29.8.11

Suzuka

Suzuka
Hiroshi Fukutomi
Anime - 26 Episódios
2005
6 em 10

De Suzuka eu esperava algo inovador: um anime de desporto que também fosse um Shoujo. Mas não foi isso o que aconteceu. O que aconteceu foi um terrível acidente entre um harem e um anime de desporto, que deu este mutante. Vamos lá por as coisas em ordem. Foi mesmo uma má viagem, este anime.

 A animação é bastante fraca. Não é defeituosa, mas também não lhe fazem muita coisa. Não tem muitos erros, mas a verdade é que também não existem grandes sequências complexas.

 A história é parva. Um rapaz que vai para a escola apaixona-se por uma rapariga que faz salto em altura e junta-se ao clube de atletismo para correr os 100 metros. Depois há UM plot-twist engraçado e corre tudo nos eixos, formulaico como só o anime sabe ser.

 Os personagens são vulgares. Não lhes acontece grande coisa, as suas dúvidas são simples, a sua evolução é directa.

 A música... Bem, a OP é mais ou menos gira, mas não o suficiente para eu a sacar.

 Enfim, um 6 porque até nem desgostei, o plot-twist foi mesmo interessante. Não tivesse existido e era um 5, porque eu sou demasiado boazinha.

Ensaio Sobre a Cegueira




Ensaio Sobre a Cegueira
Fernando Meirelles
Filme
2008
7 em 10

 Inspirado no homónimo livro do grande Saramago, este filme tenta responder a uma pergunta simples: e se toda a gente ficasse cega? É o que acontece, numa cidade desconhecida povoada de pessoas desconhecidas. Não foi a primeira vez que vi este filme, mas continua sempre a ser impressionante.

 A realização faz recurso a técnicas que, muito bem executadas, criam todo um ambiente de horror e desespero propícios à história e adequados à obra original. A obra original continua a ser muito mais horripilante e devastadora, mas ainda assim este filme faz-lhe jus. As cenas são muito intensas e há um grande esforço da produção em caracterizar bem o ambiente em que o filme se passa. Só não gostei de terem acrescentado a traição do Médico à história, dado que ela não estava no livro nem fazia ali falta.

 Os actores, todos grandes nomes, estão muito bem, sobretudo a Julianne Moore que faz o dificílimo papel de Mulher do Médico. Mas o mais impressionante são as pessoas que fazem de cegos, isto é, todos os figurantes e toda essa gente inominada que povoa o filme.

A música também me pareceu bem, embora por vezes pareça inadequada. A música que o Velho da pala pôs para todos ouvirem pareceu-me muito pouco apropriada ao ambiente que se vivia naquele hospício.

 Um filme muito impressionante e muito bem feito. É justo para com o livro, mas o último continua a ser claramente superior.


26.8.11

Gunslinger Girl

Gunslinger Girl
Asaka Morio (MadHouse Studios)
Anime - 13 Episódios
2004
6 em 10

 Antes de começar a ver Gunslinger Girl disseram-me que ia detestar. Por isso fiquei feliz quando a série me surpreendeu pela positiva.

 Temos, portanto, um governo Italiano que pega em miúdas meio mortas no hospital e as transforma em cyborgs, através de métodos científicos e lavagens cerebrais. Cada moça tem um "handler", que toma conta dela, a educa para o seu trabalho de matar terroristas e lhe lava o cérebro frequentemente (para não ficar encardido). Assim sendo temos uma história que não é é profundamente original, mas que tem um bom propósito inicial. E aquilo que podia ter sido uma festa de fanservice está dirigido de tal forma que se foca em tudo menos no aspecto "lolicon". Isto foi, sem dúvida inesperado.

 Devido às qualidades da história, Gunslinger Girl foca-se na relação das meninas com os seus handlers. Apresenta a história de cada criança e do adulto responsável por ela, com muitos tiros à mistura. Infelizmente, o potencial destas relações pareceu-me insuficientemente explorado. As relações são demasiado simples. Há aquele handler que trata o seu cyborg como uma filha e aquele que a trata como um objecto, mas não passa daí. Eu disse nos meus comentários enquanto via a série que tudo se tornaria mais interessante se houvesse um abuso sexual ali metido para o meio. Porque isso seria uma coisa que imediatamente traria intensidade e tensão à série, elementos que faltam constantemente. A apresentação é, num todo, demasiado simplificada e todo o drama que poderia advir das situações é minimizado e vulgarizado. Cada história não é única nem especial. Também não há uma grande evolução dos personagens. As meninas não podem, pela sua condição de cyborgs, evoluir como personagens. Isso eu compreendo. Mas os handlers também continuam todos na mesma, com excepção de um ou dois que se afastam ou se aproximam do seu cyborg.

