30.1.13

Django Unchained

Django Unchained
Quentin Tarantino
Filme
2012
9 em 10

Tinha uns bilhetes grátis para o Fonte Nova, por isso vá-de ir ver o filme do Tarantino antes que seja tarde demais. Se bem que já se viu que eu de filmes percebo patavina por isso até devia deixar de lhes dar notas, se calhar é mesmo isso que faço, mas ainda posso comentar não posso? Acho que posso, se não puder olhem não sei.

Ora bem, eu - percebendo patavinécias - sei do Tarantino uma coisa: ele curte bués do sangue. Então até estranhei o filme porque estava com níveis muito baixos. Mas depois passa-se tudo e entrega o esperado.

Isto é um western à moda antiga, mas em vez de ser passado com os cowboys é passado com um escravo, o Django. Ele é comprado por um caçador de recompensas, homem bem simpático, e depois mete-se na aventura de ir salvar a mulher dele, uma outra escrava.

E o filme está mais ou menos próximo do perfeito, sempre com aquele pequenino sarcasmo do Tarantino por todo o lado. Imagens bonitas e interessantes, música feita especialmente para o ambiente que se quer transmitir. Os personagens são o melhor, cada um mais bizarro que o outro mas todos muito fortes e sólidos. Os actores fazem um trabalho estonteante para transmitir a especialidade dos seus personagens.

O ritmo está muito bem conseguido, sem um único momento em que se perca a atenção. É um filme longo, mas manteve-me agarrada até ao fim.

E não percebo porque é que a "comunidade negra" dos Estados Unidos se revoltou tanto com este filme. É um filme contra a escravatura! O herói é um preto que se passa contra a opressão dos brancos! É uma coisa boa! Deviam voltar a vender as action figures!

A Vida de Pi

A Vida de Pi
Yann Martel
2001
Romance

Já há muito tempo que queria ler este livro. Na realidade, desde a primeira vez que vi a capa. Depois saiu o filme e o meu pai perguntou-me se eu o queria ver. Disse-lhe que o veria depois de ler o livro. Então o meu pai deu-mo! Viva!

Ora bem, Piscine Patel, vulgo Pi (3,14), é filho do dono de um jardim zoológico na Índia. Os seus pais decidem mudar-se para o Canadá e levam o jardim zoológico consigo, para o revender a outras partes do mundo. Acontece que o cargueiro Japonês em que se encontram naufraga e Pi vê-se num bote salva-vidas na companhia de uma zebra com a pata partida, um orangotango, uma hiena e um tigre, Richard Parker. Brevemente sobram apenas Pi e Richard Parker, que passam então a partilhar uma vida de náufragos no meio do Pacífico. E esta história é verdadeira.

A história de Pi é fascinante, a forma como ele conseguiu domar Richard Parker e estabelecer os seus limites e a forma como sobreviveu à custa de ver o tempo passar e ter fé. Quase que a perdeu, mas manteve-a. É inverosímil, é certo. Muito. Sobreviver sete meses a comer peixe e tartarugas na companhia de um tigre de bengala com três metros de comprimento. Aliás, há uma parte, a ilha carnívora habitada por suricatas, que torna a história muito pouco acreditável. Talvez tenha sido tudo imaginação do rapaz que esteve perdido no oceano durante tanto tempo. Mas mesmo sendo imaginação é uma história de sobrevivência para a qual todos devemos olhar com respeito.

O autor, que copia a história que lhe foi contada em primeira mão pelo próprio Pi, faz descrições belas e detalhadas dos momentos no mar. Tornam todos estes sete meses de horror numa experiência quase bonita, de tão detalhada que é. E a maneira como transmite a personalidade do personagem torna o livro ainda mais interessante e engraçado.

Fiquei descontente com o final. É certo que a verdade por vezes é simples demais para ser romanceada. O próprio Pi fica descontente com ele. Achei a adição da conversa com os técnicos Japoneses um pouco desnecessária, podia ter terminado logo na chegada ao México. Mas ainda assim...

Ainda assim uma história por demais fascinante. Gostei. Agora resta-me ver o filme e ver como transformaram isto.

26.1.13

Mahou no Star Magical Emi

Mahou no Star Magical Emi
Arai Kiyoko - Studio Pierrot
Anime - 38 Episódios
1985
5 em 10

Antes que perguntem "como é que viste isto se não há subs?": eu vi isto em Francês. Um amigo Francês arranjou-me uma torrent francesa num site francês. E foi uma aventura. Uhlala por todo o lado, uma irritação profunda. Tenho umas bases de francês suficientemente sólidas para perceber um anime como este, que é bastante simples.

Mai quer ser uma mágica. Não uma menina mágica, isso todos gostaríamos de ser, uma mágica como as do circo, aquelas das varinhas e das pombas e das cartolas. A família dela é toda de mágicos. Mas infelizmente ela não tem jeitinho nenhum. Na realidade, a miúda não tem jeitinho para nada. No entanto, um esquilo voador dá-lhe uma pulseira que a transforma em Emi: a maior mágica de todos os tempos! Temos pequenos dramas familiares, um ângulo amoroso e a vida diária de Mai que não pode revelar que é Emi mas que se transforma em Emi para salvar o dia todos os episódios.

O que mais me fez triste neste anime foi que a magia não está explicada de nenhuma forma. Todos sabemos que os mágicos não fazem magia nem feitiços, fazem truques. Mas o anime leva-nos a pensar que Emi não é mágica: é uma feitoçeira!!11 Não há explicação possível para os seus truques e isso tira muita da graça da história e do anime.

A arte, apesar de ser dos 80s, é muito má. Muito má mesmo. Temos milhentas cenas repetidas (tantas que me levavam a pensar se eu já tinha visto esse episódio antes), os designs são pouco detalhados e a animação muito fraca. Temos muitas cores, mas não funcionam muito bem devido à própria natureza das ideias para os designs.

