29.4.12

Ano Hi Mita Hana no Namae wo Bokutachi wa Mada Shiranai

 
Ano Hi Mita Hana no Namae wo Bokutachi wa Mada Shiranai
Nagai Tatsuyuki - Aniplex
Anime - 11 Episódios
2011
7 em 10

Original: http://myanimelist.net/forum/?topicid=434075#msg14535885

Começo por dizer que gostei mesmo deste anime. Mas por outra, não o recomendo. Engraçado, né?

Começa por nos apresentar o passado e o presente, imediatamente na OP. Este anime é uma revisita aos eventos traumáticos do passado e eu esperava que quando ultrapassassem esse stress pós-traumático toda a gente continuasse para a frente. Infelizmente, nada disto aconteceu e o anime caiu num trabalho feito para agradar a fanbois.

A história é pateta, mas vamos aceitá-la tal como é. Um fantasma do passado aparece a um tipo e quer o seu desejo realizado. Mas ela não sabe o seu desejo. Por isso esse tipo vai encontrar os seus amigos do passado para a fazer ir embora. Simples o suficiente, mas falta-lhe uma verdadeira consistência que poderia ter feito os personagens desenvolverem-se melhor.

Quanto a esses, gostei deles todos, especialmente da Anaru (porque miúdas Gal são sempre giras de ver em anime). Cada um deles tem uma maneira diferente de lidar com o trauma, mas temos de questionar, porque é que estão a lidar com isso agora quando tudo aconteceu há 10 anos? Menma (a única personagem que me chateou) é muito irritante e não ajuda nem um pouco os outros personagens, existindo com o simples propósito de pivot da história. E toda a gente está muito relacionada com ela e com a sua morte de formas extremamente convenientes. Achei a história do Poppo especialmente forçada. O único tipo que não está no pentágono amoroso tinha de a ver morrer.

E o pentágono amoroso, o que raio se passou ali!. Então, toda a gente estava apaixonada quando tinham 6 ou 7 anos de idade. E toda a gente ainda está apaixonada passados 10 anos, quando a maioria deles não se tinham visto durante todo esse tempo. O final também foi extremamente conveniente e forçado e toda a gente a chorar destruiu um final que poderia ser muito tocante.

A música é boa e adequada. Gostei tanto da OP como da ED e o uso da música recorrente da ED foi sólido e adicionou intensidade.

A arte também é boa, apesar de não haver cenas de animação notável. E até gosto bastante deste estilo e design.

Um anime que eu realmente gostei, mas não vejo razão para o recomendar a ninguém.

26.4.12

Maou Dante

Maou Dante
Nagai Go - AT-X
Anime - 13 Episódios
2002
4 em 10


Ok, eu disse que Giant Robo ganhava o prémio de pior anime que eu vi este ano. ESTAVA ENGANADA! E COMO OHMEUDEUS! HAHAHAHA.

Ok.

Maou Dante. Eu comecei a ver e pensei "oh, estou a ver um anime de 1988, com todas as características em termos de design, animação e história OTT sem sentido!" Mas afinal não. É de 2002. O que torna tudo ainda mais engraçado.

Aparentemente temos um gajo que se torna em Dante, rei dos demónios. Temos um culto satânico que invoca os demónios, mas que na realidade estão ligados a deus. E um médico louco que faz demónios artificiais. E Sodoma. E Gomorra. Cidades de paz e de amor em que os demónios vivem. E temos deus, que é o mau. E que é formado pelo ectoplasma da humanidade. E que torna os demónios em pó radioactivo para que não ressuscitem. Adicione-se cena de sexo e uma pitada de incesto. Mais dicas fenomenais como "o demónio tem as suas presas em cima da minha cabeça, aaah morri!" É um fartote de rir.

A animação é tão má que roça o hilariante. Os monstros, horrorosos, brotam da terra feito uns malucos e depois ficam ali parados de boca aberta, a falar ou a gritar. Depois saltam uns para cima dos outros e SLASH, temos linhas cinéticas no ecrã a escorrerem sangue censurado! E chamas, não nos podemos esquecer das chamas! Elas também gritam!

