31.5.13

Mort

Mort (A Discworld Novel)
Terry Pratchet
1987
Fantasia
 
Depois de Pyramids, quis experimentar mais Discworld. Então escolhi Mort, um livro sobre o ajudante da Morte. Bem escolhido, gostei imenso! E agora vou começar a coleccionar os livros do Discworld. Infelizmente ocorreu um erro quando comprei este livro e ele veio em Espanhol em vez de vir em Inglês. Por isso acabei por ler o Mundodisco. Mas pareceu-me estar bem traduzido, pelo que não se perdeu muito e foi igualmente hilariante.
 
Mort é um jovem sonhador que tem mais joelhos do que é suposto (dizem). É contratado pela Morte como aprendiz e, por um erro causado pela sua bondade, acaba por alterar o curso da história e do destino. Enquanto isso, a Morte experimenta os prazeres da vida, em busca da razão que leva os seres humanos a serem felizes e a sentirem esses estranhos sentimentos que ele não compreende.

O Mundo do Disco está construído com um detalhe discreto mais imenso. O autor fala de lendas, de correntes filosóficas, dos hábitos dos vários países deste universo, sem nunca forçar o conteúdo e sem nunca dar um excesso de informação que aborreça o leitor. As coisas decorrem neste mundo de uma forma normal, mas para nós (que vivemos no planeta Terra) as coisas são ilógicas e engraçadas. Mas o mundo tem a sua própria lógica e rege-se pelas suas próprias regras, o que é um trabalho fascinante e resultado de uma imaginação prodigiosa.

No que respeita a este livro, houve duas coisas que me impressionaram. A primeira foi o ambiente que envolve a Morte. Como a tonalidade da situação muda completamente apenas com uma mudança no tipo de letra... Perfeito. A outra coisa foi a evolução das personagens. O crescimento de Mort até chegar à idade adulta é discreta mas acaba por culminar na sua libertação de funções de Morte. E à medida que o rapaz (Mort!) se envolve cada vez mais nessa tarefa que é matar pessoas, a Morte propriamente dita envolve-se cada vez mais nas tarefas humanas e acaba por ganhar um pouco de humanidade. Ambos os personagens ganham esta característica ao enfrentar situações que lhes eram desconhecidas, um movido pelo desespero de tentar solucionar o que fez mal (e que pode destruir a realidade) e o outro movido apenas pela curiosidade.

Entretanto, gags engraçadíssimos e comparações que não lembram ao diabo.

Recomendadíssima esta série de livros. O próximo que vou comprar será o Sourcery!

Danshi Koukousei no Nichijou

Danshi Koukousei no Nichijou
Takamatsu Shinji - Sunrise
Anime - 12 Episódios + 6 Specials
2012
6 em 10

Ufa, há quanto tempo não via um anime até ao fim! Tenho estado em mãos com uma série de cinquenta episódios (em full-screen, porque é gira) de que falarei quando terminar, mas interrompi-a no episódio 20 para ver esta pequena série de comédia, recomendada pelo meu clube habitual: A Vida Diária de Rapazes do Liceu

Sempre é uma variação ao nosso usual fatia-de-vida que segue a vida diária de meninas fofas do liceu. Só que, como tinha de ser, a vida diária dos rapazes tem muito mais piada. A série é composta por pequenas secções que relatam situações pontuais da vida, coroadas sempre por um gag e uma punchline (gague e linhademurro) que trazem a piada. Às vezes.

Temos de admitir que é difícil classificar e criticar um anime de comédia, ou um filme de comédia, ou um livro de comédia, porque a dita cuja - a comédia - é inteiramente subjectiva. Há coisas que eu acho engraçadas e que outras pessoas não acham (por exemplo, caudas de cãezinhos) e coisas que as pessoas acham engraçadas e que eu abomino visceralmente (por exemplo, os mémés da intermete). Assim, sugiro que ao criticar o anime de comédia nos cinjamos aos pontos que utilizamos habitualmente (animação e arte, música, desenvolvimento). E também, muito importante, à eficiência da comédia: fez-nos rir? Então é bom. Porque o objectivo da comédia é fazer rir.

Assim sendo, posso dizer que A Vida Diária de Rapazes do Liceu é um bom anime. Porque me fez rir, algumas vezes, porque me entreteve ao longo de quatro horas e meia da minha vida. No entanto omito uma boa classificação devido ao resto dos pontos.

A animação é parca e pareceu-me pouco eficiente em algumas ocasiões. A mudança nos designs dos personagens para adicionar efeito cómico tanto funciona muito bem como é indiferente e foi usada tantas vezes que acabou por perder o efeito surpresa que tinha nos primeiros episódios. Existem poucas cenas de acção, pois isto é um anime sobre a vida normal, e as que existem são das brincadeiras dos rapazes. Não têm nada de especial, excepto que as coreografias exageradas trazem mais efeito de comédia (já disse esta palavra tantas vezes hoje).

Desenvolvimento da narrativa e personagens é completamente inexistente. Algo que não compreendi foi a relação entre as idades dos rapazes e das irmãs mais velhas e mais novas. Sendo que eles estão no segundo ano da escola secundária e as irmãs usam fardas, estão todos na escola secundária? Irmãos com uma diferença tão parca têm uma relação de autoridade assim tão grande? Não o poderei saber, tenho cinco anos de diferença da minha irmã e catorze da minha macaca. As situações, talvez tivesse achado mais piada a algumas se tivesse sido um rapaz de liceu. Mas nunca fui um rapaz de liceu e nunca poderei vir a ser, por isso não me posso identificar com algumas das coisas que aqui foram relatadas. Gostaria da opinião de alguém que tenha sido rapaz do liceu para saber se esta impressão é correcta ou não.

Musicalmente, nada a apontar no parênquima. A OP pareceu-me desadequada, mas a ED estava absolutamente hilariante, sobretudo pela animação que lhe corresponde. Vejam só!


Em termos de vozes, a do Gintoki é a que mais brilha. As vozes femininas são todas bastante irritantes e não se compreende porque é que falam todas aos gritos. O extra das Meninas do Liceu (são Funky) foi a parte que menos gostei. Apesar de achar interessante que muito poucas raparigas desta série têm cara. :3

Se um dia vos apetecer ver uma coisa leve e bem-disposta, aqui está uma opção.

28.5.13

83ª Feira do Livro de Lisboa

83ª Feira do Livro de Lisboa

Sempre adorei a Feira do Livro. Foi lá que comprei livros muito importantes para a minha vida, nomeadamente aquele que me introduziu ao paganismo (e, vergonha, era da Silver Ravenwolf. Mas bem, foi introdutório xD) No entanto, deixei de ir. Circa o ano em que entrei na faculdade, o que já foi há alguns anos. Este ano, finalmente, voltei! E vim de lá carregadinha de livros!
Fui com uma fellow bookcrossiana, para falarmos sobre a organização da nossa convenção do site citado. Obrigada Lia!

A Feira está disposta ao longo do Parque Eduardo VII, mas para a meio do parque, o que significa que é mais pequena do que eu me lembrava. Tem muitas bancas de alfarrabistas (à direita) e os grupos editoriais estão representados com espaços só para eles, com lugares para sentar e assistir a coisas. Não assisti a nenhuma, excepto um concerto de jazz que estava decorrendo no jardim. Existem muitos sítios onde descansar e acredito que as pessoas são bem vindas para os utilizar como espaços de leitura. Também existem muitas bancas com comida, muito chocolate, cerveja e farturas. Só detectei um sítio onde vendiam café, no entanto. Uma verdadeira feira, mas esta literária e, portanto, mais erudita. Quem diria que os eruditos também comem farturas!

Mas o que interessa realmente são os livros, que estão com desconto em relação ao preço de montra. Na sua maioria os descontos não são especialmente grandes, mas existem secções de livros entre três e cinco euros, que eu aproveitei (está claro). Entre as 22:00 e as 23:00 existe a "Hora H", em que os livros editados há mais de 18 meses estão com 50 a 70% de desconto! Ainda vou lá aproveitar esta hora, porque havia alguns livros que eu queria e não comprei por estarem demasiado caros para mim.