O anime é muito musical, mas esta versão francesa estragou o que podia ser um elevadíssimo grau de entretenimento. A música é sempre, única e exclusivamente, douce emi tu est magique, emi magique, emi magique, emi magique JÁ NÃO POSSO OUVIR MAIS ESTA MÚSICA SE NÃO OS MEUS TÍMPANOS VÃO-SE TRANSFORMAR EM POMBAS BRANCAS COM DESINTERIA QUE IRÃO VOAR SOBRE AS VOSSAS CABEÇAS E ESPALHAR SANGUE POR CIMA DELAS OH MEU DEUS CALEM-SE COM A PORCARIA DA MÚSICA!! Fui ouvir a OP e a ED originais só para saber o que estava a perder e não estava a perder muito. São muito diferentes do que eu estava à espera, um pouco mais depressivas do que o verdadeiro teor da série. A menos que a versão francesa tenha alterado tudo e o verdadeiro teor da série seja levemente mais deprimente.

Enfim, mais um anime que me tira as esperanças nos 80s. Ao menos a roupa da Emi dava um cosplay giro. Que não vou fazer, porque não sei fazer truques de magia.

25.1.13

Kara no Kyoukai: Epilogue

Kara no Kyoukai - Epilogue
Iwakami Atsuhiro - ufotable
Anime - Filme
2011
  7 em 10
 
Finalmente, a conclusão para a saga do Jardim dos Pecadores. Fiz batota e saltei o filme de recapitulação, que irei ver e avaliar em breve, mas avanço desde já que Kara no Kyoukai é, definitivamente, a obra prima do início do milénio. As reviews anteriores, dos 7 filmes, podem ser encontradas aqui.

Adicionar algo, uma conclusão, a uma série que já explorou uma série de complexidades e detalhes pode ser tarefa árdua. Mas foi com leveza e simplicidade que este Epílogo foi feito. E funciona perfeitamente. 

Trata-se, apenas, muito simplesmente... De uma conversa. Uma conversa entre Ryougi Shiki e Kokuto, debaixo de uma neve suave iluminada pela artificialidade de uma cidade. Com este ambiente, que nunca muda, descobrimos mais sobre Shiki. Shiki é, sem dúvida, uma das personagens mais complexas que tive o prazer de conhecer. Esta é mais uma das suas facetas, a faceta original. Isto não retira a paixão que tenho pela personagem, não. Apenas adiciona mais intensidade, mais carne, mais sangue.

O ambiente causado pela arte de fundo e pela música podem parecer monótonos ao início, mas trazem um enfoque muito especial para a conversa que nos permitiram espiar. Neste momento da série o que interessam são as palavras. E o discurso de Shiki tem uma poesia intrínseca que não pode deixar de me fascinar.

Uma excelente conclusão. Kara no Kyoukai, recomendo a todos. Os seus defeitos são ultimamente excedidos pelos momentos altos. Uma série de filmes de uma beleza artística integral, que cobre todos os campos, arte, música, personagens, diálogo... Um essencial no mundo do anime.

23.1.13

Memórias de um Caçador de Vampiros

Memórias de um Caçador de Vampiros
Ardo Antas
2011
Romance

Ora bem, eu não gosto especialmente de fantasia. Assim, a leitura deste livro requer uma explicação. Há uns largos meses, no ano passado, ganhei um concurso da Nanothron, produzido pela Nanozine. Era um concurso que consistia em escrever a maior história possível em duas horas, com distracções como o Ninja das Caldas a passar em volume exagerado atrás de nós. Pois bem, ganhei uma série de livros, pelo menos uns 15, todos da Chiado Editora e todos de fantástico. Foi altura de os começar a ler. 

Vejamos. Logo na capa, o livro começa da seguinte forma:

Se és uma dessas criaturas infames, sugadoras de sangue, apenas uma coisa te espera:
~~~~A ANIQUILAÇÃO~~~~

O que esperar de uma apresentação destas? Pouca coisa.

Este livro é uma colecção de aventuras protagonizadas por um caçador de vampiros, Rick Chambers. Infelizmente é possivelmente o caçador de vampiros com uma Harley Davidson e botas de cowboy menos carismático do planeta. É simplesmente tão irritante. Permanentemente numa posição de "sou o máior", "já matei montes de vampiruhs", "eu tenho razão e tu não", só me deu vontade de lhe dar estaladas.

As histórias em si não são muito complexas e os resultados são bastante previsíveis. São interessantes as lendas dos vampiros criadas pelo autor, se bem que a filosofia de base da seita de Rick Chambers (não seita! Sociedade!) poderia ter sido mais explorada. Ainda assim, não sei muito bem se hei-de acreditar na pesquisa do autor para a criação das lendas. Numa nota de rodapé ele cita como fonte a... Wikipedia. Pois.

A escrita é simples, com muita acção que por vezes se torna confusa, mas houve uma coisa que me atrofiou grandemente o sistema. Ora, o livro está em Português certo? Então, porque é que os personagens dizem coisas aleatórias em inglês? Por exemplo, em vez de "sim" dizerem...

Yeah.

Ou "sempre o mesmo de sempre". Passa a

Same old Chambers.

Qual a necessidade disto?

Suponho que o sonho do autor seja tornar isto numa mini-série, mas não acredito que o vá conseguir. Talvez se as histórias se passassem no Alentejo....

Enfim, um livro para ser libertado pelo BookCrossing. Aleatoriamente, num sítio qualquer. Espero que um de vocês o encontre, ainda dá para se rirem um bocado! =D

20.1.13

1001 Nights

1001 Nights
Sonoyama Yukio
Anime - Curta Metragem
1999
7 em 10

Este é um vídeo de 20 minutos, uma ilustração a uma peça clássica interpretada pela Filarmónica de Los Angeles. É uma co-produção Japão-América e o único filme animado de uma série de "Filmharmonics", videoclips na onda de Fantasia, da Disney.

Este vídeo é bizarro. A animação é experimental ao máximo, com um estilo muito próprio, numa mistura de tradicional e CG. Infelizmente o CG não funciona nada bem. Essencialmente este vídeo é a visualização de um sonho, um sonho de amor, com componentes que podem ser confusas mas que são muito fortes. Paixão, desespero, tristeza, a felicidade final. Numa mistura de cores e texturas que saem umas das outras para um efeito contundente para os olhos.

Em termos de história não há nada mais simples e a música é apenas uma peça interpretada por profissionais. O filme existe em função da música e adapta-se a ela perfeitamente. O que interessa aqui é o visual. E o visual é merecedor de um lugar no meu Tripanário.

São apenas vinte e três minutos. Não posso deixar de o recomendar.

Tenpou Ibun Ayakashi Ayashi

Tenpou Ibun Ayakashi Ayashi
Nishikiori Hiroshi - Bones
Anime - 25 Episódios
2006
6 em 10

Pela primeira vez vou DES-recomendar um grupo de subs: Lunar. Montes de erros de playback nesta versão, horrível.

Mas adiante!

Tenpou Ibun Ayakashi etcoetera é mais um anime passado na época dos samurais (Edo), com monstros e fantasmas. Fala de um grupo de caçadores dos ditos fantasmas, que por fachada têm um grupo de estudos de literatura e trabalhos estrangeiros. É um anime muito ligado à literatura e às palavras, pelo que talvez seja mais interessante quando o espectador está familiarizado com os significados ocultos por detrás do kanji. O que não é o meu caso. Apesar de tudo, não desgostei da série.

A história é bastante simples e ao início apresenta-se como um "monstro da semana". Depois há progressão para uma história mais complexa. Dizem, quem viu isto sem erros de playback de três em três minutos, que a história a partir do meio foi apressada e que não funciona bem, dado que isto era suposto ter sido uma série de cinquenta episódios. Terá sido reduzida pela falta de popularidade logo ao início. É fácil ver porque é que a série não foi popular. Os personagens principais são adultos. Com cara de adultos. Mas são interessantes. Apesar das suas histórias pregressas serem um pouco lugar-comum, estão bem concebidos e temos uma grande variedade, de selvagens a travecas.

O que me fascinou mais foi os poderes utilizados para combater os monstros e fantasmas. O personagem principal consegue transformar os nomes das coisas em armas, o que - não sendo de todo original (já o tinha visto em Loveless) - não deixa de ser interessante. Os designs dos monstros também estão muito engraçados, apesar das histórias em que cada um aparece não serem nada por aí além.

Em termos de animação, nada de especial. Não existem grandes coreografias, o CG está mal disfarçado. Não são lutas muito cativantes, o que é falho para um anime que tenciona basear-se nelas.

Estou dividida no que respeita à música. Por um lado, as segundas OP e ED combinam muito bem com o espírito do anime. Mas por outro lado, tudo o resto parece estar um pouco fora do lugar. Para mim faria mais sentido um anime passado nesta época e neste local ter uma música menos ocidental.

Não é um mau anime.

18.1.13

Hyouka

Hyouka
Takemoto Yasuhiro - Kyoto Animation
Anime - 22 Episódios + 1 Special
2012
6 em 10

O outro anime que tive a oportunidade de ver (o primeiro episódio) no Enkai. A Hota disse-me que tinha achado giro mas que eu não ia gostar, porque era fatia de vida. Bom... Gostei e não gostei. Aliás, gostei de uma ou duas partes, o resto deixou-me totalmente indiferente.

Este anime segue as aventuras e desventuras do clube de Literatura Clássica de uma escola secundária qualquer. E que aventuras são essas? Resolver mistérios! E é este o ponto que, essencialmente, destrói a série. Porque os mistérios são totalmente, absolutamente, concretamente.... Irrelevantes. Oreki, o personagem principal, tem uma grande capacidade de dedução. E resolve os mistérios porque uma menina, Chitanda, está curiosa. KININARIMASU! Mas o conteúdo dos mistérios está desprovido de sentido e de importância.