A música tem boa intenção mas está mal executada. Devem ter contratado a orquestra sinfónica da Ameixoeira para fazer a banda sonora deste anime, porque aparentemente ninguém sabe tocar os seus instrumentos (perdão à orquestra sinfónica da Ameixoeira, que nunca a ouvi, se existir peço que façam uma banda sonora de anime para provar que qualquer um consegue fazer melhor que isto)

Recomendo a toda a gente, pois isto é tão mau que merece ser visto. Em família, para nos rirmos todos juntos às gargalhadas e rebolarmos no chão durante os três minutos em que os demónios ficam a gritar uns para os outros.

25.4.12

Shangri-La

Shangri-La
GONZO
Anime - 24 Episódios
2009
6 em 10

Aqui temos uma história de um mundo futurista. Como é habitual temos um povo oprimido, um lugar onde viveriam melhor que é inatingível e um grupo revolucionário à la Vendetta que vai resolver a situação. Adicione-se uns punhais misteriosos e magia negra e temos anime!

A concepção do mundo é sem dúvida original, assim como a política inerente ao seu controlo. É uma situação bastante possível num futuro próximo, basta copiarem a ideia. O universo de Shangri-La, sem contar com meninas pequenas com estranho talento para a economia, é uma realidade muito próxima a nossa e isso é de valor. Mas as situações caem no lugar comum com enorme facilidade e assim temos um bom conceito pouco aproveitado.
A história peca pela evidência. Porque é que é necessário ser a miúda adolescente a líder incontestável da guerrilha? Sobretudo quando ela só toma más decisões? Porque é que, convenientemente, o líder do grupo governamental, é psicopata e maligno? Porque é que a líder do poder económico é uma miudinha mimada? Porque é que, no final de tudo, o destino do país, mundo e universo acabam nas mãos de uma perturbada criança com poder mágicos inexplicáveis? Para quê a magia, afinal? São estas perguntas que demonstram as falhas deste anime.

Os personagens variam entre o detestável (miúda do cabelo rosa, estou a olhar para ti) e o adorável (travecas! travecas!) Apenas a personagem principal tem algum tipo de desenvolvimento, se bem que as revelações dos hobbies secretos da gente de Akihabara foram bastante engraçados. O desenvolvimento é firme, mas Shangri-La não consegue sair da simplicidade, acabando por não desenvolver os dilemas de uma criança que se torna líder de uma guerrilha. Kuniko chora porque tem de chorar quando os seus companheiros morrem, mas não lida com essa situação a nível interior.

A animação está bastante boa, com cenas de acção bastante originais que têm recursos estranhos (como boomerangues que arrebentam com tanques).

A música, OP e ED, pareceram-me pouco apropriadas e retiram seriedade à série. O resto da banda sonora está adequada, mas não trás nada de novo.

Com este anime acho que compreendo uma coisa. Eu não estou farta de anime. Eu estou farta de anime em que as crianças são o elemento principal numa guerra. Não faz sentido em nenhum aspecto e é cansativo ter de aturar as más decisões destes miúdos escolhidos. Shangri-La é só mais uma prova disto.

Prétear

Prétear
Satou Junichi - Hal Film Maker
Anime - 13 Episódios
2001
6 em 7

Logo ao início eu pensei que isto fosse um shonjo dos 90s, mas pelos vistos não é, o que torna tudo um bocadinho mais estranho. Mas gostei e isso é que interessa, fez-me bem ver meninas fofinhas e gajos giros a lutar contra o mal para variar.

A história é formulaica, uma rapariga com problemas de adaptação que conhece um harem de gajos lindos e maravilhosos que lhe dizem que é uma menina mágica que tem de lutar contra o mal. Então ela luta contra o mal, fundindo-se com os gajos (e eu digo, eu cá não me importava nada de me fundir com estes) e todas as semanas tem um bicharoco nojento para matar. Depois há um bom que se torna mau porque está apaixonado pela rainha dos maus e depois há o drama inerente a esse facto e depois toda a gente se salva, incluindo os maus, e há um beijo e vivem todos felizes para sempre. Apesar da diferença de idades. Isto tudo para dizer que não, a história não é nada de especial. Existem alguns elementos originais na concepção do universo, um pouco pró-naturistas, mas é tudo muito simplificado.