 A música é bonita e apropriada, trazendo todo um ambiente de melancolia à série.

 Finalmente, a animação: é definitivamente boa. Há um certo abuso de cenas de acção desnecessárias, bastava-nos uma para compreendermos o que fazem os cyborgs e como é a sua vida, mas elas estão bem desenvolvidas. Gostei das cores que, juntamente com a OST, fazem o tal ambiente melancólico.

 Uma boa série, mas nada de especial. Não seria a minha primeira escolha para uma recomendação.

19.8.11

Um Lugar para Viver

Um Lugar para Viver
Sam Mendes
Filme
2009
6 em 10

 Já tinha visto este filme no cinema, mas acidentalmente aluguei-o na Meo e lá fui eu ver o filme outra vez (com a minha avó). Mas é um filme giro, por isso não me importei muito!

 O tema do filme é a família. Um casal de namorados descobre que vai ter uma criancinha e que, porque os avós da criancinha vão para a Bélgica antes de ela nascer, pode mudar da casa miserável onde vivem para uma que seja mais fascinante. Assim, viajam pela América, visitando todos os sítios que têm amigos, para descobrir um lugar para viver. E assim temos uma série de personagens fascinantes, cada um mais louco que o outro.

 A história é simples e está bem escrita. Existem momentos muito bonitos, enquanto o casal tenta compreender que tipo de família querem formar e que tipo de pais querem ser. Mas acaba por ser só mais uma história de viagens e há alguns gags muito forçados, como o da bêbada. Para mim a história mais original é a da gaja zen, mas o actor envolvido nesta história não fez um grande trabalho.

 Os personagens são apenas pessoas normais e os actores fazem um trabalho moderado em relação a isso. Parece-me que ambos tentam ser engraçados demasiado frequentemente e falham.

 Há imagens bonitas durante a viagem, mas fora isso não é um excepcional trabalho de realização.

 Como disse no início, um filme giro. Mas também não é nada de especial e duvido que o venha a rever outra vez.

18.8.11

Ristorante Paradiso




Ristorante Paradiso
Kase Mitsuko
Anime - 11 Episódios
2009
7 em 10

Disseram-me para ir ver alguma coisa de que gostasse, por isso fui ver Ristorante Paradiso. E gostei.

 Nicoletta é uma jovem de 21 anos que foi abandonada pela mãe em casa dos avós, pois esta queria casar-se com um homem que não queria divorciadas. Por isso, voltou para revelar tudo ao marido da mãe. Este é dono de um restaurante de luxo em que todos os empregados são senhores de meia idade que usam óculos. Fascinada por isto, Nicoletta acaba por desistir da ideia de contar tudo e começa a trabalhar lá. E assim começa a nossa tour pelo restaurante casetta del'orso, o "ristorante paradiso".

 A história é de uma das minha autoras preferidas, Fumi Yoshinaga. É uma história simples, madura, simpática. Não há grandes dramas existenciais, não há grandes reviravoltas. A mim agrada-me este tipo de história, que é leve mas ao mesmo tempo toca-nos profundamente.

 A animação é, infelizmente, bastante fraca. Existem alguns stills bonitos da cidade de Roma, onde se passa a acção, mas há um abuso constante de CG, quer para abrir portas quer para servir vinho, o que me cansou um bocadinho. O design dos personagens é perfeito. Toda a gente é velha (por assim dizer, têm todos uns 50 anos...), toda a gente é desgastada, e isso nota-se perfeitamente logo a partir do design. Não são pessoas bonitas, nem a própria Nicoletta é um génio da beleza, mas têm um charme inerente à sua figura.

 Esse charme é desenvolvido a pouco e pouco ao longo da série. Cada empregado do restaurante tem uma personalidade demarcada, se bem que às vezes muito fraca. É engraçado notar como o personagem principal da história, Claudio, é o que tem a personalidade mais apagada e submissa. Há um desenvolvimento muito intenso de todos os personagens, com recurso quer a histórias do seu passado como aos acontecimentos presentes. Isto nota-se sobretudo nos personagens principais, mas todos os outros também sofrem algum desenvolvimento. Para mim, os personagens são o ponto principal da série. São sem dúvida inesquecíveis.