A razão pela qual Oreki, que se apresenta logo desde o início como uma pessoa geralmente desinteressada pela vida, resolve os mistérios é, por si, um mistério. Ele desenvolve minimamente, ele passa a gostar de os resolver por si próprio e admite que se calhar até tem algum interesse no mundo que o rodeia. Mas a razão inicial para os solucionar é uma falha. Será amor? Amor à primeira vista? Isso existe? Agora que penso nisso, se calhar... Mas mesmo assim é um argumento um bocadinho ineficaz.

A arte, não sendo muito detalhada, é bela. Parece que hoje em dia é bastante fácil produzir algo de agradável à vista, pelo que tenho observado, pelo que me questiono se poderei apresentar isto como uma vantagem ou não. Em termos musicais, a música insiste que os mistérios são muito misteriosos, mas não consegue trazer-lhes qualquer tipo de interesse.

No fundo, uma série bastante vulgar. Diria mesmo... Irrelevante.

16.1.13

1Q84

1Q84
Haruki Murakami
2009
Romance
 
E aí está o final! Estava numa excitação para o ler, mas... Bom, comecem por observar as reviews dos dois primeiros volumes.

Foi... Um desapontamento. Este livro apresenta-nos mais uma perspectiva, a de um homem chamado Ushikawa cuja função é perseguir Aomame e Tengo. Através deste novo personagem (que está concebido de forma a ser a pessoa mais nojenta e desagradável de que há memória no universo Murakamiano) o que nos é dado? Repetição. Repetição. Repetição. Uma e outra vez o autor volta a contar-nos a história de Tengo, a história de Aomame, os seus problemas iniciais e a sua posição presente, ao ponto de ser quase insuportável. Nós já sabemos, já sabemos a história desde o primeiro volume, porquê repeti-la? Isto demonstra uma falta de rumo que culmina num final perfeitamente insatisfatório e apressado e, o pior de tudo, inconclusivo. Está mesmo a espreitar para uma continuação da história, mas a sensação que dá é que o autor não sabe para onde vai.

Uma coisa que se nota em Murakami é a sua preferência clara pelas comparações na sua maneira de fazer descrições. Se ao início elas eram interessantes e davam imagens claras, agora parecem - como todo este volume - sem rumo. Pelo amor de deus, que raio de descrição é "o seu cérebro parecia alface congelada"?

Enfim, acho que agora já não gosto tanto de Murakami. Tenho aqui a auto-biografia dele para ler e pode ser que assim consiga perceber melhor o que se passou aqui... Era uma obra tão promissora, a terminar de uma maneira tão infeliz...

14.1.13

Ashita no Nadja

Ashita no Nadja
Igarashi Takuya - Toei Animation
Anime - 50 Episódios
2003
6 em 10

Fui ver este anime porque é a cara do grupo de subs Brasileiro em que participo (o que me recorda que tenho uma tradução para fazer). Olhei para as imagens e vi dois cãezinhos e pensei "porque não". Depois vim a descobrir que este é o anime de infância de muita gente, já que passou no Panda circa 2005. Que giro ver que há pessoas que eram criança em 2005, haha!

Enfim, os cães afinal não são cães. São leões bebés (com juba?). E este é o anime ideal se o teu sonho sempre foi ser uma menina de oito anos.

A história podia ser um WMT, mas não é. Nadja pensa que é orfã e descobre que tem uma mãe. Então junta-se a uma trupe de artistas ambulantes para a encontrar. Com isto, viaja por toda a Europa, onde aprende a dançar melhor, se apaixona por vários rapazes mais velhos (e giros!) e se envolve numa trama socio-política entre o seu tio e uma moça que se faz passar por ela. No fundo é uma história bastante simples, sem consequência, mas o resultado é bastante fofo. 

Temos uma série de personagens de natureza encantadora, começando pela própria Nadja, mas não existe qualquer tipo de desenvolvimento. Tal como começam, assim acabam. São todos dotados de uma grande força de vontade, mas não crescem. Também não se percebe quanto tempo passa no mundo deste anime entre o primeiro episódio e o último. Tendo em conta o quanto viajaram, suponho que se tenham passado anos, mas o físico dos personagens não o revela.

Em termos de animação, temos algumas sequências de dança interessantes mas bastante repetitivas. Por vezes com recurso a um CG mal disfarçado, sobretudo nos grandes bailes. Há uma grande variedade de roupas, todas muito coloridas. Nos fundos, apresentam-nas muitas cidades da Europa e creio que o ambiente está bem caracterizado, mas nada de muito detalhado ou bonito.

Este anime vive muito da música e temos uma variedade bastante grande ao início, que se torna tão repetitiva como a animação rapidamente. Há uma mistura de peças clássicas que todos conhecemos com músicas originais bastante agradáveis e simples, muito próprias à infantilidade do anime.

Uma série agradável e amorosa, mas não creio que valha a pena sairem do vosso caminho para a irem ver.

Cloud Atlas

Cloud Atlas
Tom Tykwer, Andy e Lana Wachowski
Filme
2012
7 em 10

Há tanto tempo que eu não ia ao cinema... Boa escolha, este filme. São quase três horas que passam num instante.

O filme podia ser muito confuso, mas é bastante simples. Temos uma série de histórias, aparentemente desrelacionadas, mas que têm consequência umas nas outras. Temos histórias no passado longínquo, no passado, presente, futuro e futuro longínquo. E no futuro ainda mais longínquo. E todas se influenciam umas às outras. Em resumo, vidas passadas.

Todas as histórias têm alguma relação com uma injustiça e com uma revolução necessária ao mundo. É muito interessante ter tantas histórias pois são muito variadas. E enquanto algumas são muito trágicas, temos outras recheadas de humor. Três realizadores foram precisos para termos tanta variedade e, acho eu, funciona. O filme até aproveita para nos dar algumas lições de vida, num universo futurista impressionante.