A arte é antiquada, tal como os designs. Apesar de interessantes acabam por ser bastante convencionais. Os monstros são muito feios e as cenas não têm uma animação especialmente cuidada.

A música é típica e não trás nada de especial ou de novo.

É um anime típico, que segue bem a fórmula e serve bem como entretenimento descerebrado. E para ver os meninos, no shonjo eles são sempre mais giros.

Luka e o Fogo da Vida

Luka e o Fogo da Vida
Salman Rushdie
2010
Romance

Já li este livro há algum tempo e pensava que tinha escrito um comentário para ele. De repente lembrei-me e não, não escrevi. Por isso, aqui fica!

Eu gosto muito de Salman Rushdie, pela sua imaginação insidiosa, narrativa louca e sonhadora e pela beleza das suas imagens. Mas este livro não tem nenhum dos elementos Rushdianos que eu adoro e foi um desapontamento.

Escrito como prenda de aniversário para o seu segundo filho, este livro conta a história de um mocito que gosta de jogos de computador e que entra no mundo da magia para salvar o seu pai, vítima de uma contra-maldição que o está a fazer desaparecer. O livro está organizado tal como um jogo, com saving points, com vidas para apanhar e com bosses intermédios e finais. O que torna a coisa um bocado estranha, porque quando imaginamos um menino a viver numa aldeia indiana não o imaginamos a jogar Mario Kart.

Cada pequeno mundo tem graça e originalidade, mas a maneira como está descrito, cheio de Definições-Tipo-Estas e Pessoas-Chamadas-Assim, é aborrecido e infantil, o que tira o charme de isto ser uma história para crianças.

Os personagens ganham força ao longo da história, mas todos os acontecimentos são demasiado convenientes.

A prova de que até os génios podem falhar, mesmo quando têm a melhor das intenções

TO-Y

TO-Y
Studio Gallop
Anime OVA - 1 Episódio
1987
6 em 10

Original: http://myanimelist.net/forum/?topicid=426495&pages=1&show=0#msg14473475

Começo por dizer que TO-Y não foi mau. Ultimamente quando vejo algo dos 80s espero que seja horrível, mas isto não foi. De todo. Isso foi e certa forma refrescante, tão refrescante como alguma coisa com 24 anos possa ser (hah).

No entanto, isto não é suficiente.
Animação

Suficientemente boa para envelhecer bastante bem. Mantém o estilo presente da era, mas não faz uso de muitas cenas de acção que poderiam ter arruinado o orçamento e, consequentemente, está coerentemente bem animada. Os designs dos personagens são muito medianos onde podiam ter sido representativos dos ícones da era. Isto foi um grande problema, na minha opinião, e irei comentá-lo melhor mais tarde.
História

Algo extremamente simples, sem qualquer tipo de conteúdo relevante.
Personagens

Facilmente esquecíveis, clichés andantes presentas nas histórias sobre bandas desde tempos imemoriais (ou pelo menos desde os tempos em que existem bandas)
Música

A música é o que distingue este OVA de mais uma aventura de Verão e o torna na tentativa de caracterização de uma era. Este anime é sobre música e bandas e a música é muito bem usada para ilustrar cenas e para manter um certo ar de neutralidade, como que se o que eles quisessem mostrar não fosse realmente a história e a interacção dos personagens mas um retrato do movimento musical dos 80s Japoneses. Infelizmente alguém nestta equipa de produção (provavelmente o autor) não saia à rua muito frequentemente para ver bandas ao vivo. Quero dizer, o movimento musical dos 80s Japoneses foi uma coisa completamente diferente. Foi o início do visual kei e o protótipo do shibuya kei. Nenhuma das músicas tocadas estava remotamente relacionada com os sons mais típicos dos principais movimentos musicais deste tempo e espaço. Isto adiciona-se aos designs de personagens medianos. Não consigo deixar de sentir que se isto é um retrato é um retrato falso inspirado pelo que o autor viu em televisão importada, em vez do que realmente aconteceu com estes grupos meio punks meio revolucionários.