De resto, fica aqui o espólio obtido durante o dia de hoje:

  • Rainha D. Amélia - Uma Biografia (José Alberto Ribeiro) (este é para a minha avó, ela encomendou-mo)
  • Quando D. Quixote Morreu (Andrés Trapiello)
  • O Livro Perdido de Camões (Maria Coriel)
  • O Rapaz do Pijama às Riscas (John Boyne)
  • Debaixo de Algum Céu (Nuno Camarneiro) (este era o único que eu tencionava comprar, porque queria mesmo...)
  • O Exorcista (William Peter Blatty)
  • Truancy - Rebelião (Isamu Fukui)
Se quiserem saber mais sobre o programa, por exemplo que pessoas vão estar a autografar livros, podem consultar o site da Feira aqui

Vale mesmo a pena ir, mas vale mais a pena se forem acompanhados, porque o entretenimento é variado! Aproveitem!

26.5.13

Desconhecidos

Desconhecidos
Taichi Yamada
1987
Romance

Taichi Yamada, Taichi Yamada, eu conhecia este nome de qualquer lado, será que já tinha lido este livro? Afinal não, o que tinha lido era o Em busca de uma voz distante. Este segue a mesma linha de mistério e fantasmas.

No entanto, o personagem principal parece estar a falar dos assuntos com uma indiferença tão marcada que é impossível identificar-nos com ele. Assim, a história que poderia ser assustadora torna-se irrelevante. Sabemos que ele sobrevive no fim, porque é ele o narrador, certo? Enfim, a escrita não é tão envolvente como o desejado numa história de mistério e fantasmas. O que já era um problema no outro livro que tinha lido dele.

A resolução é surpreendente. Eu quase me tinha spoilado (apodrecido) porque li um comentário no bookcrossing a dizer "não estava à espera que *personagem* fosse quem fosse". Eu pensava que essa personagem era o Hideo, mas estava enganada. Então surpreendi-me. Surpreendi-me também com o detalhe dado a tudo o que rodeava a personagem em causa, porque foi inserido de forma delicada. No entanto, foi dado como evidente pelo narrador, o que estupidifica um pouco o leitor.

Acho que, apesar de ser Japonês e de eu ser japanóide, não voltarei a pedir para ler livros deste autor.

Necromancia

Destino do Universo - Necromancia
Frederico Duarte
2008
Fantasia

Eis que também recebi o segundo volume da saga Destino do Universo, que se tinha iniciado com Avatar. Terminei de o ler ao pé de uma fonte em Tibães, a apanhar sol, enquanto ouvia os ensaios da orquestra para o Fairy Queen. Foi muito agradável.

E confesso que estava errada em relação ao autor. Afinal ele consegue escrever coisas divertidas. Este livro é bastante superior ao primeiro volume. E eu acho que é devido ao facto de grande parte da acção se passar no "mundo real", a Terra, e das interacções entre pessoas mágicas e não-mágicas. Também por estarem dragões a atacar o Colombo.

As cenas de acção continuam a ser muito abundantes, mas desta vez pareceram-me um pouco mais claras e menos aborrecidas, excepto as lutas finais. O livro deixa vontade de um terceiro volume, porque termina de uma forma muito aberta, mas creio que não existe?

E uma constatação fascinante. Sinto-me idiota por não ter percebido antes. Um dos personagens é um self-insert (auto-inserção)! Vejam comigo Frederico (Duarte) ---> Fred ---> Fredisson !!! E a mulher do Frederico, autor, chama-se Ana. E a mulher do Fredisson chama-se Annya. Apesar de o autor se ter dado um grande poder, acho que ambos os personagens e a sua relação são os que estão melhor desenvolvidos e os mais realistas, o que é claramente devido ao facto de se basearem em pessoas e factos reais. Ainda assim o autor não exagerou em os tornar Mary Sues e Gary Stus e acho isso bastante bom.

Descobri uma página no Facebook. Vou Gostar dela a ver se recebo novidades sobre um terceiro volume, um dia destes. :3

The Fairy Queen em Tibães

The Fairy Queen em Tibães
Henry Purcell
Ópera/Happening

Como poucos de vós saberão, estive no Porto este fim-de-semana, a propósito de uma pós-graduação. Voltarei todos os meses para ela, mas só neste é que pude ter esta experiência única, que foi o "happening" da Fairy Queen. Como é que eu vim aqui parar?

Pois que uma amiga minha, a Ana, está a viver no Porto. Conhecemo-nos no curso que ela, e muito bem, deixou para trás em detrimento de uma Licenciatura em Música Antiga. Claro que assim que confirmei que podia fazer a minha formação a contactei para nos encontrarmos e beber uns copos. Ao que ela diz que posso ficar na casa dela! Mas um senão: ela tem um espectáculo em Braga e só regressa à meia-noite. A solução foi infiltrar-me no autocarro dos artistas e assistir ao espectáculo! E lá fui eu! Inesperadamente, um autocarro cheio de músicos e cantores não vai a cantar...

Enquanto ensaiavam, tomei alguns momentos para explorar Tibães, que é um mosteiro recuperado e tornado em sala de exposições e espectáculos. Nas paredes e salas estavam expostos alguns quadros, modernos e muito antigos também, e algumas instalações um pouco precárias, realizadas por alunos do oitavo ano (não se podia esperar muito, né?) Ficam aqui algumas fotografias que tirei com o telemóvel. Esqueci-me da máquina fotográfica apesar das insistências em que eu a levasse, por isso comecei a apagar coisas que estavam a ocupar a memória para poder tirar estas fotografias. Não ficaram nada de especial, como já vem sendo hábito.








Mas bem, passo a descrever o que foi exactamente este "happening". Obtive o meu bilhete a metade do preço original, porque a Ana me forneceu um convite. O preço original era - espantem-se - seis euros. Eu paguei três. Pela qualidade do espectáculo é surpreendentemente barato.

Levaram-nos para um salão no rés-do-chão onde um cantor nos disse para colocar-mos umas saias brancas e pretas de plástico que estavam no chão (eu não consegui nenhuma, depois vim a ver que metade dos cantores as roubaram para eles...) e ensinou-nos a dançar a shacona. Shacone, aliás. Ou lá como se escreve. É uma dança barroca e é uma seca. Um músico veio dançar comigo para eu aprender, mas eu não queria dançar com ele, nem manter contacto visual com ele, nem dar-lhe a mão, mas foi simpático. Este workshop foi para que, no fim, dançássemos com eles. Também nos ensinaram uma música, mas ninguém conseguiu apanhar nem a letra nem a melodia.

Depois deram-nos comida e vinho do Porto.

Quentinhos, seguimos para a Sala do Capítulo (na primeira foto) onde músicas barrocas se processaram. Estava lá um bebé pequenino que ficou impressionadíssimo quando a orquestra começou a tocar, com os olhos muito abertos. Palrava sempre que mudavam de andamento, devia querer cantar. Entretanto, ouvimos um homem aos gritos no corredor. "Mas que é esta m...." pensei eu. Mas afinal era um actor! Ele e mais outros três iriam fazer a peça do Sonho de uma Noite de Verão. Eram três brasileiros, que estavam todos bastante bem, e uma Portuguesa, que não estava assim tão bem. Depois os cantores cantaram e eu não gostei muito da parte do bêbado. Disseram-me depois (que depois fui jantar com eles e beber umas superbockes) que ele estava nervoso, o que se compreende, mas o que eu não gostei realmente foi do timbre de voz dele.

Passamos para o exterior, para a fonte que vos mostrei, onde nos pediram para por umas máscaras douradas. Aqui estou eu com a minha:


Mas enfim, dirigimo-nos todos pelo meio da floresta, a ouvir os passarinhos a cantar e de repente... ESTAMOS AQUI!

Ok, esta foto não transmite a beleza deste sítio. Era um lago enorme, ladeado por cantores vestidos de fada e flautistas que também eram fadas mas tinham asas de anjo. A figura dourada que vêm na foto era a Rainha Titânia, com uma actriz que estava ali a mexer-se. Desenvolve-se a peça (Oberão dizendo "zut zut zut" como marca) e passamos outra vez para o meio da floresta. Disseram-me que se isto tivesse sido à noite teria tido um efeito de luz espectacular, mas era de dia, o que também foi um passeio muito bonito.