Não gostei especialmente dos efeitos especiais, não me pareceram nada realistas (até hoje bonecos continuam a ser bonecos), mas há um trabalho fabuloso em termos de maquilhagem e caracterização. Cada actor faz uma série de personagens, o que adiciona ao simbolismo de estarmos todos ligados uns aos outros. Há alguns que estão mesmo muito bem disfarçados. Também deve ter sido muito interessante para os próprios actores participar num trabalho em que têm de se mutar constantemente para fazer personagens completamente distintos.

Posso dizer que valeu a pena os mais de cinco euros que custou o bilhete. Só me faz impressão os bilhetes já não serem bilhetes e serem uns papéizinhos cuja tinta desaparece num instante.

7.1.13

Sword Art Online

Sword Art Online
Atsuhiro Iwakami - Aniplex
Anime - 25 Episódios
2012
6 em 10

Vi o primeiro episódio no Enkai e assim foi traçado o meu destino. Tinha de terminar esta série. Mas, para ser sincera, eu queria vê-la. Porque queria perceber. Andava (e ainda anda) toda a gente a falar disto, primeiro bem, depois mal, mas a conversa não parece morrer. E, agora que terminei, posso dizer, com toda a sinceridade que... Não entendo. Não percebo o hype à volta disto. É tão... Normal?

Ao início a ideia parecia promissora, um anime passado dentro de um jogo. Mas ao estabelecer as regras (morres se morreres no jogo) passou a ser apenas um vulgaríssimo anime de fantasia, igual a tantos outros, sem nada de especial que o distinga. A história é, está claro, vencer o jogo. Mas depois aparece uma história de amor um bocado desencaixada ("oh beijamo-nos! Vamos casar!") que progride para "vou salvar o amor da minha vida de um gajo doido num outro mundo de fantasia que deveria ser oh-deus super interessante" Isto tudo para dizer... Vulgar. Ah sim, adicione-se paixão incestuosa, agora já temos um anime avant-garde!

Podia compensar com personagens fascinantes, mas não temos nada disso. São simples ao início, continuam simples durante toda a série. Por mais gente que vejam a morrer, o que deve ser elevadamente traumático, não parece que isso os afecte muito mais do que "temos de vencer o jogo". Em termos de relações, temos tsunderice até dizer chega e de repente, bling, estamos apaixonados.

A música também é de uma normalidade exasperante. Apesar de ilustrar bem o chamado RPG de fantasia (eu só joguei Ragnarok durante uns tempos, mas imagino que seja assim), não transmite nada de especial, quer aos momentos sentimentais quer às lutas.

Mas este anime tem uma coisa boa, que é a arte. Se bem que as animações de lutas não saem fora dos parâmetros da normalidade, temos fundos muito detalhados e por vezes muito belos. Seria fascinante ter um jogo que fosse efectivamente assim. Mas não temos e ainda bem, imaginem a quantidade de NEETs que iriam nascer.

De uma forma ou de outra deu-me saudades de jogar Ragnarok. Alguém sabe de um server fofinho e bacanudo que seja pirata?

4.1.13

Um Coelho Cheio de Sorte

Um Coelho Cheio de Sorte
Ivo Dias de Sousa
2009
Gestão e Auto-ajuda

Este livro foi-me oferecido no encontro de BookCrossers de Lisboa, por um fellow BookCrosser, o Ivo. Como se pode reparar, foi ele que escreveu o livro. Serei eu leve para com as pessoas que conheço?

Ora bem, este é um livro que explica em forma de fábula, um outro livro, esse de Richard Wiseman (The Luck Factor). Explica-nos alguma coisa sobre a chamada "psicologia da sorte", mas aplicada ao nosso universo português de constante recessão e desemprego.

João Sortudo é um coelho que aprende a aproveitar oportunidades depois de ser despedido. Isto é, aprende a chamar a sorte a si. A escrita é simples e interessante, é apenas uma história sobre um coelho. O que se tira da história é que é o importante, mas o que se tira da história?

Por mais que eu gostasse de acreditar nisto da sorte, não sei se sou capaz. Ultimamente têm acontecido muitas coisas boas (<3), mas fui eu que as fiz? Por acaso acho que sim. Mas se estivesse sempre a pensar nisso acho que não o conseguia fazer. Por isso acho justo que haja pessoas com mais sorte que outras. Se fôssemos todos o Gastão e não houvesse Pato Donald o mundo seria muito menos divertido. Pense-se positivo, no entanto. Acho que é com a positividade que se deve viver, apesar de ser tão difícil. Eu tento, mas nem sempre sou capaz.

Hellsing Ultimate

Hellsing Ultimate
Tokoro Tomokazu - Madhouse Studios
Anime OVA - 10 Episódios
2006-2012
9 em 10

Isto foi... Uma experiência. Uma experiência que durou seis anos. Bem, quatro no meu caso. Valeu a pena? Sim. Absolutamente. Agora resta-me ver tudo de seguida para saber se tem o mesmo efeito.

Isto é um remake de Hellsing, que agora segue o manga e tudo o que ele tem para oferecer. É uma coisa completamente diferente, não só mais uma aventura de vampiros. É uma aventura de vampiros de proporções astronómicas, com todo o sangue que isso implica.

A história é muito simples, apesar de ter algumas vertentes distintas que dão azo a uma grande variedade de personagens. O mundo está a ser invadido por vampiros nazis que andam a matar toda a gente e a única que pessoa que pode resolver a situação não é uma pessoa. É uma instituição, Hellsing, que por acaso é dona de um vampiro, Alucard. E aí entram as personagens. São todas sinceramente fascinantes. O autor apresenta-nos um conceito original de vampiro, um ser detentor de um poder acima das possibilidades de qualquer menina apaixonada. Isto motiva muitas situações de luta e guerra que roçam o genial, pois nunca há a certeza do que os personagens vão fazer. Integra Hellsing é (já era) uma das minhas personagens femininas preferidas. Cosplay na calha, avisa. É um personagem cheio de força, com uma moral desactualizada mas inabalável, detentora de uma coragem aprendida. Seras Victoria evolui de forma estonteante, sem nunca abandonar a sua personalidade inicial. E dentro dos inimigos, temos alguns bastante simples, outros extremamente complexos mas todos, TODOS, completamente passados da marmita. O chefão é um vilão genial, com um discurso coerente mas ainda assim louco, é perfeitamente realista dentro dos parâmetros de "nazi que tem vampiros nazis e um zepelim"