No final, recomendo isto para alguém que tenha sido introduzido no anime com bom gosto, mas não a um público mais abrangente.

This Boy Can Fight Aliens

This Boy Can Fight Aliens
Yamamoto Soubi - CoMix Wave
Anime OVA - 1 Episódio
2011
6 em 10

Este pequeno OVA aparece como uma nota completamente diferente às coisas que tenho visto. Apanhei-o porque é mais um para o meu projecto de ver todo o BL e slashable do universo e porque aarinfantasy (essa fofa). Até gostei, mas imagino que a maioria das pessoas venha a odiá-lo e venha a ser considerado um dos piores animes do género.

A história é simples, o mundo está a ser invadido por aliens e apenas um rapazito os pode vencer. Por alguma razão os aliens só o atacam a ele e vêm à unidade, o que é muito prático. A história tenta evoluir para um exercício sobre a amizade e como ela nos pode dar força interior, mas reverte para o cliché rapidamente, com muita choradeira e heroísmo à mistura. Tudo e4stá bem quando acaba bem, mas se calhar ficava melhor se tivesse acabado mal.

A arte tenta ser original e de tem alguns elementos distintivos que a tornam única. No entanto os designs e animação são apressados e têm pouca dedicação, numa espécie de doujinshi que foi animado por amadores sem recursos mas que tentaram ao máximo por manter um mínimo de originalidade.

Os personagens não são memoráveis e evoluem com a história. Existem apenas três personagens e dois deles servem apenas como pivôs. No entanto são estes os mais agradáveis e é sobre estes que eu quero ouvir falar, não sobre o que luta com os aliens.

É interessante recomendar este anime. Para algumas fãs, digo que vejam porque vão gostar do estilo e dos designs que têm habitado o Pixiv nos últimos tempos. Para outros não digo nada porque não lhes vai interessar. Mas para alguns, restritos, recomendo-o como uma das piores coisas que vão ver. Sem dúvida um anime polivalente.

19.4.12

Noein: Mou Hitori no Kimi E




Noein: Mou Hitori no Kimi E
Akanze Kazuki - Satelight
Anime - 24 Episódios
2005
6 em 10

Noein começa bem. Fora os olhos da miúda principal, claro está, esses odiei-os logo desde o início. Começa com uma luta épica contra uns monstrengos digitais com olhos. Depois passa para a música e perde-se o ambiente da coisa. Depois... Bem, vai progressivamente de mal a pior. Tudo o que era bom... Gastaram a produção toda no primeiro minuto da série, foi?

A animação começa bem, temos designs originais e interessantes, bons truques de magia, boas cenas de luta. À medida que os episódios passam, tudo vai perdendo detalhe, as cenas demonstram que foram feitas em cima do joelho, esquecem-se de desenhar mãos. E o design dos olhos de toda a gente muda de cena para cena (sobretudo os da miúda, que irritação!)

A história também começa bem. Mas depois entram demasiados factores em consideração e tentam encaixar física fantástica e falaciosa ali pelo meio, para no final terem uma explicação básica e quase infantil dos processos a que assistimos até agora.

A música aparentemente também começa bem! Mas à medida que as cenas se desenrolam, parece que a música tem um papel pouco importante e, onde poderia adicionar intensidade, apenas demonstra inadaptação.

O melhor no meio disto tudo é, sem dúvida, o desenvolvimento dos personagens. Mas não o seu desenvolvimento real: o que é interessante e viciante é o seu desenvolvimento paralelo, aquilo que aconteceria, aquilo que aconteceu noutra dimensão, aquilo que poderia ter acontecido. Quando a vida suposta interessa mais que a vida real, isto não pode significar coisa boa.

Este anime tinha muito potencial, e talvez se tivesse mantido bom se fosse apenas meia season. Mas tal como está é um desapontamento e nunca o recomendaria.