A cena passou para um espaço em cimento muito grande, com a orquestra numa varanda e a cena a passar-se entre o chão e uma janela. Hilariante, por sinal, se bem que pouco exacta em relação à peça original (que eu já ensaiei uma vez. Ou tentei, tentámos, não correu muito bem...) Depois os cantores começam a cantar e cantam muito. Aqui está um dos momentos:

Depois escureceu e apareceram vários cantores que eram o Sol e as Estações do ano. Quando as estações mudavam tinhamos que mudar as luzes com várias cores (deram-nos uma lanterna ao início), azul e vermelha e amarela e verde. E então eu estava à espera que aparecesse uma pessoa Lua, porque faltava. Então o Oberão diz

"Olhem para trás"

E lá estava.

A Lua. Cheia. Enorme. No céu, atrás das árvores.

Foi um momento lindíssimo, que eu queria ter partilhado muito.

Demos todos as mãos e fomos para outro jardim, com uma fonte, onde foram as músicas finais e a dança. Eu escondi-me para não ter de dançar com pessoas desconhecidas outra vez, por isso vi tudo de costas. Mas as roupas que eles usavam estavam muito engraçadas, pareciam todas recicladas.

No final ainda havia jantar, mas eu fui ajudar a Ana e os colegas a arrumar os instrumentos pelo que, quando chegámos, já só havia côdeas e queijo.

Mas foi uma experiência linda. Quero voltar a este sítio, desta feita acompanhada. E tenho pena que a minha pessoa não estivesse lá.

Se bem que imaginar-nos a dançar danças barrocas seja um pouco ridículo. Haha.





20.5.13

Space Battleship Yamato

Space Battleship Yamato
Leiji Matsumoto - Academy Productions
Anime - 26 Episódios
1974
7 em 10

Estávamos nós a revolucionar-nos e estava o Leiji a revolucionar todo um género de anime e uma indústria inteira. Não tem comparação, nós tínhamos cravos e ele tinha aventuras no espaço. Yamato é uma delas.

Num futuro que não é assim tão distante (mais cem anos e estamos lá), o Planeta Terra foi atacado pelo Planeta Gamilon e pelos seus habitantes (Gamilianos). Tal foi o poder do ataque que a radioactividade destruiu a superfície do planeta e a humanidade está condenada a viver debaixo do chão. O problema grave é que a radioactividade é de tal forma potente que está a penetrar a terra e vai chegar às pessoas dentro de, exactamente, trezentos e sessenta e cinco dias. Então aparece a salvação! Uma mulher chega morta de Iscandar com o recado de que se eles lá forem os Iscandarianos têm a solução! Infelizmente, Iscandar fica a 148.000 anos luz de distância. Mas eis que aparece... YAMATO! Inspirada no navio Yamato da segunda guerra mundial, é uma nave super-potente que os vai levar a Iscandar em tempo record! Ou será que não?

Pessoalmente, eu não sou uma profunda apreciadora de ficção científica, mas esta série fascinou-me. Vi só a primeira season, ainda há mais duas, e vou ficar por aqui mas só por agora. É para continuar e depois ver o remake. Ou se calhar nem ver o remake: isto já é assim de bom!

Normalmente séries dos anos setenta têm um defeito enorme: a arte envelhecida. Para minha grande surpresa, não é o caso de Yamato. Existem elementos característicos da era: os designs e a paleta de cores. Os designs são Leijianos até à medula, coisa com a qual não me importo nada. Marcou verdadeiramente uma geração e acho que são excelentes e muito expressivos. Gosto sobretudo das mulheres, que têm todas um ar diáfano e uma aura feminina muito delicada, mesmo quando são mulheres de força. O contraste é charmoso. As cores são limitadas e as sombras são sólidas e evidentes, de uma maneira que já não se usa. Isto costuma ser pouco atractivo, mas a qualidade imposta na arte deste anime transforma tudo isto em algo muito interessante, quer em termos visuais quer em termos históricos.

A história tem algumas falhas, tal como inconsistências hilariantes na concepção da tecnologia. Está certo que todas as coisas têm de estar adaptadas à sua época. Mas não deixa de ser engraçado que as fardas tenham boca de sino, que tirem fotografias com uma polaroid ou que falem ao telefone entre naves espaciais. Em termos da narrativa em si só houve uma coisa que não compreendi e que creio que deveria ter sido explicada: porque é que os Gamilianos querem destruir a terra? Talvez venha a ser explicado numa outra season. Eles afirmam que é para que o planeta deles fique a salvo, mas o planeta deles é tão longe, qual é a relação de uma coisa com a outra? E uma outra coisa que me transcende, mas esta é uma dúvida que não tem nada a ver com Yamato. Coloco-a à mesma: os Gamilianos são azuis; as pessoas de Interstella são azuis; logo as pessoas de Interstella são Gamilianos; logo Gamilon encontrou a paz em 30 anos? Esta questão está-me a matar a cabeça!

Mas enfim, futuro à parte, falemos dos personagens: são eles que trazem mais intensidade à história e as grandes questões filosóficas e emocionais deste mundo (gostei especialmente de quando capturaram o Gamiliano e se questionaram "mas ele é um ser humano!") O trio de personagens principais é o arquétipo shounen antes de o arquétipo shounen existir. Eles definem o arquétipo: pessoas corajosas, amigas do seu amigo, passado trágico, dedicação, bondade, dúvidas em relação aos seus objectivos e às suas capacidades. São eles que colocam as dúvidas ao público e é com eles que nos questionamos sobre o que realmente se passa nesta guerra, sobre o certo e sobre o errado. Outro personagem com uma presença muito forte é o capitão do navio, que por vezes tem atitudes incompreensíveis para o resto da equipa mas que demonstra notável coragem. E finalmente, não podíamos deixar de ter algum alívio cómico, um par de um veterinário bêbado (que também é médico de pessoas) e de um robot. Na maioria das vezes irritavam-me, mas eles próprios também eram capazes de perguntar sobre emoções e de as fazer aparecer em quem vê. 

Finalmente, a música. Não podia se melhor. É a parte que gosto mais nos anos setenta: estas músicas épicas, heróicas, preparadas para serem verdadeiros hinos de guerra. Aparentemente, a OP deste anime tornou-se no hino não oficial da Yamato original (o tal navio da segunda guerra). Em termos parenquimatosos, temos uma banda sonora variada e característica, com uma música para cada tipo de momento e vários efeitos sonoros que adicionam à expressão das situações.

Foi um anime que gostei muito e que recomendo. Não lhe dou uma nota mais alta porque apesar de tudo a progressão é um pouco lenta e por vezes errónea (como demorarem um episódio a mostrar as salas da nave em vez de as mostrarem ao longo da série. O que também é típico da época, mas que mudou por alguma razão). Mas recomendo bastante, vão ver. Vale a pena e é muito divertido!

19.5.13

7os Encontros de Fado de Almada

7os Encontros de Fado de Almada
Concerto
Começo por dizer: se não formos nós a gostar de música Portuguesa ninguém vai gostar. Foi por isso que adorei que a sala de espectáculos do Fórum Romeu Correia, em Almada (terra que não é minha mas onde passo a vida), estivesse a rebentar pelas costuras. Eu gosto muito de música portuguesa de todos os géneros, mas fado é coisa que me deixa mais ou menos indiferente, apesar de ouvir muito. A verdade é que só fui a isto porque um amigo meu foi participar no concurso e me arranjou um convite, para eu ir fazer claque.

Estes Encontros de Fado consistem, portanto, num concurso para descobrir novos talentos do fado e num convidado que faz um pequeno concerto a seguir ao intervalo. Esta foi a primeira eliminatória, com 8 concorrentes, sendo que deles quatro foram escolhidos para ir à final. Vai haver outra eliminatória em breve, mas a essa acho que já não vou, porque não vou fazer claque a ninguém. O prémio final é cantarem num espectáculo das Noites do Fado algures em algum lado e o primeiro lugar vai gravar um single. O meu amigo não ficou apurado, logo não vai gravar um single.