A animação é variada, mas no geral está extremamente (extremamente), extremamente, boa. Tem algum CG horroroso pelo meio, em cenas que poderiam ter sido fabulosas, mas é compensado por cenas de luta cheias de sangue e de membros cortados que não deixam de ser interessantes. O mais belo é a história por detrás de algumas das cenas, que dão uma intensidade muito própria e tornam toda esta glorificação da violência e da morte em algo significativo.

A música cria um grande ambiente, já que na sua maioria utilizaram música clássica e peças de ópera para ilustrar as situações (com alguma rockalhada pelo meio, isso não podia faltar). Por vezes trás beleza, na maioria das vezes torna tudo mais perturbador e emocionante.

A única coisa estranha eram os momentos de comédia, com versões chibizadas dos personagens e florzinhas, que não tinham absolutamente nada a ver com o teor de Hellsing. Mas estão feitas de tal forma que em vez de engraçadas se tornavam bizarras e penso que não deixa de ser uma boa adição ao ambiente fantasioso e improvável em que a série se passa.

Extremamente recomendado. Valeu a pena.

3.1.13

Kamisama Hajimemashita

Kamisama Hajimemashita
Daichi Akitarou - TV Tokyo
Anime - 13 Episódios
2012
6 em 10

Mais um anime da season, mais um shoujo. Profundamente fofo.

Nanami tornou-se sem abrigo. Até ao momento em que salva um misterioso homem que tem medo de cães e... Se transforma numa deusa de um templo! E com a sua nova casa vem um animal de estimação muito especial, Tomoe. Uma raposa irritada.

O anime foca-se, então, no desenvolvimento da relação entre Nanami e Tomoe e no crescimento dela enquanto deusa, na descoberta das suas qualidades e dos seus poderes. Isto é, sem dúvida nenhuma, nada de especial. Mas é divertido! Os personagens são todos agradáveis e potenciam pequenos momentos de comédia muito digestiva. 

E vamos admitir, é lindo ver gajos tsundere.

Não temos cenas belas nem animação preponderante, mas os designs funcionam bem e não há grandes erros. No geral, está um trabalho regular, sem nada que o distinga do normal mas também sem nada que o torne mau.

Tanto a OP como a ED são bastante originais e conjugam-se perfeitamente com o teor da série. É uma série fofa, feminina, um pouco infantil, mas ainda assim com um ou outro laivo de sensualidade escondidos dentro de si.

Já fui fazer a minha busca por imagens do Tomoe. Quem quiser peça folder. Não arranjei nada de badalhoco, por isso não precisam de ter medo. :)

Paul

Paul
Greg Motolla
Filme
2011
7 em 10

Bendito seja quem quer que levou este filme, porque foi o "filme com piada do ano novo". E eu gostei tal como vocês, meus mais normais leitores, irão gostar. Porque é o sonho do geek.

Dois geekalóides ingleses vão à Comic Con para se impressionarem com as coisas que vêm e para receber autógrafos de um escritor que os despreza. Depois têm uma roadtrip que passa pela Área 51. E aí tudo começa. Encontram Paul. E Paul é um alien.

E assim se inicia uma roadtrip numa autocaravana, com dois geeks, um alien e uma rapariga que eles acidentalmente raptam (transformada de cristã a mulher de palavrões), perseguidos pelo FBI, pelo pai dela e por mais pessoal que vão encontrando pelo caminho.

Não tem piadas com muita graça (bem, matei-me a rir em algumas, mas é porque eu sou meio maluquinha como os personagens principais e compreendo o sentimento), mas é fofinho. Porque todos acabam por descobrir mais sobre si com ajuda de Paul e melhorar a sua capacidade de enfrentar o mundo. A parte final, em que vão visitar a amiga do Paul, é coisa mais fofinha de sempre.

Visto desta perspectiva, encontrar um alien até parece ser fixe. Bora a um encontro imediato de primeiro grau, agora?

Top Gun

Top Gun
Tony Scott
Filme
1986
6 em 10

Depois de passarmos o dia 31 a ver mamas e rabos, vamos passar o dia 1 de Janeiro a ver o Top Gun para compensar! É realmente um filme muito... Másculo. Cheio de homens despidos a terem conversas filofóficas na casa de banho e a jogarem à bola e a conduzirem caças (mas nesta parte estão vestidos)

Tom Cruise é um soldado baixinho que tem um grande talento para pilotar aviões. Então é mandado para uma escolinha de aviões onde só estão os melhores e onde há uma competição para saber quem é o melhor. Depois apaixona-se, depois traumatiza-se e depois tudo acaba em bem. Por isso, sim, é um filme divertido. Básico mas divertido.

É irónico ter tantos homens semi-nus quando é precisamente o sector masculino que se interessaria por um filme que se foca em caças. Não é por mal mas, convenhamos, são aviões. Não são assim tão interessantes. Enfim, temos montes de aviões a voar e à luta e a fazer manobras voadoras espectaculares com grandes paisagens de fundo, céu, montanha e mar.

E temos uma banda sonora genial, com todos os grandes hits da época. É a banda sonora que vale o filme valer a pena, com toda a nostalgia que vem com ela.

O Tom Cruise não. Ele come placentas.

Project X

Project X
Nima Nourizadeh
Filme
2012
5 em 10

Mais um filme de ano-novo. Mais um filme sem qualquer tipo de conteúdo.