Android Kikaider




Android Kikaider
Okamura Tensai - Aniplex
Anime - 13 Episódios
2000
6 em 10

Depois de Giant Robo seria de esperar que eu nem sequer me aproximasse de uma série ao estilo 70s sobre andróides e cenas dessas. ERRADO! ERRADÍSSIMO! QUATRO MAIS TRÊS SÃO SETE PORÉM QUATRO MENOS TRÊS NÃO SÃO SETE! <---(haha, eu mando piadas tão boas baseadas nas peças de Ionesco que estou a fazer)

Mas bem, voltando ao assunto, isto não me desagradou. É uma história à moda antiga, um andróide chamado Jiro que é um herói incompreendido e mal-amado, numa luta para se encontrar a si próprio, para salvar a rapariga e para proteger o mundo de outros andróides (estes mal-formados e mal-educados!). A história é infantil, mas funciona, e torna os personagens interessantes e com oportunidade para se desenvolverem. O seu desenvolvimento, infelizmente, não sai da premisa. Jiro acaba por se encontrar (e, apesar de ser uma máquina, por conhecer os prazeres da carne? Pois, isto não faz grande sentido), mas chega lá de forma rápida e evidente, catalisado pela menina.

Temos uma animação também bastante simples, com designs irritantes. Lutas do tipo "monstro da semana" pouco fascinantes, com frames repetidas. Isto também será um regresso ao passado?

A OP é bonita e apropriada, mas o resto da música peca pela repetição. Se um robô tem uma guitarra e aparentemente é um virtuoso a tocá-la, porque é que toca sempre a mesma música?

No fundo, foi agradável. Um bom anime para crianças do antigamente. Para as de agora, os designs provavelmente vão ser aborrecidos e infantis demais.

Memorial do Convento




Memorial do Convento
José Saramago
1982
Romance Histórico

Livro candidamente cedido pelo meu pai, que - aparentemente - está encarregado de escrever uma impossível adaptação para o cinema independente. E livro que, confesso, eu também queria ler. Porque toda a gente o odeia. Porque todo o aluno do secundário tem sido obrigado a lê-lo. E, por isso, odeiam-no. E depois disto, eu compreendo porquê. Não partilho do sentimento, mas compreendo. É um livro complicado, denso, pesado e complexo. Considerando que a maioria dos adolescentes não gosta de ler (ou gosta de vampiros), consigo imaginar o desagrado em serem obrigados a consumir esta obra. Existem outros livros do Saramago igualmente encantadores mas mais simples, nomeadamente a História do Cerco de Lisboa, mas foram logo escolher este. Enfim, que se dane. Eu cá gostei.

Gostei porque isto é uma coisa maravilhosa. Saramago tem (tinha?) um poder descritivo fascinante e, sobretudo, ele adorava escrever. E eu adoro ler coisas que foram amadas enquanto foram escritas. Por ele, acho que tinha continuado a escrever até ao infinito, do tipo "eu não tenho mais nada para dizer, mas vou continuar a escrever sobre isto porque me apetece e porque gosto". Pensando bem, foi precisamente isso o que ele fez.

Numa mistura de personagens reais, caracterizados de tal forma e com tal detalhe que se tornam ainda mais palpáveis, e fictícios, caracterizados com tanta simplicidade que se tornam apenas em pessoas de qualquer era, Saramago conta a história do megalómano projecto (que eu nem nunca vi) do Convento de Mafra. Projecto esse que inclui bois e pedregulhos gigantes, todos eles descritos até ao infinito.

No fundo, este livro é a história de uma época. Mais no fundo ainda, este livro é só uma história de amor. Foi dita muita coisa, mesmo muita coisa, montanhas de detalhes completamente irrelevantes e que ainda assim precisamos mesmo de saber. Para no fim ser de uma candura e de uma simplicidade comoventes.

É uma coisa lindíssima, que recomendo a toda a gente. Requer um bocadinho de paciência e perseverança, mas vale muito a pena.

Tenjou Tenge




Tenjou Tenge
Kawase Toshifumi Madhouse Studios
Anime - 24 Episódios + OVA - 2 Episódios + OVA - 1 Episódio
2004
6 em 10

Eu por vezes questiono-me porque é que vejo anime. E a questão torna-se mais elevada quando vejo anime como TenTen.