A primeira parte teve a sua graça mas também teve os seus momentos de suicídio mental. Achei surreal que todas as vozes femininas fossem miúdas entre os 16 e os 18 anos, excepto uma senhora que ficou classificada. Elas diziam todas "ah isto é a minha vida", mas a maioria parecia que não tinha descoberto ainda a sua identidade. Depois, cantavam todas com a mesma voz, excepto a tal senhora que cantava com voz de karalhoke (ela própria disse que tinha começado a cantar o fado nessa situação). Dos senhores, havia um que também ficou classificado e que já tinha ficado três anos consecutivos, sem nunca ganhar. Esse era um grande intérprete. O senhor mais velho também tinha graça, depois havia outro que coitadinho. Esse teve a lata de pedir para cantar outra vez porque as guitarra estavam "dois tons acima" (ou abaixo) da primeira vez. Wat. As guitarras nem aparentaram mudar, ele cantou exactamente da mesma forma! Depois o meu amigo, que foi quem teve mais piada deles todos porque interagiu com o público e andava por lá a cirandar enquanto cantava a Mariquinhas. No segundo fado enganou-se, mas é a vidinha.

Mas a parte mais interessante (eu já estava cheia de dores de cabeça com tanto fado nos meus ouvidos, queria ir-me embora no intervalo mas não tinha para onde ir) foi o concerto seguinte. Era uma fadista que eu não conhecia (e o meu amigo, que esse sabe realmente de fados, também não) mas que fez um concerto muito giro: Carla Pires. A voz dela era bonita e o arranjo das guitarras estava diferente do habitual, além de que interpretou poemas diferentes. O meu preferido foi o do cacilheiro, identifiquei-me com ele. Não o encontro no tubo, por isso fica aqui outra música que também foi muito bonita:


Foi um espectáculo que demorou muito tempo, mas valeu a pena ter ficado até ao fim a aturar o chato do apresentador (sempre a dizer piadas sem graça nenhuma) para ouvir esta senhora. :)

Gogo Monster

Gogo Monster
Taiyo Matsumoto
Manga - 5 Capítulos/1 Volume
2000
7 em 10

No meu clubezinho, todas as semanas, também recomendam um manga. Eu nunca o leio, porque nunca leio no computador e tenho, portanto, de comprar todo o meu manga. Mas de repente, estava eu na Anicomics quando vejo este volume abandonado. Ninguém tinha sequer olhado para ele. Era caro, mas considerando que tinha capa dura e uma caixa em volta... E que estava recomendado para ler esta semana... Trouxe-o. Valeu a pena? Sim!

O manga é muito denso e bastante difícil de "entrar", mas à medida que se desenvolve torna-se numa história surrealista que se resume muito simplesmente: é a auto-descoberta de uma criança e o seu crescimento, ilustrados por uma metáfora visual.

Yuki é uma criança inadaptada que acredita em monstros escondidos pela escola. A sua estranheza é-nos colocada em perspectiva por Makoto, um rapaz "normal" que se tenta aproximar de Yuki e compreendê-lo. Como moderador temos Ganz, um senhor velhote que toma conta do jardim da escola. É Ganz quem informa o leitor de que Yuki não está, efectivamente, maluco: é um processo normal das crianças e ele já viu muitas a quem aconteceu o mesmo. Finalmente, o personagem mais misterioso do grupo: I.Q. É um menino que é muito inteligente, gosta de coelhos e vive com uma caixa na cabeça. Acredito que este personagem seja outra criança incompreendida, como Yuki, mas que a caixa não seja real: a caixa é uma projecção do isolamento de I.Q., e a caixa vai crescendo e ficando negra até que no fim, depois de passarem pela "porta" se percebe que a caixa não é necessária. Existe a teoria de que I.Q. não é real, mas dado que ele aparece a interagir com quase toda a gente daquela escola não creio que ele seja uma alucinação colectiva.

Agora, o ponto mais interessante deste manga é a percepção de Yuki da realidade, que vai ficando cada vez mais abstracta, dando um toque de surrealismo profundo à narrativa. Aliás, já desde início a narrativa é estranha e um pouco perturbadora. Note-se que o "ruído de fundo" (isto é, o texto) é quase todo palavras de crianças e crianças a brincar. Se "ouvirmos" isto, como se estivéssemos a ver e não a ler, o efeito é estranho e torna a leitura um pouco desconfortável. O que faz parte do ambiente global da obra, a meu ver.

A arte é diferente do manga que eu costumo ler (considerando que eu costumo ler manga), com traços muito fortes, muito preto e muito branco. À medida que as estações - capítulos - passam, as texturas vão ficando mais vívidas e detalhadas, o que também pode representar o crescimento de Yuki em relação ao mundo que o rodeia. Por outro lado, pode também representar a sua alienação crescente. Existem painéis com um gosto artístico retumbante. O que mais me impressionou foi aquele quando Yuki entra na sala de aula e todas as pessoas têm orquídeas em vez de cabeças. É estranho, mas é belo.

Acredito que valha a pena ler este manga, apesar de eu não ter compreendido em profundidade o que se passava. A minha interpretação peca por ser muito básica, mas eu própria sou muito básica. Ainda assim, leiam e vejam por vocês próprios.

16.5.13

The King of Elfland's Daughter

The King of Elfland's Daughter
Lord Dunsany
1924
Fantasia

Por recomendação de pessoas que sabem (ou deviam saber), comprei este livro para oferecer à minha amiga Fifi pelo seu aniversário. Assim, este post só será publicado quando ela tiver o livro em mãos, para não haver spoilers. Não que ela siga este blog, mas mesmo assim é melhor prevenir do que remediar.

Ora bem, passa-se que este livro foi escrito antes de o género "fantasia" estar estabelecido. É um clássico e um pioneiro do género e, por isso, tem um grande valor histórico. Recomendo vivamente que todos os fãs de fantasia pura e dura, que vêm invadindo as minhas redes sociais com os seus vampiros e os seus elfos, as suas batalhas épicas e os seus dragões, recomendo-lhes que leiam isto. Porque não tem nada do que a fantasia moderna tem e consegue ser mil vezes melhor.

Não posso dizer que tenha adorado ler este livro. Escrito à início do século XX, é uma leitura um pouco densa e com vocabulário rebuscado que por vezes me dificultou a vida. No entanto a minha apreciação final é muito positiva. É um livro que só se aprecia depois de o terminarmos, um livro que se saboreia. Como diz Neil Gaiman na introdução desta edição, é como um copo de vinho. E para quem está habituado a beber coca-cola, pode cair um bocado mal ao primeiro golo.

Os personagens estão muito bem definidos e são muito divertidos. O meu preferido foi o troll Lurulu. Mas o que é verdadeiramente espectacular são as descrições. Não se ficam por ser vívidas, são mais do que detalhadas e têm nelas uma certa magia. A inocência da narrativa é quase nostálgica, como uma história contada a crianças à lareira. Aliás, é um excelente livro para ler a crianças, contando que se encontre uma boa versão em Português.

Não tenho ideia se a minha amiga vai gostar ou não, porque é um livro bastante diferente da fantasia a que estamos habituados. Mas é sem dúvida uma excelente adição a qualquer biblioteca.

Shuffle!

Shuffle!
Hosoda Naoto - Xebec
Anime - 24 Episódios
2005
6 em 10

Outra vez, outra vez, mais um harem na calha, mais um harem para eu ver, mais uma coisa para me aborrecer. Já me começo a arrepender de ter feito esta Plan to Watch list baseada nas recomendações de um grupo de pessoas que não sabe o que está a fazer.

Shuffle! não passa da normalidade. Temos um rapaz (com uma voz que não está nada adequada ao seu design), temos uma amiga de infância, temos uma senpai e temos dois elementos alienígenas: a filha do rei dos deuses (orelhas em bico) e a filha do rei dos demónios (orelhas menos em bico). A série, ao incluir estas duas pessoas, tinha alguma potencialidade de se tornar interessante mas não podia deixar de se limitar ao vulgar. Não há novidade destes bichos em relação ao mundo que os rodeia, nem do mundo em relação a eles, agem como duas estudantes do secundário perfeitamente normais. Nada as distingue do resto do harem, fora as orelhas bicudas.