 A OST mal se dá por ela, mas isto acaba por ser uma coisa boa, pois significa que está bem adaptada ao ambiente que pretende ilustrar.

 Sinto-me muito agradada por ver séries que estão dirigidas à minha demografia, apesar de serem tão raras. Ristorante Paradiso dá-nos vontade de fazer a mala e de ir para Roma, à procura do restaurante e dos seus empregados que usam óculos. Pena que, existindo, deve ser um restaurante caríssimo.

17.8.11

Negros Hábitos

Negros Hábitos
Pedro Almodóvar
Filme
1984
7 em 10

 Eu... Eu nem sei como comentar isto.

 Eu vi uma freira a dar no cavalo.

Boogiepop Phantom




Boogiepop Phantom
Watanabe Takashi
Anime - 12 Episódios
2000
5 em 10

 Um clássico dos 00s, o anime Boogiepop Phantom explora acontecimentos que se passaram há cinco anos e que se reflectem na actualidade: crianças com estranhos poderes, assassinatos e Boogiepop, uma criatura semelhante a shinigami (deus da morte).

 A premissa é excelente, mas a concretização foi insuficiente. Este é um anime para quebrar a cabeça, mas não nos são dadas informações suficientes para conseguir resolver o puzzle. Parece ser necessário um conhecimento prévio de certos acontecimentos, que não nos é dado. Assim, isto acaba por ser apenas uma grande confusão. Além disso, existem elementos (os insectos, a misteriosa droga disfarçada de perfume) que parecem ser completamente esquecidos na progressão da história. é fácil de entender o fio principal da meada, mas tudo o resto teremos de considerar ou inútil ou inexplicável. Eu vou mais pelo inútil.

 A direcção de arte tem também uma premissa excelente. Os tons sépia, o preto e branco, tudo isso é fascinante. Mas acaba por ser destruído por um design deficiente. Este estilo é popular no início dos 00s, especialmente para histórias deste género, o terror urbano, mas ainda assim acho que o estilo da realização teria sido muito mais eficiente com um design de personagens diferente, nomeadamente um estilo shoujo mais brilhante ou um estilo realista.

 As personagens individuais de cada episódio estão bem desenvolvidas, havendo uma boa apresentação dos seus dramas, e Boogiepop mantém-se como criatura misteriosa do início até ao fim, se bem que lhe dão uma certa personalidade que me parece ser desnecessária. No entanto, Kirima Nagi - que é um ponto fulcral de união entre todas as histórias - não parece ter uma personalidade, um passado ou um futuro e está simplesmente ali a andar de mota e a ser fixe com um fatinho colado ao corpo.

 A banda sonora é possivelmente o ponto mais bem conseguido da série. Mantém um nível de suspense e mistério adequados.

 Boogiepop Phantom é parte de todo um franchise, mas a série - sobre a qual eu tinha grandes expectativas - é desagradável. Não tem o mistério nem o horror que prometia e é apenas uma amálgama confusa de conceitos que nunca são explicados. No entanto, a apresentação é muito original e daí um 5 e não outra coisa pior.

14.8.11

Os Pássaros da Morte

Os Pássaros da Morte
Mo Hayder
Policial
2001

Este livro ganhei-o na promoção da Editorial Presença, que fizeram no Facebook. Escolhi-o pelo título (bem, só dava para escolher pelo título...), porque tinha Pássaros e eu gosto de pássaros. Afinal é um policial dos 00s, coisa que nunca tinha lido na vida. E, sinceramente, acho que os policiais têm mais interesse quando são antigos.

 Esta história passa-se em Inglaterra, em que se descobrem uma série de corpos pertencentes a prostitutas, mutilados e abandonados. E com pássaros cosidos aos pulmões, que divertido. O Detective Caffery, personagem principal, vai somando dois mais dois e chega às suas conclusões, enquanto se separa de uma gaja maluca, se apaixona por uma stripper e tenta encontrar a solução para o desaparecimento do seu irmão mais velho, que se evaporou quando eram putos. Ah, e há uma competição irrelevante com um outro idiota do seu serviço que é racista e quer matar pretos. Enquanto isso, o assassino também é descrito. Por isso sabemos quem ele é desde o início. Enfim...