Project X é uma festa. Três rapazinhos criam uma festa que corre mesmo bem, depois corre mal, depois corre pior, mas que é divertida. Basicamente é uma festa para a qual deviam ter ido 30 pessoas e que acaba com milhares delas. Como couberam todas dentro da casa é um mistério. Mas enfim, o filme é só a festa. Adolescentes a beber, a fumar, a meter pastilhas, a ter sexo e mamas ao léu, já falei das mamas ao léu? E depois há um lança chamas.

Porque, concordemos, a coisa mais normal do mundo - pelo menos quando estás nos estados unidos - é ter um lança chamas e levá-lo para uma festa.

A única coisa interessante do filme é a forma como está filmado, por uma camerazeca com uma pessoa sempre atrás e por telemóveis. Gravar isto também há-de ter sido giro, já que a única coisa que as pessoas tinham de fazer era estar a ter uma festa.

Enfim, só eu é que não vou a festas destas. Por um lado ainda bem, que não deve haver sítio onde sentar.

Piranha 3D

Piranha 3D
Alexandre Aja
Filme
2010
5 em 10

Ah e tal, que filme é que vamos ver enquanto esperamos pela passagem de ano? PIRANHAS!

Mas este filme não é sobre piranhas. Aliás, tem muito poucas piranhas. Tem é, e muito, mamas. Montes de mamas. A serem comidas por piranhas. E é só isso. Por isso, como podem imaginar, não foi o filme que eu mais gostei de ver na vida.

É um filme sem qualquer tipo de conteúdo. O que interessa é o gore e gente a ser comida por piranhas e pouco mais. Claro que depois tem de haver sempre um rapazinho heróico (que não era heróico) e uma gaja boa que não é badalhoca e que se apaixonam depois de se salvarem, ou enquanto se salvam, etc. Mas isso não interessa nada. O que interessa é o gore.

Admito que o filme tem um ou dois momentos de interesse, com paisagens de praias e de mar. Mas as festas na praia não acontecem assim... Não creio que o filme tenha tido alguma vontade de ser realista de qualquer forma.

Bem, dia 31 de Dezembro vê-se qualquer coisa. Cada ano é melhor que o outro.

Sukitte Ii na Yo

Sukitte Ii na Yo
Satou Takuya - Starchild Records
Anime - 13 Episódios
2012
7 em 10

Duas coisas: a primeira é que só esta season comecei a acompanhar seasons, mas agora que comecei... Bem, assim será. Até é fácil de acompanhar muitos animes e assim ver muitos, porque só sai um episódio por semana. Bem, este foi o primeiro que acabei de ver do Outono de 2012. A segunda coisa é que, coisa estranha, ver shoujo parece ser uma coisa muito esquisita para mim agora. Não sei, eu antes via shoujo para pensar como seria bom se estas coisas acontecessem na minha vida, mas agora vejo shoujo e penso "as coisas não são nada assim e tá-se bem" Mas enfim, novas perspectivas vêm com o novo ano. Acho eu, neste momento não sei bem. Tá-se bem.

Sukitte ii na yo ("Diz que gostas de mim") é um anime shoujo como muitos outros. A personagem principal é uma inadaptada sem amigos que é confrontada por um gajo que gosta dela. Gajo esse o mais giro da escola, não podia haver melhor. Apesar da premissa ser vulgar, este anime entrega algo mais.

Os personagens são simples mas são bastante fortes. Mei tem uma personalidade muito realista, a rapariga normal com falta de confiança, e tem decisões cheias de maturidade. Todos os outros são palpáveis e valem as suas pequenas aventuras valer a pena. Acho interessante como todas as personagens deste anime têm um certo elemento que não lhes trás confiança, seja peso, sejam mamas, todos eles relacionados de certa forma com o aspecto que se tem. Assim, penso que este anime caracteriza de alguma forma a adolescência no Japão, com problemas actuais e fáceis de identificar.

A arte é suave e bonita, com algumas paisagens agradáveis mas sem grandes exageros. O design de personagens funciona muito bem neste ambiente. Certa insistência em gatos (continua além da minha compreensão), mas nada que não se aguente.

Mas o que realmente gostei mais neste anime foi a banda sonora. A OP é uma coisa lindíssima, ouvi-a todos os episódios e já a tenho no MP3. Tudo o resto conjuga perfeitamente com a arte, trazendo um resultado aveludado que torna todas as situações mais... Fofas. Fofo é o termo deste anime.

Para primeira vez a acompanhar seasons este foi um do meu top3. Não que eu esteja a acompanhar muita coisa, salvo seja.

1Q84

1Q84
Haruki Murakami
2009
Romance
 
Finalmente chegamos ao segundo volume da triologia! Já o tinha desde o meu aniversário, mas só agora lhe pude deitar a mão para o ler.
 
O segundo volume inicia precisamente onde o outro terminou. Podiam estar juntos que não faria diferença. Mas desta vez temos mais coisas na história e finalmente tudo começa a fazer mais ou menos sentido. É livro de explicações, o que é a Vanguarda, o que é o Povo Pequeno. Mas também é livro de revelações, revelações sobre significados, sobre sentimentos, sobre atitudes. Os personagens principais, Tengo e Aomame, tornam-se mais reais e mais fortes do que nunca, à medida que -  sem saber  - se aproximam cada vez mais um do outro.
 
Está escrito com simplicidade, claro e directo, mas sem deixar de evocar estranhas imagens que só podem pertencer a outro tipo de realidade. Uma realidade perpendicular, talvez.
 
Neste volume há muito ênfase nas cenas sexuais. Mas uma coisa estranha... É um livro e uma narrativa extremamente sexuais mas não são eróticos. De forma nenhuma. O autor não fala de sensualidade, fala apenas de biologia. Isto torna a leitura um pouco perturbadora.
 
Ainda assim, recomendado. Já cá canta o terceiro volume!

Fairy Cube

Fairy Cube
Kaori Yuki
Manga - 18 Capítulos/3 Volumes
2005
6 em 10

Digamos que eu adoro Kaori Yuki. Desenha mesmo bem, toda a gente é linda. Tem momentos de arquitectura e de fundos de cortar a respiração. Tem histórias complexas mas muito bem estruturadas. Fairy Cube é a obra dela que não tem absolutamente nada disto.

Eu pensava que isto ia ser sobre fadas. Kaori Yuki cria, desta vez, um mundo fantástico onde também há fadas mas onde estas não são os elementos principais. O universo está bem concebido, mas muito pouco detalhado.