O anime desenvolve-se sistematicamente, sem interesse para quem vê. A menos que quem veja seja frande fã de meninas com cabelos às cores, pois metade da série são episódios dedicados a cada uma delas. Circa episódio 14 temos um bocadinho de história, que culmina numa declaração, seguida de cerca de três episódios de dilema existencial que são quase interessantes. Isto para dizer que Shuffle! não se separa do género de nenhuma maneira e ver isto ou ver outra coisa qualquer é quase a mesma coisa. Não tem tanta comédia nem ecchi exagerado, mas nada se cria, nada se perde, nada se transforma. Nada é como dizia Lavoiser.

Compensa a arte, que é muito limpa e brilhante. As personagens estão bem proporcionadas, sem existirem os exageros que fazem pecar tanto anime de harem. Os uniformes são interessantes e não são só os cabelos (um de cada cor) que distinguem as várias meninas. A pequena animação com gatinhos inserida nos intervalos dos episódios é um elemento engraçado e original.

Musicalmente nada a apontar, quase todas músicas que já foram usadas centenas de vezes e recicladas atrás de cada reciclagem para todos os animes, harem ou não.

Não considero que valha a pena perderem tempo com este anime, mas se forem o tipo de menino que sempre ambicionou estar na situação do personagem principal talvez o apreciem.

15.5.13

Ghost in the Shell - Solid State Society

Ghost in the Shell - Solid State Society
Kamiyama Kenji - Production I.G
Anime - Filme
2006
6 em 10

Eu sou grande fã de GitS. Qual o meu espanto quando descobri no meu clubezinho que me faltava ver um filme! Infelizmente, desapontou-me.

Dois anos depois de Stand Alone Complex, Motoko já não está presente e Togusa tem uma posição de liderança dentro da Section 9. Começam a investigar um caso de crianças raptadas e a misteriosa Solid State Society. Depois de algumas reviravoltas, Motoko aparece para solucionar tudo com o seu talento para penetrar em cérebros alheios. Agora, a parte questionável deste filme é que toda a história é bastante previsível, à medida do seu desenrolar. Também lhe falta o ambiente negro cyberpunk a que nos habituámos no resto do franchise. Os personagens poderiam ter tido algum tipo de desenvolvimento mais completo, sobretudo no que respeita à interacção de Togusa com Batou (juntamente com a Major, os meus personagens preferidos), que estão colocados em posições no estrato militar inversas ao que se passava anteriormente. Isso poderia ter provocado algum conflito, que não foi suficientemente explorado.

A arte não está especialmente boa, sendo os únicos momentos dignos de nota aqueles que envolve tachikomas. Aliás, o seu regresso não pareceu fazer grande sentido, já que - se bem nos lembramos de Stand Alone Complex - o seu satélite da inteligência artificial tinha sido destruído num acto de suicídio altruísta. Assim, eles não deveriam existir (pelo menos da mesma forma) e tinha-me parecido muito bem que eles fossem substituídos por uchikomas. Eu gosto muito de tachikomas porque são muito fofinhos, mas aparentaram estar aqui para fazer gosto aos fãs. O CG é usado com parcimónia, sobretudo nas perspectivas de edifícios, mas nota-se bastante e destoa.

A música, cantada numa língua desconhecida qualquer vinda algures da Europa de Leste, soa demasiado a pop e não se conjuga com o ambiente de Ghost in the Shell.

Mas o que mais me desapontou neste filme foi a total ausência de questões implícitas, aquelas questões que nos fazem pensar e que nos deixam sem dormir durante pelo menos um bocadinho. É essa a essência de GitS e este filme não lhe faz jus.

p.s. Eu Amo-te

p.s. - Eu Amo-te
Cecilia Ahern
2004
Romance

O título parecia fofinho. Eu vou muito aos livros pelos títulos, apesar de tudo (e apesar de ser errado). Ora bem, o que é que se passa neste livro: existem duas almas gémas, Gerry e Holly. E vivem muito felizes até ao dia em que Gerry tem um tumor no cérebro e morre. Triste. Holly fica despedaçada, até que descobre que ele deixou um souvenir: uma carta por cada mês do ano, a dizer-lhe o que fazer. Coisas muito variadas.

Variadas mas muito pouco, digamos... Complexas. A maioria são coisas triviais, o que me parece um pouco estranho como desejo de pessoa que está prestes a morrer.

O livro tem muita comédia, a pândega de Holly com as suas amigas malucas, intercalada com muitos momentos tristes de reflexão e depressão. No entanto as brincadeiras das amigas pareceram-me tão pouco providas de sentido que não lhes achei piada nenhuma. Além disso, esses momentos quebram com os de depressão e, assim, foi difícil de me identificar com a personagem e com os seus sentimentos. Também não ajuda nada que a personagem principal não tenha qualquer resquício de personalidade. É uma personagem totalmente vulgar, sem nada que goste de fazer, sem nenhum passatempo, sem nenhum nada, a vida dela era o marido. E isso é triste e dificulta o processo de viver sem ele.

No entanto, o livro pôs-me a pensar... E se me acontecesse o mesmo? Os maridos e as esposas, morre sempre um primeiro, se morresse eu primeiro ele ia ficar triste, se ele morresse primeiro... A vida tinha de continuar? O meu avô morreu muito jovem e a minha avó nunca se voltou a casar. Acho que é precisa muita paixão.

14.5.13

Gate Keepers 21

Gate Keepers 21
Watanabe Takashi - Gonzo
Anime OVA - 6 Episódios
2002
6 em 10

Com Gate Keepers 21 celebramos o post quatrocentos e um do Não me Apetece Estudar! Em breve faremos aniversário outra vez e prepararei algumas prendinhas para vós... Se bem que no ano passado não consegui oferecer todas, porque duas das pessoas (Atlantida e Diana Tinoco) não me responderam ou, quiçá, não receberam a mensagem. Se virem isto por favor contactem-me para vos dar os vossos prémios! Para mais informações, consultem o post do Dar Embora. :)

Mas falemos deste anime, que é muito interessante.

Esta Tóquio está a ser atormentada por umas criaturas, os Invaders. Eles infectam as pessoas e estão a tentar infectar toda a gente, como um bom vírus o deve fazer. E aí aparecem-nos os Gate Keepers, pessoas que têm o poder de abrir  as Gates (ou usar Gates artificiais por telemóvel) e destruir os Invaders, por forma a reaver a pessoa que eles foram em tempos. Isto é, meninas mágicas. Pois é, quase dez anos antes das Megucas já tinha havido uma desconstrução do género! E como são só seis episódios, eu diria que não perdem nada em vê-lo, não para comparar mas para observar como se podem fazer duas coisas tão diferentes com o mesmo objectivo (e níveis completamente diferentes de hype). Infelizmente, a história acaba por cair no cliché no último episódio e existem várias coisas por explicar. Isto é uma sequela, se bem que dizem que pode ser vista sem se saber nada do Gate Keepers original (foi o que eu fiz, porque não sabia que isto era uma sequela), pelo que podem haver elementos que foram explicados antes e que se perderam aqui. Coisas como, o que são os Invaders exactamente, o porquê da motivação da Rapariga Fantasma, o que são as Gates, até mesmo "porque é que a personagem principal usa óculos sem graduação", são coisas que teriam dado mais conteúdo ao conceito.

Nota dez para os voice actors, que caracterizaram perfeitamente a personalidade dos personagens. A personagem principal é muito interessante, com uma certa vertente "noir" no seu pessimismo e aborrecimento para com a vida, mas o desenvolvimento cai no lugar-comum do "temos de ser amigos para vencer o mal". Já Miu (nome fácil de decorar) tem um desenvolvimento bem mais interessante, passando da menina atrasadinha para uma pessoa com medos e fraquezas, que tem de os ultrapassar para conseguir sobreviver.