 A história é pavorosa, no sentido literal. Há descrições ricas de como as vítimas são mortas, violadas e encontradas. e também de como estão envolvidas na droga entre outras coisas mais. Aliás, um dos defeitos deste livro é precisamente esse. Tem descrições completamente inúteis e situações absolutamente desnecessárias para o desenvolvimento da história. Parece que já foi feito a pensar na série ou no filme (que nunca há-de acontecer, espero eu?), com uma série de apartes para encher chouriços.

 Os personagens são pouco memoráveis e mal caracterizados. A autora exige descrever o que eles vestem todos os dias, mas recusa-se a descrever as suas personalidades, quer através de acções, situações ou outra coisa qualquer. Para mim o melhor personagem foi o secundário Gemini, que na sua simplicidade acava por ser o mais sólido.

 O final está bem apresentado e a história bem atada. Chegou a haver um momento surpreendente de grande suspense, mas a autora decidiu estragá-lo tentando caracterizar o personagem envolvido. E falhando. Desenvolver personagens com recurso a flashbacks já está demasiado batido.

 Não desgostei do livro, mas este é sem dúvida um género que não consigo aturar. O culpado é sempre o mordomo, mesmo que não haja mordomo.

Terna é a Noite

Terna é a Noite
F. Scott Fitzgerald
Romance
1934

 Esta interessante nova colecção do Público apresenta-nos autores que, não tendo recebido o Prémio Nobel, talvez o tivessem merecido, por todo o seu trabalho. Há várias razões para estes autores não terem recebido o Nobel, desde serem bêbados inveterados a serem demasiado trágicos ou, nas suas obras, colocarem um ênfase demasiado profundo no acaso e não no valor humano.

 Por isso fui, felicíssima, ler esta obra do autor de O Grande Gatsby (livro que, por sinal, eu ainda não li). Depois de o terminar, durante um dia de praia, só tenho a dizer... Talvez ele não tenha recebido o Nobel porque não o merecia.

 Este livro passado no apogeu cultural do pós-guerra mundial trata da vida de Dick Diver e da sua relação com Nicole, sua esposa. Ele é um médico psiquiatra, ela foi sua paciente, e após o seu casamento ele sofre um processo de degeneração em que deixa o emprego e se acopla ao álcool, passando a depender cada vez mais, sob todos os aspectos, da sua esposa (que é rica, muito rica). Ele tenta libertar-se da sua mulher, inspirado por um caso com uma jovem actriz Americana - Rosemary - que, infantil, vê nele um ídolo do amor.

 Parece bem, não parece? Mas não está. Todo o livro está escrito como se todos estes dados fossem vulgares e isso torna a história completamente irrelevante. Existe uma miríade de outros personagens, mas eles não interessam a ninguém. Também existe uma miríade de histórias paralelas, que ainda interessam menos. É um livro pouco focado, sem objectivo. Não há uma boa caracterização da época e da sociedade rica em que tudo se passa e é muito difícil de visualizar as situações.

 Os personagens, vulgares, estão mal caracterizados. Há um excesso de acções que não validam as suas personalidades e as relações entre eles, motivo principal da obra, são corriqueiras e sem qualquer tipo de intensidade.

 A escrita é boa, mas falhando nestes dois aspectos principais empalidece e chega a parecer apressada.

 Um libvo desapontante. Mas ainda vou ler o Grande Gatsby quando tiver oportunidade, porque deve ser bem melhor.

American Pie

American Pie
Paul Weitz
Filme
1999
5 em 10

 Ainda me lembro quando este filme saiu. Eu tinha 11 anos e o meu grande desejo era ir ver esta coisa ao cinema, mas não podia porque era para maiores de 16. Depois, passou na televisão. Não percebi grande coisa, por isso não lhe achei muita piada. Fui revendo-o na televisão e progressivamente percebendo o que se andava a passar. E agora revi-o uma vez final, par ajustar contas.