As personagens são vulgares e as suas motivações infantis (salvar a minha paixão, really?) Não evoluem de forma nenhuma, excepto Tokage que apenas o faz depois de uma revelação sobre a sua vida que o faz mudar diametralmente de posição. As relações entre os personagens são confusas em alguns momentos e o design simplificado não ajuda, pois é fácil confundi-los uns com os outros.

Em termos de arte toda a gente é bonita, isso é certo. Mas e os grandes fundos? Os vestidos detalhados? Os edifícios rocócó? Onde está isso tudo?

Eu percebo, através das notas de margem por todo o manga, que tenha sido um stress fazer isto, a autora tinha acabado de ter um bebé e esses bichos dão trabalho. É justificável que não tenha saído algo tão bom, mas a verdade é essa: não é tão bom.

No final temos um one-shot, Psycho-Knocker, que se mantém na mesma linha de Fairy Cube. No entanto a história, talvez por ser mais simples e negra, é mais interessante e divertida.

A Cidade das Luzes

Como alguns sabem, a minha mãe gosta de viajar entre o Natal e o Ano Novo. Às vezes leva-me, outras vezes leva a minha irmã, outras leva as duas, desta vez fomos as duas. E assim se passou a nossa viagem a Paris, possivelmente a minha cidade preferida a seguir a Lisboa. Como não me apetece estudar durante viagens destas, fiz um pequeno diário de viagem para partilhar convosco esta experiência encantadora. E também há fotos!

Mas comecemos com algumas considerações gerais.

Sobre a Cidade

Toda Paris é linda. Os prédios estão cheios de detalhes e todas as ruas têm uma cor que me trás muita paz. É assim tudo acastanhado. Só o metro é que é do demónio. Não está concebido para cegos, cadeiras de rodas, carrinhos de bebés, aleijadinhos ou pessoas com asma, porque se constitui unica e exclusivamente de ESCADAS. E as estações são enormes, até encontrei uma banca de venda de fruta dentro de uma estação.

Sobre as Pessoas

Dizem que os Franceses são um bocado nariz empinado, mas não foi isso o que eu vi desta vez. Também só falei com empregados de restaurantes e com freaks de cães. Ora, considerando que os empregados de restaurantes eram todos Portugueses (se bem que alguns fingiam que não eram, mas acabavam por se descair) e os freaks são freaks, não sei bem o que pensar.Não sei dizer se as pessoas são bonitas, porque há demasiados tipos de pessoas em Paris. É uma cidade cosmopolita, verdadeiramente.

Sobre a minha viagem

Acho que nunca mais volto a viajar com a minha mãe. É um stress permanente.

Diário de Viagem


Dia 1

Avião é às 7:00, por isso despertamos a hora inconveniente. Está uma lua cheia em frente da minha janela.
Termino Psycho-Knocker, um one shot associado a Fairy Cube, a bordo do Amália Rodrigues,.
Camas do hotel fofinhas, saudades.
Almoço em Brasserie. Empregado finge que não é Português. Descai-se com um já aí vou. Peço-lhe três bicas.
Jardim do Luxemburgo. Isto no Verão deve ser bonito, mas agora é uma visão um pouco desoladora. Não sei, podiam ter plantado umas quantas árvores de folha permanente.
Durmo. Saudades. Acordada por minha mãe gritando que o hotel está cheio de brasileiros. wat.

Dia 2

Inicio o dia com a minha irmã no corredor do hotel, embrulhada numa toalha, gritando que vai fazer uma reclamação. Não sabe ligar a água quente.
Não é que eu tenha a ambição de ser lolita, mas aproveitei para visitar as lojas. Nem no Japão aquelas meias valem 50€.
Não podemos ver Dali nem Picasso. Um tem filas de quilómetros, o outro está fechado até ao Verão. Pelo menos já comprei o porco da praxe.
Agora a minha irmã estuda. Recusa-se a ir ouvir o foux de fafa para o cantarmos amanhã em Versailles.
Um poema:
  Tantas lojas giras
  E tudo tão caro.
  Esta chuva é gelada.

Dia 3 - Versailles

Isto na época devia ser completamente isolado do mundo. é um universo paralelo. Como não tinham televisão, entretinham-se a construir pavilhões. Para que queriam uma casa tão grande é um mistério. Não admira que o povo se passe e o pessoal acabe decapitado.
Ao menos deve ser fixe para jogar às escondidas.
Mas depois há o Trianon. É tudo tão bonito. Dá vontade de estar apaixonado. Até tem uma aldeia a fingir, para podermos brincar. Voltarei lá no Verão e vou fumar uma no meio das flores. Aí, serei uma princesa e também eu terei o meu Fersen.
Por todo o lado, pegadas de Oscar. Podia vê-la a cavalo no jardim no bate-papo com André. Mas isso são coisas da minha cabeça, nos guias não confirmam a sua existência.

Dia 4

Campos Elísios: a Zara dos Campos Elísios tem coisas mais chiques.
Apanhamos sol nas Tuilleries. Estão gaivotas numa fonte e estão loucas porque uma menina chinesa lhes está a atirar pão. Tenho pena de não andar na roda gigante.
De tarde vamos ao Musée d'Orsay. Tem arte que eu gosto. Não percebo nada de arte, mas há coisas que me impressionam. Renoir, Monet, Van Gogh, mas o que me impressionou mais foi o de um que não sei. Era todo em tons pastel e tinha uma rapariga toda branca, na relva, com um cordeiro, a olhar para mim.
Não vemos o museu todo porque a minha mãe faz uma birra dizendo que está exausta.
Volto a comer um crepe pentagonal, mas este é de chocolate e castanhas. Para a próxima quero um hexágono.

Dia 5

O avião é só às 20:40, por isso vamos à Torre Eiffel. Ainda não foi desta que subi.
A minha mãe queria acender uma vela em Notre Dame, mas a fila era demasiado grande. Não é desta que a minha irmã passa a geografia.
Termino o segundo volume de 1Q84 no aeroporto.
E neste avião um amigo é aeromoço. Estará no Silveirinho para o ano-novo. Será essa a luz depois da cidade das luzes!
Feliz Ano Novo!

Imediatamente a seguir fui para o Mundo do Tempo Perdido, onde vi montes de filmes. Todas as reviews correspondentes começarão a aparecer aqui depois desta linda música