Existem alguns momentos de grande animação, sobretudo as lutas da moça que tem as espadas. Também existe uma perseguição de carros e muitas explosões. Isto será do agrado da maioria dos fãs de anime, que já percebi que gostam muito de lutas, e a verdade é que se encaixa bem no anime. A tonalidade escura dada às lutas adiciona à melancolia da personagem principal, se bem que alguns gags comédicos destoam bastante do teor impresso à série inicialmente.

A música também destoa muitas vezes. Gostei da primeira OP, pois é sonhadora e melancólica, sugerindo esses sentimentos ao anime.

No geral acho que vale a pena, porque não é tempo perdido.

11.5.13

Anicomics 2013

Anicomics 2013
Evento
Olá boa noite. Digamos que já cheguei a casa há algum tempo mas, devido a certo imprevisto, gastei esse entremeio a preparar certa coisa para remediar certo imprevisto. Agora, antes de me ir deitar que amanhã acordo cedo para continuar os remedeios, vou falar-vos um pouco deste evento, decorrendo neste fim de semana que se está passando.

A Anicomics é a convenção portuguesa, ou pelo menos lisboeta, que tem uma grande força no cosplay mas cuja vertente é mais dirigida aos comics. Este ano apresentou-nos um horário recheado de coisas interessantes. Isto é, interessantes para quem se interessa por BD. Eu interesso-me, mas não acompanho a situação, pelo que todos os lançamentos me passam ao lado. Gostaria de ter assistido ao debate de sábado, coisa que não foi possível. Vejamos o que nos espera amanhã.

Tive medo que este ano, devido a maior afluência, não se pudesse estar na Biblioteca Orlando Ribeiro, o lugar habitual e já bem conhecido deste evento. No entanto a estratégia deste ano resultou maravilhosamente: abriram a biblioteca inteira. Assim tínhamos um auditório (e eu adoro o palco deste auditório), um foyer com a APC e o seu ponto de ajuda, a loja da Kingpin - única, o que só faz sentido pois este evento é da Kingpin - na rua e depois no outro edifício da biblioteca uma zona de jogos, jogos de tabuleiro e zona de artistas. Encomendei dois desenhos, que me esqueci de ir buscar (espero que estejam lá amanhã...) e amanhã irei procurar um phone-strap para a minha colecção.

Vejamos portanto o

Primeiro Dia

Cheguei bastante cedo, para pode tomar o pequeno almoço. Mas pequeno almoço e dois cafés depois ainda a porta não estava aberta e a fila já começava a engrossar. Felizmente avançou bem rápido assim que se abriu o portão.

Fui imediatamente para o workshop a que queria assistir mesmo: argumento de BD. Aprendi muitas coisas e espero que agora possa desenvolver alguns projectos (com alguém que não vai ler esta missiva mas de quem gosto muito). Quis falar ao orador um pouco sobre um dos projectos, e enviarei um mail quando tiver limado algumas arestas com os conhecimentos que obtive, mas ele não me ligou nenhuma. Fiquei com pena. Este workshop foi bastante longo e eu fui-me embora antes da conclusão propriamente dita. Tinha coisas que fazer, mas na realidade o que me atormentava era uma fome danada já com fraqueza incluída.

Por isso fomos comer. Estive acompanhada todo o dia pela Hota-chan, que fazia de Misa para o meu cosplay de Light (ou vice-versa. De Death Note, a quem não saiba) e pelos seus amigos informáticos. Comemos pizzas, mas demoramo-nos tanto que acabámos por perder outro workshop a que nos tinhamos inscrito, o de perucas. Espero que não tenham ensinado muitas coisas que eu não saiba e peço desculpa, se a oradora ler, por não termos estado presentes. Mas estávamos a comer, coisa que é muito mais importante a meu ver.

Ah sim, o cosplay. Pois que fui reciclar o meu primeiríssimo cosplay, para acompanhar a Hota. Fomos participar no concurso de cosplay, que nos ocupou a tarde toda. Ora, eu vi muita gente olhando de ladex para mim, sobretudo outros cosplayers de Lights e de Misas. Fique-se sabendo aqui publicamente que este é o meu mais totalmente cagativo cosplay. Foi todo comprado no Chinês, a peruca veio de uma loja de máscaras e consequentemente não é tão exacta como o desejado. Ainda pensei em comprar uma nova, mas como isto não é cosplay que eu use ou vá usar muitas vezes esta serve perfeitamente. Eu nem sequer gosto muito de Death Note. Mas se quiserem saber mais sobre este cosplay, consultem o meu Cosplay Portfolio, é logo o primeiro. Enfim, eu até pensei em levar mesmo para a caricatura e fazer um Light traveca, de salto alto e brincos. Mas a Hota não me deixou. Contas feitas, com o nosso skit de comédia intitulado "Mata a Troika!", fomos apuradas para a final. É esse o imprevisto.

Nós não preparámos nada para a final.

Tinhamos uma ideia do que gostávamos de fazer, por isso estive agora a editar o vídeo. Mas não ensaiámos. Passaremos o dia de amanhã no jardim a fazê-lo. E eu também vou participar no Eurocosplay, pelo que terei de mudar de fato. Vai ser bonito, vai.

Mas mais tarde, quando estiver tudo online, comentarei os sukitos um a um e falarei melhor sobre o nosso. :)

Cheguei a casa para tomar banho e fazer isto, com apêndices peitorais a saltar para fora das ligaduras por tudo quanto era lado (faz muita comichão e estava um calor que não se podia no backstage, foi um sofrimento usar este fato que agora jaz num cabide todo fedorento)

Mas ainda se passou bem a tarde no backstage, sempre na conversa desregulada com as várias pessoas que nos rodeavam. Amanhã é que vai ser o caos, marquem as minhas palavras.

Spoiler: o skit vai ser trágico.

Fotos do Primeiro Dia
(as preferidas)



 Da exposição de Banda Desenhada, este foi o meu painel preferido. Porque wtf, é uma baleia com cara de pessoa. Acho que amanhã vou deixar a mão-de-vaquice de lado e comprar uma prendinha para o bói, dos comics que lá estavam.


 A Hota, vejam como é giro o fato dela!






Desculpem lá isto hoje não ter tanta piada como é costume, mas estou mesmo assassinada da mente e preocupada com o que se vai passar amanhã. Eu depois vou colocar um link de download com as fotos todas em melhor qualidade (o máximo que a minha capacidade de fotógrafa permite). Queira Gackt, há-de correr tudo bem! Até amanhã!

A nossa foto parva de Sábado 8D

Segundo Dia

Pois que a minha mãe me deu boleia, pois eu estava carregada que nem um macho (macho da mula, claro). Encontrámo-nos às nove e meia da manhã para ensaiar, com tempo de cravar um penso rápido à Shing porque a Hota se arruinou pelo caminho.

Fomos para o jardim e decidimos, com ajuda da letra, as nossas marcações para a música do skit deste dia. Como disse ontem, escolhemos fazer uma coisa mais séria e trágica para este skit, uma coisa conceptual. Explicarei melhor quando falar sobre o vídeo, nos meus habituais comentários. E o jardim até era agradável, fora pistas de fluídos pouco recomendáveis que encontrámos por acaso. Yuck, sífilis.

Depois, concurso de karalhoke. Se aparecer o nosso vídeo por aí coloco-o aqui em baixo, mas digamos que não correu tão bem como esperávamos. Usámos uma música do anime Natsu no Sora, mas como é um anime um pouco obscuro (e mais obscura era a insert song sobre alforrecas que usámos) não conseguimos encontrar o audio sem vocais. Ainda pensei em separá-los eu, mas esta música não tem muitos baixos, por isso não ia ficar bem. Assim, a nossa voz não se ouvia muito. Eu só ouvia a Hota e ela só me ouvia a mim. Ainda assim acho que não cantámos mal. Eu não sei cantar e os fumos mataram-me a voz, só consigo cantar graves e os agudos matam-me. Por isso escolhemos esta música, porque era fácil para mim (e porque é muito gira!). Assisti a grande parte do concurso e só tenho uma coisa a dizer: não escolham músicas que não têm capacidade de cantar. Se não chegam aos agudos, não cantem uma música cheia deles. Se não têm boa dicção, já sabem. Achei que a moça que ganhou, que começou logo por dizer que estava muito nervosa, cantou muito bem, apesar de ter falhado uma ou outra vez (precisamente por estar nervosa, sacam?). Mereceu muito. Para a próxima escolhemos José Cid uma música que toda a gente conheça e que seja a Cabana Junto à Praia tenha uma versão instrumental disponível.


