay... Eu era para ir à Azambuja, mas o congresso da Ordem dos Médicos Veterinários calha nesse fim de semana. O congresso é mais importante, desculpem... Por isso agora só vos vejo para o ano! Pessoalmente, quero dizer... Ou talvez antes, ainda há tempo para muitos eventos! Até lá!

4.11.13

Enemigo

Enemigo
Taniguchi Jiro
Manga - 10 Capítulos/1 Volume
1984
6 em 10

Encontrei este manga na Fnac. Após alguma investigação no local sobre se era tomo único ou não, acabei por o trazer. E acabou por ser ofertado pelo meu querido pai!

Este é um manga do antigamente, lá dos anos 80, coisa que não li muito. E é de acção, para senhores. Trata de um detective privado que vai salvar o seu irmão, CEO de uma empresa, que foi raptado por guerrilheiros na selva de um país da América Latina inventado. É acompanhado por um jornalista com piada, uma gaja sexy e um cão (um dogue alemão) A história é muito, muito, muito, muito, muito simples. O que é interessante neste manga é o ambiente quasi-ocidental criado em torno do personagem principal. 

Como num filme, ele é o anti-herói perfeito. Aliás, todos os personagens são praticamente estereótipos dos filmes Americanos desta época. Se formos ler as notas finais, que incluem comentários de autores Europeus e Japoneses e do próprio autor (e uma entrevista), vemos que isto é propositado. A influência europeia - no estilo de banda desenhada - e americana  - no estilo dos personagens - é patente e admitida. Isto não é nada mau, porque é uma variação interessante à norma Japonesa (comparando ao anime, já que de manga conheço pouco).

Outro aspecto valoroso é a arte. É muito detalhada, com um uso de pretos e brancos que torna todo o ambiente da selva muito mais negro e excitante. As paisagens são muito realistas e também o são os designs dos personagens.

Um manga curto, jeitoso, interessante e com um certo valor histórico. O autor refere muitas vezes que nesta época, com este manga, estava no topo da sua energia criativa no que respeita aos desenhos. Teria de ler outros mangas do autor para comparar, o que me parece bem porque me foi recomendado e tudo.

3.11.13

A Redenção

Trilogia Nocturnus - A Redenção
Rafel Loureiro
2011
Fantasia

Apesar de não apreciar histórias de vampiros por aí além, tinha gostado muito dos dois primeiros volumes desta trilogia. Assim, quando vi a promoção da editorial Presença em que este livro estava a apenas dois euros, não pude resistir! Apesar da capa ser diferente, porque esta é a edição oficial e os outros volumes eram em edição de autor, é melhor do que nada.

NNeste volume, que serve como final absoluto (espero eu) à saga de Daimon DelMoona, este vampiro e a sua amada Lília viajam pelo mundo todo em busca de "A Redenção", uma forma de os vampiros voltarem a ser humanos. No entretempo lutam contra um vampiro maléfico e é isso. Este volume pareceu-me inferior aos outros por um par de razões.

Antes de mais, o facto de a acção se passar no presente, torna tudo um pouco menos "gótico" e um pouco menos pesado do que nos volumes anteriores. O ambiente é negro, mas rapidamente me esquecia de que a acção se passava toda de noite e muitas vezes visualizava-a de dia. Isto é, desta vez o autor não foi muito claro nas "cores" de cada situação. A imagética está bem colocada, no entanto, sendo que o meu momento preferido foi o do Cairo. Não o do Japão, surpreendentemente.

Depois, porque o livro tem demasiadas cenas de acção inúteis. A viagem é simples, andam de um lado para o outro e conhecem outros vampiros, mas o facto de terem de lutar contra alguns não acrescenta em nada às situações. As lutas são muitas vezes confusas. 

Finalmente, porque os personagens passam grande parte do livro a chorar (lágrimas de sangue). Isto é um aborrecimento, porque demonstra que as reacções de todos os personagens perante qualquer situação adversa é sempre a mesma (chorar lágrimas de sangue).

No entanto, existem alguns momentos bastante bons, como o dilema entre o Ser Puro e Impuro do personagem principal. Se ele não acabasse cada um dos dilemas a chorar, teriam sido situações comoventes e emocionantes.

Enviarei este livro a uma amiga, a quem ofereci os dois primeiros. Espero que ela aprecie a trilogia! Parece que não, mas eu gostei muito. Ainda bem que acaba tudo em bem!