 Este não é um filme bom. Mas tem a sua graça, dependendo do grau de impureza das nossas mentes. Eu, pessoalmente, não sou apreciadora de piadolas sexuais. Consequentemente, há aqui muitas coisas que eu, inerentemente não gosto. Começa logo pela premissa: quatro pobres tristes decidem perder a virgindade, seja porque meio for, antes de acabarem a escola secundária. Claro que daqui não podia sair grande história... De resto, é um filme bastante normal em termos de escrita e realização. As piadas são engraçadas e calculo que para quem goste disto seja absolutamente hilariante. Os gags têm timings muito bons.

 Mas se há algo memorável neste filme, são as personagens, sem dúvida. 12 anos depois, ainda nos lembramos dos seus nomes e daquilo que representam, no universo da escola secundária Americana. Os actores são um conjunto de "novas" (bem, na altura eram novas) caras e fazem todos um bom trabalho. Evidentemente, não é um trabalho extremamente complicado, mas funciona.

 Um filme para relembrar e que continuaremos a rever em noites de bebedeira daqui a 10 anos.

13.8.11

Alice no País das Maravilhas

Alice no País das Maravilhas
Clyde Geronime e Wilfred Jackson
Filme
1951
6 em 10

 Estava eu no Algarve, na famosíssima terra de Fat Hill, quando nos ocorre ver um filme da Disney. Começámos a ver o Dumbo, mas depois descobrimos que tem alguns momentos demasiado parados para o nosso estado mental do momento, por isso decidimos mudar de filme para algo mais alucinante. E haverá algo mais alucinante de que a Alice no País das Maravilhas?

 Todos sabemos como é a história: Alice, uma menina mal comportada, foge da sua lição para ir atrás de um coelho com um relógio, acabando por cair na sua toca e indo parar a uma terra surreal que envolve animais falantes, bichos estranhos e matemática. Eu devo confessar que desde pequena que odeio o livro da história original. Desde pequena que o acho assustador e pretensioso. Por isso, também não gosto muito deste filme. É possivelmente um dos meus filmes "não-preferidos" da Disney. Quando era pequena não conseguia perceber o que se estava a passar, assustava-me muito com o final e o filme todo era uma confusão para mim. Agora que o vi outra vez, posso objectivamente afirmar que continua a ser um dos "não-preferidos".

 A animação, devemos admitir, é encantadora. O design das personagens é perfeito e definiu como eles seriam vistos nos anos vindouros. Está tudo repleto de detalhes, de pequenas coisas que enriquecem a imagem, tornando-a mais cheia e interessante. Fosse avaliar este filme só pela animação e seria um 10 em 10. Além de que não envelheceu nada e apesar de já ter 60 anos em cima continua a parecer que foi feita ontem.

 Mas o resto... A história não me agrada. Como disse anteriormente, é demasiado confusa para mim, e sem dúvida demasiado confusa para uma criança pouco inteligente como eu. A Disney simplificou a história de forma a focar-se nos elementos mais importantes e mais interessantes, mas mesmo assim não há elos de ligação entre cada parte da história. Compreende-se que seja assim, pois afinal é tudo um sonho (se bem que eu quando era pequena não percebia isso...) mas não sei o que seria melhor: manter as características surreais ou adicionar um pouco de cola e fazer uma história mais fluída. Quanto aos personagens, para mim foi fácil esquecê-los. Conheço bem a história, com a sua lagarta, o dodo e o gato que ri, mas já não me lembro do que é que eles fazem! Alice, personagem principal, é uma criança mimada e irritante que faz as coisas apenas por acaso, sem qualquer tipo de caracterização por detrás das suas acções e sem qualquer tipo de desenvolvimento. Neste filme, Alice não aprende nada no seu sonho. No livro, ainda aprendia uma coisa ou outra, era mais inteligente e estava mais envolvida com as acções ao seu redor, não se limitando a aumentar ou a encolher conforme é conveniente.

 Finalmente, as vozes. Nunca ouvi o original. Desta vez ouvi a versão Portuguesa. Horrível. Não havia qualquer alma por detrás das vozes. A da Alice dá vontade de esmurrar bebés. Não sei quem contratou esta gente, mas foi sem dúvida uma má opção.

 Eu não gosto da Alice no País das Maravilhas, por todas estas razões, mas sobretudo porque não fui uma criança feliz a ver este filme. E trazer felicidade às crianças deveria ser o objectivo deste filme, não é. No entanto, as imagens ricas proporcionaram uma belíssima madrugada. Mas talvez tenha havido a ajuda de produtos menos recomendáveis...