Isto é, essencialmente, mamas e rabos. B&T, como lhe chamam os conoisseurs. Nesse campo, é impossível para mim avaliar se isto é bom ou mau. Sei que queria ver isto porque uma amiga fez cosplay de TenTen e eu queria saber o que era. Não percebo porque é que alguém quereria algum dia fazer cosplay disto. Nem tem roupas giras, nem tem coisas giras. Tem alguns gajos giros, mas os rabos e as mamas ofuscam-nos.

A história não tem ponta por onde se lhe pegue. Há aquela necessidade típica de ser mais forte e vencer os inimigos, mas depois também há um flashback de vários episódios onde a história perde o rumo completamente. Os personagens estão igualmente desnorteados. Todos querem ser fortes, mas fora isso, não têm mais substância nenhuma.

No entanto a animação está bastante boa e temos cenas de luta bem concebidas, se bem que com um certo exagero inerente aos gajos musculados aqui inseridos.

A música também está interessante, um pouco irritante mas ainda assim não-má. As vozes não podiam ser piores. Também me questiono que cara farão os actores quando gravam estas cenas em que está toda a gente a gritar.

Talvez isto seja muito bom para não pensar, mas qual será o objectivo de gastar dinheiro a fazer estas coisas que só agradam a um grupo restrito de gajos com problemas hormonais?

3.4.12

Florbela




Florbela
Vicente Alves do Ó
Filme
2012
6 em 10

Assim muito rapidamente: eu nem tinha interesse em ir ver este filme, mas a Joana convidou-me para ir com a Sandra Cristina e eu pensei "que se dane" e fui ver o filme ao cinema. Desperdicei 5 euros e meio da minha vida, coisa muito mais valiosa do que o tempo que eu gasto a ver mau anime.

Vamos começar por dizer que este filme é Português. Imagino que nem todos os filmes Portugueses sejam assim, mas quase todos os que fui ver tenham um certo je ne sais quoi, um certo não sei quê, um certo dunno lol... Parece que tentam ser artísticos e elitistas, mas este elitismo é falso e é apenas pretensiosismo (palavra de tal forma pretensiosa que nem o corrector automático a reconhece)

A vida de Florbela Espanca não aparenta ter sido muito interessante. Eu gostava muito dela quando vivia em depressão infantilóide, agora é-me mais ou menos indiferente. Mas o que aparenta dos seus escritos é que era uma pessoa bastante infeliz. Depois a Joana informou-me acerca de uns divórcios, escrever coisas que o pai não queria e um caso incestuoso com o irmão. Mas o filme não se foca nisso. Aliás, o filme não se foca em nada. Florbela é uma pobre triste que anda por ali, depois vai ter com o irmão, depois o irmão morre, depois ela fica mais triste. E é essencialmente isso. Se havia uma história para ser explorada, porque não a exploraram?

O texto roça a idiotia. Eles já falam pouco, mas têm de ser eruditos quando falam? Duvido muito que em qualquer época se tenha falado com o texto que eles usam neste filme. Os actores nem estão mal (fora ela não se parecer minimamente com a verdadeira Florbela), mas fazem-nos chorar durante três quartos do filme, sejam homens, mulheres ou poços. E depois, um bom filme tuga tem de ter uma cena de sexo escaldante enfiada a martelo sem razão aparente. Completamente necessário e essencial.

O guarda-roupa está muito interessante e as vistas de Lisboa da época merecem uma nota. Além disso, a fotografia também é bastante boa, apesar da realização pseudo-artística que envolve vidros foscos e neve de plástico.
Não estava à espera de grande coisa, mas se calhar valia mais a pena tê-lo visto em casa.


Ah sim, a Sandra pediu-me para dizer bem do Albano Jerónimo, fulano que eu nem sequer sabia quem era até este filme e que nem é assim tão giro na minha fraca opinião (tão influenciada por maricas Japoneses). Mas sim, estava muito bem.