Mas a brincar a brincar, com uns jogos que eles estavam a fazer antes do concurso, atrasou tudo e quando fomos almoçar já era uma e vinte. Consequentemente, mais uma vez!, não conseguimos ir ao workshop que queríamos! Este é que era o de perucas, ontem (enganei-me) era o de maquilhagem. Daaamn. Por isso fomos logo para o backstage, onde pus a fatiota de Meroko e nos pusémos lá num canto mais escondido a ensaiar. Desta vez com música! Se soubessem a nossa luta... O formato do vídeo não funcionava no telemóvel da Hota, depois não tinhamos wireless para o sacar outra vez, conseguimos finalmente sacar a música dentro do auditório. Mas ao menos tinhamos música para ensaiar, viva!

Ah, uma nota ligeiramente desagradável. Descurti fenomenalmente a atitude da moça que estava a apresentar as actividades no auditório, nomeadamente o concurso de karalhoke. "Ah, eu não tenho pachorra" não é coisa que se diga. E "visitem o nosso site que ainda não existe" só atrasava mais e mais as coisas. Fique registado que disseram o nome da coisa deles uma montanha de vezes e que eu não o memorizei. Qualquer coisa project. Tisana Project? Para a próxima escolham um nome mais fácil de lembrar.

Passámos o resto do dia, essencialmente, dentro do backstage. Antes de ir para lá apanhei os meus dois desenhos e comprei um phone-strap que é um gato com um guizo lá dentro. Assim, o meu espólio são dois desenhos, o phone-strap e o manga de Gogo Monster (que estava um bocadinho pequenino muito caro, mas que eu não resisti a comprar por ter sido recomendado como leitura semanal no meu clube elitista). Vejam os meus desenhos!

 Ora, esta moça foi a que desenhou o meu António no Iberanime. Quando vi que estava a vender um Ricárdio (Cárdio porque é um coração, de génio!) pedi-lhe um. Mas havia uma promoção! Um Ricárdio e uma Avestruz, um Ricárdio em cima de uma avestruz ou, no meu caso, uma avestruz em cima de um Ricárdio! E aí estão eles! Que fofinhos!

Gostei dos desenhos desta moça, então pedi-lhe um, uma coisa que ela quisesse desenhar. Como não tínhamos ideias (eu só me lembrava do Yang Wenli, quem é que sabe quem raios é o Yang Wenli?) ela mostrou-me uns egípcios num bloco e eu disse "então desenha aí um gajo muita bom!". Confere <3

Fica o recado de que eu acho que vocês deviam vender estes desenhos mais caros.

Perontes, backstage, vestir, começa a fase em que eu começo a ser mal-criada e a dizer palavrotes, como cócó, penís e rabinho e etecoetara. Perdão.

Eu era a terceira no Eurocosplay e acho que não me correu muito bem. Darei mais detalhes no vídeo (esperemos para quando estiverem todos online). Estava toda a tremer de nervos, as coisas não se desenrolaram (literalmente) como eu tinha ensaiado, estava com uma dor de dentes associada a dores de cabeça (por causa da bandelete do meu chapéu, que é muito pequena e me aperta a cabeça), enfim, tudo errado. Mas fiz o skit que queria fazer e publicitei o que queria publicitar, que era a Revelação, a nossa música.

Mudança super-sónica de fato, não tive tempo de fazer o binding nem de me voltar a maquilhar.

Somos as segundas da final do concurso de cosplay normal. E, ao contrário do anterior, estava numa paz completa e absoluta. Senti-me muito bem e acho que correu bastante bem. Cada vez que olhava para o ponto mais em baixo via um jovem a fazer-me sinalefas de que estava a correr bem e ainda me senti mais motivada. Fiquei com pena que a música não tivesse sido reconhecida imediatamente. Esta música foi-me mostrada por um amigo próximo (o mesmo que gravou a voz do Light no Mata a Troika! e que fez a música da Revelação comigo, ou eu com ele aliás) e pensei logo que era perfeita para o Light e para a Misa. Mas mais considerações virão mais tarde, vou manter-vos no suspense! 8D Não ganhámos nada, mas o essencial é que tivemos a oportunidade de fazer este skit, que já estava na nossa mente e que achámos que nunca seria possível de concretizar. E só por isso valeu a pena!

Assim que saí mudei logo para roupas civis. Estava assassinada de calor e dores nos pés. Ainda esperámos bastante pela entrega dos prémios. Curioso, mas justo, que todos os prémios foram atribuídos a pessoas que fizeram o seu próprio fato.

Mas passou-se bem o tempo no backstage, converseta com os concorrentes e com o pessoal que ia fazer o show de cosplay dos "escolhidos" (hohoho).

Depois veio a minha mãe outra vez buscar-me, não tive tempo de me despedir de ninguém... Desculpem! E agora, depois de um longo banho, um longo lanche e um longo jantar, venho partilhar as fotos que tirei. Hahaha!


Fotos do Segundo Dia
(as preferidas)

 O nosso espaço de ensaio. À esquerda a minha tralha, ao centro Hota a tentar por a música a funcionar.


 Foto conceptual do dia.



 JOJOOOOO

 A moça dentro do bicho.






DOWNLOAD PARA AS FOTOS DOS DOIS DIAS
Muitas delas muito más, começo a perceber que não funciono bem com pouca luz.

Mas uma coisa que concluí... Estar nos concursos faz-nos perder grande parte do evento. Havia montes de coisas interessantes nesta Anicomics e eu só vi uma delas, porque tive de me focar nos concursos o resto do tempo (e em almoçar). É um pequeno dilema... Agora, esperemos pelos vídeos dos skits, que serão muitos, imensos. Mas eu vou comentá-los a todos! =D

A nossa habitual foto, para Domingo.
 
Variados Comentários sobre Outras Coisas

Uma semana depois do evento, ainda esperando pelos vídeos (a Stephy - moça que tinha as asas de borboleta no Eurocosplay - prometeu que os ia por, mas já estou com vergonha de lhos pedir tantas vezes por isso vou ser paciente e esperar que nem um ser humano que espera: a ler um livro), já deu tempo para pensar em algumas coisas e fazer alguns comentários sobre coisas que falharam na descrição sumária do evento que fiz em cima.

Falemos primeiro dos voluntários. Eu admiro estas pessoas, a sério. Sabem aproveitar o evento de outra forma: trabalhando nele e contribuindo para o bem-estar de todos. Lidei com três categorias de voluntários e (quase) todos fizeram um bom trabalho. Na cabine de som, estiveram sempre a entreter-nos em grande. Claro que PSY acaba por ser ligeiramente repetitivo depois dos primeiros cinco Gentlemans, sobretudo porque eu não sei a coreografia. Mas esperem, a coreografia é só por a mão no queixo e fazer cara de PSY. Mas eu não a sei, logo não a danço, logo urr. Em compensação, no backstage estavam sempre a dançá-la, voluntários ou não. As voluntárias que lá estavam ajudaram-me q.b. na mudança dos fatos, gráçadeuz, e aguentaram bem os meus maus-tratos disfarçados de sarcasmo, sempre habituais quando me encontro numa situação de stress (agora imaginem uma cirurgia, em que está toda a gente assim: "laqueia-me a puta da badana!", "não vejo a ponta de um corno (uterino)", "merda do bicho, cheio da sangue!") No entanto às vezes pareciam estar muito ausentes, todas sentadinhas a conversar umas com as outras, quando na Anicomics eu estava habituada aos mimos que eram ter sempre alguém disponível para arranjar um copo de água. Variações irrelevantes, enfim. Finalmente, o pessoal que estava na banca da Anicomics. Atenderam-me duas pessoas, uma rapariga e um rapaz. A rapariga foi bem mal-criadota para mim. Eu pergunto sempre "tem algum manga que seja volume único?" e ela ficou um bocado atarantada enquanto procurava dizer que não - o que significa que não fazia a mínima. Então eu vi um! O Gogo Monster, que comprei mais tarde! E disse "olha, está aqui um afinal!" e ela "ah mas esse não é volume único, é só um volume porque é especial *embrulha-se toda porque não fazia a mínima*" Ok, então se é assim e é assim tão caro não o vou comprar. No Domingo voltei e ele ainda lá estava, atendeu-me um rapaz. Este foi muito mais simpático, quando eu comentei o preço ele disse logo que tinham multibanco e isso convenceu-me a comprar. A sério pessoal, quanto mais simpáticos forem mais me (nos) convencem a comprar! Nem que seja pelo complexo de culpa "oh, esta pessoa foi tão simpática que tenho de comprar nem que seja um gachapon".