Giant Robo: The Day the Earth Stood Still




Giant Robo: The Day the Earth Stood Still
Iamagawa Yasuhiro - Bandai
 Anime OVA - 7 Episódios
1992 a 1998
6 em 10



Original: http://myanimelist.net/forum/?topicid=257048#msg14114009

Um quarto do ano passou e até agora o anime no topo para o prémio "Anime Mais Estúpido que Vi Este Ano" é este! :)
A sério. A sério. Eu queria mesmo ter gostado deste anime. Li montes de reviews de confiança e fiquei impressionada. Tinha ouvido falar deste anime e queria vê-lo porque era um clássico tão bom. E no primeiro minuto... wut?
Vamos começar com a história. Então, temos estes tipos a proteger o mundo, certo? Os melhores lutadores do mundo. E aquele a guiar o robot gigante, ie. a máquina de guerra, é um puto de 12 anos. Então temos esta conveniente fonte de energia que nunca acaba. E, por alguma razão, os maus querem-na. Então lutam. E fica feito um anime. Com toda a honestidade que me é característica, todo o anime é feito assim. Sem motivo. Sem razão. Sem lógica. Para algo ser distinguido, deve fugir desta fórmula.
Agora, os personagens. Diziam-me que crescem de crianças para homens no espaço de 7 episódios. Tudo o que vi foi um puto chorão, baras chatos e uma (supostamente) gaja sexy que aparece vestida de Pai Natal. Eu consigo ver onde e como tentam desenvolver os personagens. "Omg, a gaja é irmã dele!"  Que barato. "Omg, o meu pai deixou-me uma lição de vida comovente que é revelada pelo meu super robot gigante!" Que cliche. No fundo, nada que eu nunca tenha visto. Não é diferente de qualquer shounen idiota que esteja no ar neste preciso momento. Percebo que isto seja um regresso aos clássicos, mas se eles querem fazer um regresso não precisam de meter todas as coisas que tornaram os clássicos datados em vez de amados. Tudo é over the top, desnecessário e injustificado.
Mas este OVA também tem coisas boas, e por isso é que lhe dei um 6 em vez de um 4.
A música é fora do vulgar. Vozes estúpidas aparte, a OST é épica, combinando com a intensidade das cenas e dando-lhes mais. É muito apropriada e muito bem feita.
Tal como a animação. Mantendo-se fiel ao antigo estilo e designs, todos os movimentos são melhorados com a melhor produção dos 90s. A fluidez das cenas de acção torna-as muito interessantes, mas nenhum anime é feito apenas de cenas de acção.
No final, acho que me arrependo de ter perdido o meu tempo a ver isto. Ou talvez não, porque se eu não tivesse visto não o saberia. Não interessa. Talvez o objectivo deste OVA me tenha passado completamente ao lado, mas eu vi-o como desinteressante, desnecessário e um desperdício de recursos.

E, numa nota separada, eu sinceramente não consigo levar a sério um anime em que uma gaja grita "TU NÃO PODES SER MEU PAI PORQUE O MEU PAI NÃO TINHA PODERES DE TELETRANSPORTE!!!" Pelamordasanta...

Redline


Redline
Takeshi Koike - Madhouse Studios
Anime - Filme
2009
7 em 10 





Review original: http://myanimelist.net/forum/?topicid=414333#msg14113623
Infelizmente tive alguns problemas no playback quando vi este filme (o que apenas prova que eu devia dar uso ao meu novo disco multimédia e ver as coisas na televisão) por isso não me diverti tanto com este filme como poderia.
De qualquer forma, daquilo que pude ver entre quadrados rosa e verdes, a animação é fabulosa. Este filme é um showcase de animação. Uma história simples apenas para poderem fazer um filme disso. Tudo era fluído, por vezes inesperado, sempre rápido e delirante. A animação marca o passo do filme e torna-o divertido, especialmente para um público mais casual que prefere guloseimas visuais a uma substância poderosa e tocante.
Isto para dizer que, fora a animação, não há nada de realmente interessante neste filme. Excepto, talvez, a concepção do mundo e os designs de personagens, mas nenhum destes é explorado completamente.
A história é simples e directa, o que torna o filme agradável mas não fora do vulgar. Os personagens são o mesmo: o seu mínimo desenvolvimento é muito previsível. Isto não é sempre mau, torna o filme "mais fácil", mas eu busco sempre o brilhante.
Em resumo, um excelente filme para ver com amigos (especialmente se masculinos)
 Também adorei que o Trava tivesse aparecido. Eu vi um pequeno OVA com ele há anos, não sei qual veio primeiro mas é um tipo às direitas. :)