Que não havia, o que me leva a outro ponto: a parte comercial. A zona dos artistas foi uma excelente novidade, porque estava muito completa, mas a loja da Kingpin, que eu estava à espera que fosse a principal, foi desapontante. Manga obscuro só o que eu comprei, manga de volume único só o que eu comprei. Pessoalmente, quando compro manga em eventos não estou com desejos de começar uma nova colecção. Costumo comprar um stand-alone (fica sozinho) ou, no caso raro de haver, algo de uma colecção que eu já tenha começado ou que esteja nos meus planos. De resto, a variedade era parca. Muito poucas Action Figures e demasiados peluches, todos das séries populares. O que faz todo o sentido, porque sendo populares é o que mais pessoas gostam e, logo, é o que as pessoas compram. Mas o que mais me desgostou foi a total ausência de gachapons e a pouquíssima variedade de phone-straps na zona dos artistas. Fique a nota: tragam sempre os gachapons, porque são a coisa mais divertida de se comprar!

Mas bem, o que se passava de música, fora a Gentleman? Vou ser sincera: não reparei muito. Fora a música das Navegantes da Lua/Dragon Ball/Sakura, eu desconheço todas essas OPs de anime de que as pessoas tanto gostam. A sério, música japonesa tem uma profundidade muito para além da OP de anime. Convenhamos que a maioria são muito juvenis. Acho isto defeito de todos os eventos, estarem sempre a passar estas músicas sem piada nenhuma. Se eu mandasse, não só passavam os remixes do Amália Revisited, estavam sempre a passar Yellow Magic Orchestra.

A Hota diz que isto é uma questão de maturidade, que eu já cresci e que entretanto deixei de gostar das musiquinhas que me fascinavam há 10 anos atrás. Não creio que seja verdade, eu ainda gosto de Red Hot, Gabriel o Pensador e The Corrs (que era o que eu ouvia há 10 anos atrás juntamente com bandas sonoras de filmes da Disney. Ainda não tinha descoberto a existência dessa entidade que é o "Leitor de MP3") E falando de maturidade, o que me dizem do Caso do Tartaruga Genial Tarado? Pois é. Um cosplayer deste personagem, que todos recordamos como um pouco necessitado, decidiu abraçar as suas necessidades e pedir a diversas meninas que o deixassem apalpar-lhes os... Seios. Mamas. Blubblublub. Chegou a pedir à Hota, que ficou demasiado chocada. Não chegou a pedir-me a mim. Sorte a dele, que eu sou uma pessoa manifestamente violenta. Enfim, sobre isto eu acho muita coisa, mas para evitar uma chuva de ódio neste espaço vou apenas citar a conversa que tive com o pessoal:

Eu - Sabiam que houve um gajo mascarado de Tartaruga Genial que foi pedir às miudas para lhes apalpar as mamas? Miúdas pequenas e tudo!
Namuraduh - Não se meteu contigo pois não?
Eu - Não, teve sorte.
Dejepê - Haviam era de o apanhar com a miúda errada e mandar para a polícia
*dia seguinte*
Namuraduh - Fui ver o vídeo do gajo das mamas, o gajo é pedófilo, havia lá miúdas que não tinham mais de doze anos!
Eu - Então se calhar até podemos mandar esse para a polícia ^__^
 Enfim, depois ainda vêm com o "Respeite o Cosplayer" (Brasil) e o "Cosplay is not Consent" (Américas) e tal. Eu também tenho opiniões estabelecidas sobre isso, se estiverem interessados em ouvir talvez até faça um post de opinião. Estão?

Mudando de assunto, que estes assuntos são desagradáveis e não quero ter aqui ninguém desagradado nos meus comentários, que acharam vocês dos jogos? Vi consolas, sempre cheias, mas dessas não percebo. E vi um salão enorme com os jogos de tabuleiro... Gostava de ter ido jogar, mas estive sempre ocupada com o cosplay. Espero também que o Grupo de Roleplayers de Lisboa tenha tido sucesso! É a minha sina, calham sempre eventos de anime nos dias das sessões mensais e nunca posso ir...

Tive também muita pena de não ter podido ir a quase nada do que estava marcado no programa. Além dos workshops a que faltei (mais uma vez, peço desculpa por me ter inscrito e não ter estado presente, não tinha previsto que as coisas se atrasassem com o almoço) gostaria muito de ter assistido aos debates, ao lançamento da BD Superpig e aos prémios dos autores de BD - contando que mostravam o que eles tinham feito, hah. Já li, durante esta semana que passou, muitas reclamações em relação ao programa, mas eu achei que estava muito completo e muito interessante. Creio que os reclamantes estavam à espera de um evento diferente, mais ligado ao anime. Mas a Anicomics é um evento de BD e Cosplay. Seria o mesmo de reclamar por não haver uma tenda com pauliteiras de Miranda numa festa de trance (se bem que até era uma ideia engraçada)

Para finalizar este espaço de comentários randómicos, gostaria de parabenizar a Associação Portuguesa de Cosplay (APC e não ACP) pelo seu excelente trabalho na organização dos concursos e do show (que irei comentar assim que estiverem disponíveis online) a fazer outras coisas que não foram os concursos nem o show, que esses afinal foram todos pela mão da Anicomics (eu confundi-me porque vi lá atrás pessoas da APC a trabalhar e pensei que estivesse tudo interligado) e também pelo seu espaço SOS Cosplay, que pelos vistos ajudou umas dezenas de pessoas com os seus fatos. Acidentes acontecem sempre e ter material para arranjar as coisas, além de pesssoas que as sabem arranjar, é uma mais valia muito grande. Ah, também deu muito jeito ter lá as meninas da Benefit para nos maquilhar (a mim deram-me umas sobrancelhas novas). É uma marca de cosméticos muito boa e o facto de estarem lá a ajudar trás grande publicidade. Pena é ser tão caro (um dia, quis comprar uma base...)

Enfim, uma semana depois considero que foi um evento bastante bom. Dizem que o espaço não estava adequado a tanta gente, mas porque é que tanta gente quer ir ver o Eurocosplay para depois reclamarem que eram só meia dúzia de pessoas? Somos sempre, já deviam estar à espera! Sorte a vossa que não foram naquele ano em que éramos só três! Também ouvi dizer que houve muita gente desagradada com a criançada aos gritos. Pessoalmente, já me habituei. Evento de cosplay equivale a adolescentes a gritar à desgarrada e a adultos que se comportam como adolescentes. Até considero saudável, somos todos pessoas que no dia a dia não podem estar no seu ambiente de trabalho a gritar "neko nyan nyan nyan" e que precisamos de libertar o nyan que há em nós em algum lado. Oh bem... Eu até posso dizer nyan no meu ambiente de trabalho, os meus clientes falam essa língua... Mas outras coisas como "JOJOOOO", precisamos todos de um lugar onde as dizer. Antes irritava-me, hoje em dia compreendo e estou em paz com o jojonyan que há em todos. O truque é estar em paz. Se estiverem em paz, encontram a paz em todo o lado. :)

E agora, até daqui a uns dias (ou semanas?), até aparecerem os vídeos que eu tanto quero! Até já!